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Plano definido

Planejamento e possíveis saídas: Dorival detalha trabalho no Corinthians após título da Supercopa

Por Matheus Fiuza e Rodrigo Vessoni

O técnico Dorival Júnior falou sobre o planejamento do Corinthians após a primeira "maratona" do ano. Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o treinador destacou o calendário ainda mais recheado na temporada, além das mudanças promovidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Você não tem um outro caminho. As pessoas, às vezes, não têm ideia das dificuldades do dia a dia, do acúmulo de jogos, do calendário extenso que nós tivemos no ano passado e do pouco tempo de preparação para este ano, porque isso é o que vai comprometer em algum momento, até que possamos ter uma parada, se não me falha a memória, em julho, pela Copa do Mundo. Mas, até então, eu não tenho dúvidas disso, vai pegar muitas equipes, em especial nós, Vasco e Flamengo, que também tiveram um calendário um pouco mais extenso, para o ano seguinte, com algumas complicações. Então, nós temos que nos preparar para isso, é o que nós estamos tentando fazer", iniciou ao Papo com Vessoni.

Em 2026, o Timão teve não apenas as disputas do Campeonato Paulista, mas também a primeira rodada do Campeonato Brasileiro e a conquista da Supercopa do Brasil, já em 1º de fevereiro. Com sete partidas em um intervalo de quase 20 dias, o treinador admitiu a necessidade em rodar o grupo e o desejo em contar com mais reforços, apesar da ressalva com o momento financeiro vivido pelo clube.

"Primeiro, eu não vou esconder do torcedor, não tem como nós estarmos, em todos os momentos, com a equipe titular. Vamos ter necessidade disso, mas não tem como. Nós precisamos nos reforçar para que possamos ter um elenco um pouco mais completo. Para vocês terem uma ideia, em relação ao nosso elenco do ano passado, nós perdemos muito mais jogadores neste momento do que pusemos para dentro. Então, nós já vínhamos de uma defasagem e ainda estamos defasados. Precisaremos de mais alguns elementos que venham a reforçar determinados setores e posições. Isso vai ser fundamental que aconteça", comentou.

"Tudo o que nós estamos fazendo é dentro do que o Corinthians pode realizar. Nós não estamos indo a um mercado aberto para negociações, não tem como fazer isso. É natural que eu gostaria de ter também jogadores valorizados, que nós pudéssemos tentar algum tipo de investimento, não só valorizar aqueles que aqui estão, tentando dar a melhor condição possível, mas reforçar esse elenco, esse grupo e, acima de tudo, ainda buscar uma qualificação. Eu gostaria muito de estar fazendo isso com um pouco mais de possibilidades financeiras, mas nós não temos isso neste momento", completou.

Neste momento, Dorival recebeu quatro reforços: o zagueiro Gabriel Paulista, o lateral-direito Pedro Milans, o volante Matheus Pereira e o atacante Kaio César — o goleiro João Ricardo é aguardado para novos exames entre março e abril antes da oficialização. O técnico manteve o discurso adotado pelo executivo de futebol Marcelo Paz, reforçando o uso da criatividade para buscar nomes no mercado.

"Não podemos esconder do nosso torcedor: não vamos montar uma super equipe, não temos como fazê-lo. Estamos fazendo dentro das nossas possibilidades, com os pés no chão, para que o Corinthians não seja penalizado lá na frente. Estamos tentando usar toda a criatividade possível, valorizando as categorias de base, enaltecendo o trabalho da base, melhorando o trabalho das categorias, melhorando todo o contexto do centro de treinamento. O presidente autorizou algumas mudanças internas que serão importantes para a gente", explicou.

"O Corinthians está se movimentando e se mobilizando para que possa dar um salto de qualidade em algum momento mais à frente. Todos sabem e reconhecem que a nossa condição não é favorável financeiramente falando. Temos que respeitar, tentando fazer com que não tenhamos atrasos em salários, não tenhamos atrasos no dia a dia do clube e que possamos nos reforçar dentro das nossas possibilidades, dentro das nossas condições. É o que está sendo apresentado a todo momento ao presidente e à diretoria, a única e exclusivamente jogadores que nós possamos ter condições de, às vezes, um pequeno investimento ou nenhum investimento para que possamos trazer. Tem que se usar muita criatividade para que tudo isso possa se confirmar”, completou Dorival.

Libertadores como ponto de encaixe

Em 2026, uma das prioridades do Corinthians será a disputa da fase de grupos da Libertadores da América, a partir de março, após a eliminação na fase preliminar na última edição. Dorival, que chegou semanas depois da queda precoce alvinegra, desconversou sobre o torneio continental e reiterou que serão necessários mais cinco ou seis atletas para uma temporada sem preocupações com o elenco.

“Temos que pensar no Corinthians hoje como elenco. E, para que possamos ter um elenco competitivo, independentemente das competições que formos disputar, nós estamos necessitados e temos mais cinco ou seis jogadores que venham a reforçar o nosso grupo de trabalho. Volto a falar, dentro das condições que o clube possa nos entregar. Nós estamos fazendo de tudo para compensar de todas as formas. Tentamos contato com vários jogadores que, quando percebemos que têm um valor muito alto, seja de salário ou de transferência, já evitamos, começamos a cortar, buscando alternativas para que a diretoria possa se sentir confortável para fechar o melhor negócio possível. Em algum momento, nós teremos que voltar e estar mais ativos no mercado. Eu acho que é esse o trabalho que nós devemos realizar ao longo do ano para que o Corinthians, amanhã, esteja presente no mercado. Se você fizer uma avaliação dos clubes da Série A, todos estão se contratando, e muito, para estarem reforçados para o ano inteiro", destacou Dorival.

