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'Foco no sonho'
Técnico do Corinthians exalta a pressão aos jovens na Copinha e pede que ignorem as redes sociais
Por Felipe Sales e Victor Godoy
O Corinthians estreia na Copa São Paulo de Futebol Júnior neste sábado. Assim como a principal competição das categorias de base representa uma grande vitrine e oportunidade para os jovens buscarem espaço no profissional, ela também impõe uma pressão significativa para que os atletas do Sub-20 demonstrem suas qualidades.
Diante desse cenário, o técnico do Timãozinho, William Batista, entende que a pressão faz parte do processo de formação e deve ser encarada como uma oportunidade de desenvolvimento. Para ele, a equipe precisa aprender a lidar com situações adversas desde cedo.
“Eu gosto de pensar sempre no pior cenário possível. Dos jogadores que eu já vi e trabalhei junto, que se desenvolveram e conseguiram chegar ao profissional em outras equipes, são jogadores que sempre superaram o pior cenário possível. Às vezes, o pior cenário é estar perdendo por 1 a 0 e conseguir virar o jogo. Às vezes, é ter um jogador expulso aos 30 minutos do primeiro tempo e ainda assim vencer. Às vezes, é ir para uma decisão por pênaltis e sair vencedor. Às vezes, é estar ganhando por 1 a 0 e, aos 45 do segundo tempo, sofrer uma pressão absurda dentro da área e conseguir sustentar o resultado”, afirmou em entrevista após o treino aberto da última terça-feira.
Além da cobrança natural da competição, alguns jogadores vivem um momento especial. Casos do zagueiro Fernando Vera, do volante Thomas Lisboa e do atacante Léo Agostinho, que disputarão a última edição da Copinha. Nascidos em 2005, eles se despedem das categorias de base ao fim do torneio.
Outro ponto de atenção para William Batista é a influência das redes sociais. O treinador avalia que os atletas precisam saber lidar tanto com críticas quanto com elogios, além do crescimento repentino de visibilidade, e aconselha que o foco esteja exclusivamente na competição.
“O pior cenário possível também é receber críticas nas redes sociais e conseguir superá-las. É não conseguir confirmar as expectativas criadas em cima de você e, ainda assim, continuar se desenvolvendo, perseverando. E, acima de tudo, passar por tudo isso e continuar apaixonado pelo jogo, apaixonado pelo treino, sem deixar que a fama, que chega rápido na Copinha, atrapalhe. Hoje, o número de seguidores no Instagram sobe de forma absurda: o jogador sai de cinco mil para cem mil de um dia para o outro, passa de cinco comentários para mil em uma foto, no dia em que faz um gol ou até no dia em que perde um gol. É tentar deixar tudo isso um pouco de lado, mesmo sendo difícil no mundo em que a gente vive, para focar no sonho, no desejo permanente de vitória, na resiliência e na perseverança. Acho que isso tem muito a ver com o espírito do jogador, com aquilo que ele consegue oferecer e evoluir a partir disso”, comentou.
William ainda reforça que os jogadores devem focar nos feedbacks que recebem da comissão técnica, pois os torcedores não enxergam alguns detalhes que ele e os profissionais do clube acompanham durante o vestiário e no dia a dia dos treinamentos.
“É tentar deixar tudo isso um pouco de lado, mesmo sendo difícil no mundo em que a gente vive, para focar no sonho, no desejo permanente de vitória, na resiliência e na perseverança. Acho que isso tem muito a ver com o espírito do jogador, com aquilo que ele consegue oferecer e evoluir a partir disso. Quando isso acontece, você tem um melhor jogador, um homem melhor, um caráter melhor e alguém mais identificado com o clube. Essas coisas, muitas vezes, são ocultas. Todo mundo vê o momento concreto, o gol, a finalização, o drible. Mas há muita coisa que não aparece: está no vestiário, no dia a dia do treino, em uma conversa minha com o Dorival ou com o Lucas, sobre o que o jogador sente nos momentos de dificuldade, como ele supera isso, se precisa de ajuda ou se é mais autônomo. Tenho tentado oferecer isso. Os feedbacks que trocamos são importantes para formar um time coeso, forte mentalmente, forte fisicamente, um time que não desiste e persevera. Isso também demanda tempo, porque mudar a rota de um time não acontece do dia para a noite”, completou.
Desde que chegou ao clube do Parque São Jorge, em agosto de 2025, William Batista mantém uma integração constante com a comissão técnica da equipe profissional. O Sub-20, inclusive, já realizou atividades conjuntas com o elenco comandado por Dorival Júnior.
Por fim, o treinador projetou o que espera de sua equipe tanto na Copinha quanto ao longo da temporada. Segundo ele, a ideia é formar um time agressivo e ofensivo, alinhado às exigências do futebol profissional e ao modelo de jogo do elenco principal.
“O meu desejo para o Corinthians Sub-20 é ter um time positivo, agressivo, que jogue muitas vezes exposto para formar zagueiros preparados para o profissional, que jogue mano a mano, com atacantes que tenham drible. O mercado hoje pede isso. A tendência do futebol é ter jogadores atuando em linhas mais altas, cada vez mais expostos em duelos. Um jogador assim vira um ativo melhor para o clube, vale mais financeiramente e também entrega mais resultado esportivo. Isso precisa estar alinhado com a ideia de jogo do Dorival, de pressionar alto, ter a bola e ser protagonista. E, para tudo isso acontecer, o tempo é fundamental. Em uma categoria como o Sub-20, o tempo é decisivo para que esse processo se consolide cada vez mais”, finalizou.
O Corinthians disputa a primeira fase da Copinha 2026 em Jaú, no interior de São Paulo. O Timãozinho estreia no dia 3 de janeiro diante do Trindade, às 14h45, enfrenta a Luverdense no dia 6 e encerra a etapa inicial contra o XV de Jaú, no dia 9.




