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Problema nas contas
Corinthians identifica inconsistência de quase R$ 300 mil em caixa durante auditoria interna
Por Felipe Sales
Na tarde desta segunda-feira, o Corinthians informou que, durante auditoria do exercício financeiro de 2025, foi identificada a ausência de R$ 294 mil em “valores não conciliados” no caixa do clube, referentes ao período entre 17 de janeiro e 11 de julho.
De acordo com o comunicado, assim que a inconsistência foi identificada, o clube do Parque São Jorge iniciou imediatamente um processo de detalhamento das prestações de contas e dos saques realizados no período, buscando garantir a correção dos valores. Para reforçar a confiabilidade das informações, foi solicitada a validação por auditoria independente, que confirmou os números já apontados internamente.
O Corinthians também declarou que está adotando todas as medidas judiciais e administrativas necessárias para apurar completamente os fatos, com o compromisso de dar transparência ao caso assim que houver conclusões definitivas.
Segundo o entendimento do Ministério da Fazenda, por meio do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (Mcasp), “valores não conciliados no caixa representam diferenças entre o que está registrado no controle financeiro e o que efetivamente existe no caixa”, ou seja, quando os números não “batem”. Isso pode ocorrer por erros de lançamento, ausência de registro de entradas ou saídas, ou falhas na conferência, além de outros motivos de inconsistências contábeis.
Em meio a uma dívida total de aproximadamente R$ 3 bilhões, o mês de abril é decisivo para a diretoria liderada pelo presidente Osmar Stabile no aspecto financeiro. De acordo com a Lei Geral do Esporte (LGE), clubes das Séries A e B devem aprovar e publicar suas demonstrações financeiras anuais até o dia 30 de abril.
Antes disso, as contas de 2025 do Corinthians ainda precisam passar pela análise do Conselho de Orientação (Cori) e do Conselho Deliberativo (CD) do clube. Caso sejam reprovadas, as consequências podem incluir desde punições políticas internas até sanções legais, como processo de impeachment, inelegibilidade e até afastamento imediato.
Além dessa questão, ainda neste mês, o Corinthians terá de pagar a sua segunda parcela do acordo no Regime Centralizado de Execuções (RCE). No primeiro ano, 4% das receitas totais são destinadas ao cumprimento do plano de pagamentos, percentual que sobe para 5% no segundo ano e 6% a partir do terceiro. Esse valor é retirado dos valores recorrentes do clube no mês anterior, como direitos de transmissão, patrocínios e arrecadação comercial, representando cerca de R$ 2,3 milhões por mês.
O Corinthians também tem até o próximo dia 17 de abril para quitar a parcela trimestral do acordo com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), no valor aproximado de R$ 7,2 milhões. Caso o pagamento não seja efetivado, o Timão poderá enfrentar um novo transferban.
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