Além da Libertadores, o Corinthians jogará as outras 37 rodadas do Brasileirão, a reta final do Paulistão e entrará na quinta fase da Copa do Brasil. Caso avance em todos os mata-matas, pode se aproximar dos 70 jogos na temporada.

"Temos uma responsabilidade muito grande. Nosso grupo tem uma limitação no número de atletas. Nós precisamos, e muito, de estarmos com mais cinco ou seis elementos, fazer com que essa roda gire ao longo de toda a competição. Nós nunca teremos igualdade de condições de um atleta para com o outro, mas há alternativas que possam fazer com que essa disputa aumente, melhore, cresça e faça com que exista, naturalmente, uma evolução de todo o grupo, porque nós teremos disputas em todas as posições. É tudo o que nós queremos e precisamos. Por isso, não podemos deixar para fazê-lo daqui a três ou quatro meses; precisamos preparar todos eles para que, em todas as competições, a gente esteja mais completo em condições de grupo", disse.

"Na primeira semana, nós trabalhamos com 14 jogadores. Então, assim, nós temos necessidade, porque dentro desses 14 nós temos vários garotos que ainda estão encontrando o melhor caminho. Nós não podemos nos esquecer disso de forma alguma”, completou Dorival.

Vendas iminentes?

Dorival foi enfático ao pedir que não haja nenhuma venda nesta janela de transferências, que se encerra na primeira semana de março, indo na contramão do discurso de Marcelo Paz . De acordo com o treinador, o Corinthians precisa pensar em resultados e não pode liberar atletas por qualquer valor.

“Temos que ter consciência do momento que o nosso clube está atravessando. Se nós queremos resultados, nós não podemos ter venda. Nós vamos ter venda no momento em que nós falarmos: agora nós queremos vender. O Corinthians tem que trabalhar para esse momento, e não colocar qualquer oferta que chegue à disposição do mercado. Nós temos que ter venda? Ótimo, nós temos que ter venda. Mas temos que trabalhar para que nós tenhamos uma equipe muito mais produtiva, muito mais regular, muito mais segura, para que, lá na frente, nós possamos falar: ‘Agora nós podemos vender’. Não tem problema. Por quê? Porque nós temos uma reposição", iniciou.

"Imagina: nós não temos um elenco completo e vamos pensar em venda? Nós vamos pagar muito caro, muito mais caro do que se simplesmente nós tentássemos, neste instante, um esforço extra, que é o que tem que ser feito, para que nós possamos recompor o nosso grupo. Essa é a verdade. Nós não temos elenco. Elenco nós não temos para as competições que nós disputaremos. Se continuarmos assim, nós vamos ter as mesmas viagens e dificuldades do ano passado, que já foram pontuadas", comentou Dorival.

Entre as soluções encontradas com o mercado escasso no ano passado — apenas Vitinho foi contratado no meio do ano —, Dorival deu chances aos jovens da base, casos de André Luiz, Gui Negão, Dieguinho, Kayke e Luiz Gustavo Bahia.

"Quando eu cheguei, falei em quatro a cinco reforços para garantir o que aconteceria. Não aconteceu. E eu não estou falando aqui em posições. Estou falando em reforçar um grupo no qual eu já via possibilidades de crescimento. Mesmo assim, nós fomos buscar esses atletas nas categorias de base. Foi o ideal? Nós aceleramos esse processo com esses meninos, talvez não tenha sido o ideal, mas nem por isso foi jogado fora o trabalho. Ao contrário. Olha o André jogando, olha o Dieguinho quando entra, e a possibilidade de outros que estão aí. Olha o crescimento que teve o Bidu. Eu fico muito feliz em estar acompanhando o crescimento de muitos jogadores, justamente pela regularidade que o time vem apresentando", comentou.

A preocupação, porém, está em perder titulares. Em janeiro, o Corinthians recusou ofertas da Lazio, da Itália , e do Fenerbahçe, da Turquia , por Yuri Alberto, que já se colocou como artilheiro da equipe em 2026. Dorival ainda relembrou o crescimento de outros atletas, casos dos laterais Matheuzinho e Matheus Bidu, e o reconhecimento ao longo da temporada.

"Você pega um Matheuzinho, você pega um Bidu, todo mundo fala a respeito desses jogadores. A nossa última linha de zaga tem jogadores muito consistentes, independentemente dos nomes que joguem. O Raniele sempre muito seguro. De um modo geral, sim, há o reconhecimento por aquilo que eles vêm fazendo do meio do ano para cá, um ano fantástico, e eu espero que ele mantenha tudo isso", disse.

"O Corinthians tem que se preparar para vender na hora certa. A venda na hora em que nós podemos recompor com aqueles que aqui estão. Quem tem que definir esse momento é o clube. Só que nós temos que nos preparar para isso. Eu acho que esse é um grande desafio: a gente acelerar esse processo de reestruturação do elenco para que amanhã a gente possa se sentir mais confortável numa venda e que não abra para o mercado uma situação em que quem vier aqui vai ter que pagar aquilo que os nossos jogadores valem”, completou Dorival.

Ainda sem mudanças no mercado, o treinador prepara a equipe para o retorno do elenco após o título da Supercopa. O Corinthians encara o Capivariano na próxima quinta-feira, às 20h30, na Neo Química Arena, pela sexta rodada do Paulistão.

Confira a entrevista completa

Veja mais em: Dorival Júnior, Elenco do Corinthians e Mercado da bola.

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