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Guerra fria
Diretor do Corinthians denuncia vazamento de propostas ao compliance e expõe crise política no clube
Por Daniel Keppler e Fábio Marinho
O vazamento de informações sobre as propostas das empresas Ticketmaster e Ingresse para assumir a gestão do Fiel Torcedor, além da comercialização de ingressos e o sistema de identificação facial da Neo Química Arena, segue gerando repercussões nos bastidores do Corinthians, com a situação escalando até o departamento de compliance do clube.
A equipe responsável pelo setor foi acionada por meio de uma comunicação interna enviada nesta quinta-feira pelo diretor de tecnologia do Corinthians, Marcelo Munhoes. O e-mail, que incluía ainda o presidente Osmar Stabile e representantes do departamento jurídico e do DPO (Data Protection Officer, ou Encarregado de Proteção de Dados Pessoais), alerta que o conteúdo vazado era restrito à alta gestão e a profissionais sob dever de confidencialidade.
Segundo o documento, divulgado inicialmente pela Central do Timão e obtido pelo Meu Timão, a denúncia foi precedida por uma conversa prévia entre o DPO e o departamento comandado por Munhoes, que tomou a iniciativa após o vazamento das informações ter provocado a retirada da proposta por parte da Ticketmaster. O diretor sustenta que só soube desse fato por meio da imprensa, sem ter sido avisado internamente com antecedência.
Munhoes também argumenta no relato que a confirmação da veracidade dos dados expostos indica o compartilhamento indevido de negociações em curso. Ele classifica o vazamento como grave, com potenciais impactos reputacionais, negociais e jurídicos, além de sugerir violação de cláusulas de confidencialidade e normas de governança.
Por conta disso, o diretor solicitou na comunicação aos departamento a adoção de diversas medidas, como a instauração de um procedimento formal de apuração sobre o caso, a preservação de registros e logs de comunicação, a análise de responsabilidades funcionais, civis e disciplinares, a avaliação de repercussões contratuais junto às empresas envolvidas e o possível encaminhamento do caso às autoridades competentes.
Guerra de versões e suspeitas em comum
O vazamento das informações e posterior retirada da proposta pela Tickermaster, ocorridos na última segunda e terça-feira, respectivamente, desencadeou o início de uma crise política no Parque São Jorge. Procurados pelo Meu Timão após a divulgação dos detalhes da proposta, representantes de três diretorias da gestão deram declarações diferentes sobre o caso.
O marketing alvinegro, por exemplo, evitou confirmar os dados expostos inicialmente pelo portal ge.globo, bem como negou reconhecer o vazamento em si - agora confirmado pela denúncia por escrito desta quinta-feira. Já os departamentos de Tecnologia, comandado por Munhoes, e de Expansão e Inovação, liderado pelo conselheiro Herói Vicente, procuraram se afastar de qualquer responsabilidade pelo vazamento.
Durante os primeiros dias após o vazamento, essas duas diretorias indicaram por diversos meios que, ao serem procuradas pela primeira vez para comentar o caso, os veículos de imprensa já detinham todas as informações das propostas da Ticketmaster e Ingresse. O Meu Timão apurou ainda que após um período de desconfianças mútuas, membros dos departamentos dialogaram e concluíram que o vazamento teria partido de outro local.
A justificativa para essa conclusão teria relação, ainda segundo apurado, com o número pequeno de pessoas que, dentro da diretoria corinthiana, tiveram acesso às propostas completas das empresas. Alguns departamentos, como o TI, chegaram a participar de reuniões preliminares, mas sem participar das conversas que modularam os termos e valores das ofertas.
Todas as pessoas que fazem parte desse grupo privilegiado fariam parte da cúpula da gestão, se resumindo a quatro pessoas: o próprio presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o diretor administrativo Fábio Soares e o gerente da Neo Química Arena Ricardo Okabe. Essa informação também foi veiculada pelo programa Boletim Corinthiano neste domingo, que revelou ainda que Stabile saberia quem foi o responsável pelo vazamento, sem tomar providências a respeito.
Posicionamentos internos
O Meu Timão procurou diversos representantes da gestão corinthiana para comentarem as repercussões do vazamento de informações e retirada da proposta pela Ticketmaster, bem como da comunicação feita por Marcelo Munhoes, pedindo apuração do caso.
O diretor de Tecnologia Marcelo Munhoes confirmou o envio da denúncia, afirmando que agiu tão logo foi contatado pela imprensa para comentar as propostas das duas empresas. Já o diretor de Expansão e Inovação Herói Vicente, procurado por meio de sua assessoria, optou por não se manifestar.
A redação também procurou o presidente do Conselho Deliberativo (CD) Romeu Tuma Júnior, que afirmou que soube do caso pela imprensa e que, até o momento, nenhum conselheiro protocolou requerimento solicitando uma apuração do caso, algo necessário para que investigações sejam determinadas pelo órgão. Já o presidente do Conselho de Orientação (Cori), Miguel Marques e Silva, expressou preocupação com a notícia, afirmando que, caso seja verdade, a autoria do vazamento deve ser apurada com urgência.
O presidente Osmar Stabile também foi procurado pelo Meu Timão e, assim que houver um posicionamento a respeito, esta matéria será atualizada com a manifestação.




