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Tema destrinchado

Assessor de investimentos detalha trabalho da empresa de possível aporte bilionário ao Corinthians

Por Bruno Pantarotto, Beatriz Maineti e Matheus Pogiolli

Na última quinta-feira, o candidato à presidência do Corinthians, André Castro, revelou que o GSP Bank pode aportar até 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 5,5 bilhões) no clube . Desde então, surgiram inúmeras dúvidas sobre a reputação da empresa e como seria realizado tal aporte.

Um dos principais temas era de se a empresa era de fato um banco. Apesar de se nomear como um e ser citado por André, a GSP não possui uma licença no Banco Central e opera no segmento mercantil. Guilherme Colosio, assessor da Crava Capital, em entrevista exclusiva ao Meu Timão, explicou o atual cenário da empresa.

“Eu não encontrei uma licença no Banco Central para atuar de fato como banco. O que a empresa segue é operando no segmento mercantil, que também é conhecido como Factory. Basicamente, consiste em você emprestar dinheiro para o seu cliente em troca do direito de receber as dívidas ao longo do tempo desse mesmo cliente. Isso é muito comum no mercado financeiro", iniciou.

"Existem investimentos, como o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), que são certificados de recebíveis do agronegócio certificados de recebíveis do setor imobiliário. Para ficar mais fácil, imagine que uma determinada empresa tem um compromisso de receber de um cliente dela dez mil reais ao longo de dois anos. Mas ela precisa de caixa agora para movimentar os negócios dela. Ela não quer receber dez mil ao longo de dois anos por mês, então ela aceita receber de imediato um pouco menos para ter essa movimentação agora”, acrescentou.

A carta de intenções apresentada pela GSP tem gerado questionamentos sobre sua real força jurídica. De acordo com Guilherme, o documento tem mais peso político do que efetivo.

“Não consigo ver muita validade. Eu poderia agora mesmo pegar uma folha, assinar isso, não necessariamente iria me obrigar a realizar um (aporte), ainda mais um documento tão genérico como o que foi apresentado. Porque lá cita que existe um plano de negócios, mas não foi aberto ao público quais são esses detalhes desse plano de negócios. Então, aqui do meu lado, eu questiono a validade jurídica desse documento. Eu entendo que ele tem um peso de campanha política porque está acontecendo isso, uma eleição interna. Eu coloco um pouco mais nesse lugar do que realmente algo fundamental, algo oficial que é firme. Se ele for eleito, vai acontecer um aporte porque tem essa carta”, ressaltou.

Outro ponto levantado pelo especialista diz respeito às eventuais contrapartidas que o Corinthians teria de oferecer em caso de aporte. Colosio lembra que, no mercado financeiro, toda negociação envolve equilíbrio entre risco e retorno.

No mercado financeiro, a gente sempre busca equilibrar essa equação de risco e retorno. Então, se eu for investir o meu dinheiro em alguma empresa, em algum negócio, eu preciso, minimamente, mensurar os riscos que eu estou me expondo e também mensurar a perspectiva de ganho que eu vou ter nesse lugar", relatou.

"A gente pode fazer alguns devaneios aqui, porque realmente as possibilidades são muito grandes. Alguma participação em patrocínio, alguma participação na receita do clube através dos ingressos dos jogos, como eu comentei. Acredito que as possibilidades seriam variáveis; está muito amplo, está muito aberto, é difícil tentar. Costurar algo muito concreto aqui. Mas penso que tudo que gera alguma receita para o Corinthians poderia ser alvo de algum desejo da GSP”, comentou.

Segundo Colosio, o plano divulgado pela GSP sugere uma atuação ampla, com investimentos que podiam ser direcionados à Neo Química Arena. Para ele, a aplicação dos recursos pode variar conforme os setores do clube contemplados.

“Eu vi que o plano era investir de uma maneira bem abrangente, iniciando algumas intervenções no estádio mesmo. E aí, começando por aqui, justamente por estarmos falando do estádio da Neo Química Arena, a gente está próximo à questão da bilheteria. Se em algum outro momento o investimento for em marketing, por exemplo, é coerente estar próximo do setor de marketing. Alguma receita decorrente a campanhas e, então, me parece que, a depender de onde o dinheiro está indo, pode ser exigida uma contrapartida maior ou investimento”, analisou.

Apesar das promessas, não há garantias de que o Corinthians receberá os valores mencionados, mesmo em caso de vitória de André Castro. Na visão de Colosio, a proposta se aproxima mais de uma narrativa política do que de um compromisso formal.

É uma aposta. Não tenho realmente uma formalização que implique punições pelo não cumprimento dessa promessa. A gente tem uma intenção. A gente está vendo o André Castro se expor com relação à sua reputação, com relação à sua expertise, então ele está colocando isso como uma moeda de troca. Eu tenho essas conexões, esse networking que eu tenho é o que eu posso oferecer, e esse meu networking é muito forte a ponto de, se eu for eleito presidente do Corinthians, eu consigo acompanhar, eu consigo vir acompanhado de um aporte financeiro relevante", disse Colosio.

"Mas eu entendo que para por aqui no âmbito da narrativa. Do discurso, então eu não tenho aqui uma visibilidade de punições, de questões punitivas, de fato. Se isso não for acompanhado, realmente eu estou visualizando aqui dessa forma uma argumentação para fortalecer a imagem do André Castro como um candidato importante para o clube, dadas as suas qualidades e suas promessas que ele tem feito", complementou.

