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MP-SP pede o arquivamento de inquérito sobre possíveis ameaças a presidente do CD do Corinthians
Por Meu Timão
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu o arquivamento do inquérito que investigava denúncias de ameaça, perseguição, calúnia, difamação, injúria e incitação ao crime feitas por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians.
A investigação, iniciada ainda em 2024, analisou publicações e mensagens feitas por perfis e influenciadores nas redes sociais em meio às disputas políticas internas do clube. O caso também contou com a coleta de depoimentos ao longo do processo de apuração. Apesar o pedido de arquivamento pelo promotor Marcio Takeshi Nakada, da 3ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, ainda cabe recurso da decisão por parte da vítima, Romeu Tuma Júnior, além de eventual reavaliação pelas instâncias competentes. Assim, o arquivamento ainda não é necessariamente definitivo.
De acordo com documento ao qual o Meu Timão teve acesso, o promotor Marcio Takeshi Nakada concluiu que não há indícios suficientes de crimes como ameaça ou incitação. Segundo ele, as manifestações se inserem em um conflito político e poderiam configurar ofensas à honra. Essas situações, no entanto, dependem de queixa-crime da própria vítima para serem analisadas.
O inquérito policial foi instaurado em 2024 após Romeu Tuma Júnior registrar ocorrência afirmando que vinha sofrendo ameaças, intimidações e ataques nas redes sociais. Segundo o relato, as mensagens teriam surgido após decisões do CD envolvendo investigações internas e o processo de impeachment de Augusto Melo, então presidente do clube, que foi destituído meses depois.
Tuma afirmou que existiria uma “milícia digital” formada por perfis de redes sociais e influenciadores que estariam promovendo ataques contra ele e outros conselheiros. Ele também relatou ter sofrido uma ameaça por telefone de uma pessoa que se apresentou como “corinthiano” e disse fazer parte do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante as investigações, duas pessoas ouvidas pela Polícia Civil relataram ter tido vínculo profissional com o Corinthians à época. Washington de Araújo Silva afirmou que atuou como coordenador das redes sociais do clube durante a gestão de Augusto Melo, entre maio de 2024 e maio de 2025. Já Carlos Eduardo Alves de Oliveira declarou que chegou a ser contratado para trabalhar na Corinthians TV, mas permaneceu no cargo por cerca de uma semana no mesmo período.
Entre os nomes mencionados por Romeu Tuma Júnior estão diversos perfis das redes sociais, como @TelecoSCCP, @tutamail31, @prmalaoficial, @LucasOSCCP, @persanvitoria, @emersonleao94, @nk_shopp, @tapanaorelha e @jonatan_carmo, além de Douglas Blasi, Blog do Macedo e do Canal do Povo Escolhido. Também foi citada Dayana Barossi, ex-assessora de imprensa de Augusto Melo durante seu mandato como presidente do Corinthians. Durante a investigação conduzida pela Polícia Civil, parte dos responsáveis pelos perfis foi identificada e prestou depoimento para esclarecer as acusações.
De forma geral, os citados no inquérito afirmaram que não tinham intenção de ameaçar ou incitar violência, sustentando que as publicações eram críticas ou opiniões sobre a situação política e administrativa do Corinthians, baseadas em notícias divulgadas por portais ou em informações recebidas por eles.
Diversos depoentes também alegaram que se manifestaram como torcedores, defendendo o clube e comentando decisões internas. Segundo eles, as críticas faziam parte do debate público sobre o momento vivido pelo Corinthians.
Após analisar as justificativas e o conteúdo das postagens, o Ministério Público concluiu que, embora algumas manifestações pudessem configurar ofensas à honra, não havia elementos que caracterizassem crimes como ameaça, perseguição ou incitação ao crime, motivo pelo qual o inquérito foi arquivado.
O arquivamento, no entanto, não impede que a vítima apresente queixa-crime por ofensas à honra ou ingresse com ação cível por danos morais contra cada um dos citados.