Outro ponto de dúvida é a própria capacidade financeira da GSP. Perguntado sobre o tema, Guilherme destacou a falta de informações atualizadas e transparentes sobre o capital social da empresa, declarado em R$ 6,57 bilhões em 2010.

“As informações que eu tenho acesso são as mesmas que vocês têm, que todos nós temos, que são as informações da receita e do faturamento. Eu posso muito bem ter um capital social declarado dez anos atrás e nunca ter feito uma alteração no contrato social. Então, hoje, a GSP pode ter um capital muito diferente em comparação ao do início das atividades. Então, não é conclusivo; eu não consigo responder se o que ela está prometendo de investimento é compatível com a realidade do ecossistema da GSP”, explicou.

Como o Corinthians pode se reconstruir?

Ao avaliar a situação financeira do Corinthians, Colosio ressalta que o clube precisa de soluções consistentes para reequilibrar suas contas. Ele aponta caminhos utilizados no mercado financeiro que poderiam servir de referência.

“É nesse tipo de situação se a empresa não tem uma perspectiva de virar o jogo por conta própria para suas próprias atividades. O caminho mais coerente seria captar recursos de alguma outra fonte. No mercado financeiro, existem formas de fazer isso, emitindo uma dívida, abrindo capital na bolsa. Então você vende, e se o mercado comprar a história, comprar a perspectiva de lucro de sustentabilidade daquela companhia decorrente daquele aporte que ela está precisando, aí ela vai ter mais ou menos sucesso”, comentou.

Ainda sobre o cenário de endividamento, Colosio vê na proposta de André Castro uma tentativa de aplicar um modelo semelhante ao do mercado: captar um aporte para aliviar as finanças no curto prazo e ganhar fôlego para buscar sustentabilidade no futuro.

“O caminho no mercado financeiro, se a gente for olhar para essa ótica, para reestruturar uma, seria um investidor no Corinthians, que é um pouco a proposta que o André está trazendo. O Corinthians está endividado, está precisando desse aporte e eu, com minhas conexões, consigo garantir esse aporte através da GSP", avaliou.

“Caminhando para um cenário de sustentabilidade econômica e pagando suas dívidas, e gradativamente gerando receita. Então, é um processo lento. Você tem duas formas de captar dinheiro, basicamente, através de ações ou através de renda fixa. O conceito de ação, o conceito de sociedade e o conceito de renda fixa. Então, existem alguns caminhos possíveis que seriam esses os mais comuns. Tem os empréstimos. Com banco, então, veja a dívida de novo. Precisa realmente ter esse aporte a depender da fragilidade da empresa. Se ela está muito estrangulada, o aporte é importante para ter uma mudança na história”, completou.

Veja mais em: Eleições no Corinthians, Dívida do Corinthians, Diretoria do Corinthians e Presidentes do Corinthians.

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74 Comentários Comentar >

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  • Comentários mais curtidos

    Césare Rossi

    Então o GSP tem R$ 5bi pra investir no Corinthians mas o CEO tá respondendo ordem de despejo de pouco mais de R$ 3mi? O CEO do? Banco? é o Seu Madruga? Kkkk? Tamo na sic mesmo

  • Kleber Ignácio #922

    Se tentam ajudar a levantar Timão ficam criticando.

    Tem citadini e a turma do Andrés voltar.
    Para acabar com nosso Timão

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  • Todos os comentários (74)

    Cast Cortes

    Olha a cara de garageiro do cidadão kkkkkkk esse aí vende até Marea 24 válvulas

  • Diogo's Castro #2.172

    Bom tem confiança em Augusto Melo e apoiamos ele no Corinthians e o que fez com o Corinthians só coisas ruim pelo Corinthians algumas coisas ele melhorou outras ficaram péssima e com a traição de alguma pessoa do lado dele logicamente que o Cargo Máximo já estava destruído com um monte de promessas vazia e sem noção mas o pior de tudo foi a turma de Andrés Sanchez roubou e transborda de dinheiro no Corinthians por anos foi colocado o seus aliados no poder a cada um começou: Mário Globi, Roberto de Andrade, voltou Andrés Sanchez, depois Duílio Monteiro Alves e por fim Augusto Melo perseguido por aliados de Andrés Sanchez no Poder agora vem outro de Andrés Sanchez Citadini outro para colocar as mão no dinheiro e na Marca Corinthians e só vocês torcedores perceber que Citadini ou Stabile esse aí não vai conseguir tirar o Corinthians do Abismo não pode se que tenta mas vai afundar o Corinthians mas fundo possível assim como Andrés Sanchez foi anos a pós anos no Corinthians roubando o lucro do Corinthians e só fazendo dividas por milhões de dividas!
    Prefiro André Castro para mudar tudo no Corinthians essa porcaria de instituição que está anos e não muda pq na hora da eleição do Corinthians todo mundo deveria votar se você está no clube mas de 5 anos ou por 30 anos teria que votar no seu presidente ou diretoria

  • Prof. Fabiosape #2.038

    Estamos na sic. Será que as pessoas não percebem? Se o André ganhar, o máximo que pode acontecer é não vir o dinheiro e tudo continua como está, mas temos a chance de mudar de patamar. Se os outros 2 ganharem, temos a certeza que continuaremos na sic. Qual opção nós temos? Temos duas propostas para escolher? Não. De um lado um esperança, do outro nada. Eu fico com a esperanca

  • Joaquim Barbosa #5.917

    Se não for pra reprisar um certo taunsa da vida, que venha Castro. Vai, Corinthians!

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