Scadufax
É inegável que muitas das conquistas do Corinthians vieram da força das arquibancadas. E qualquer um que disser que não, provavelmente ou não acompanha nossa história, ou é pouco adepto de ir a um estádio em jogos de futebol. Exemplos não faltam: a histórica invasão do Maracanã em 1976 que virou camisa em 2019; o estádio de Yokohama lotado em 2012, que impressionou os narradores inglês, que chegaram até a dizer que a 'cidade de São Paulo estava realocada em Yokohama'; ou ainda os treinos abertos que impressionaram jornalistas do mundo todo e nos impulsionou para a conquista do Brasileirão e Paulistão de 2017. A torcida do Corinthians é inigualável, dentro ou fora dos estádios.
E em 2020, será um ano importante para a torcida e para o clube. Isso porque será um ano de ruptura. Não entre o time e os apaixonados do bando de loucos. Mas a ruptura com um estilo consagrado nos últimos 10 anos, que rendeu 13 títulos desde 2008 e que a torcida aprendeu a gostar e fazer parte dos jogos quando preciso. Quantas e quantas vezes, mesmo com o time ganhando ou perdendo por apenas 1 a 0, mas (como gostava de dizer Tite), jogando mal e sabendo sofrer em campo, a torcida não parou sequer por um segundo de apoiar e incentivar. E quantos jogos vimos nossa equipe virar, na base da raça. Mesmo quando jogamos mal (aquele 0 a 0 pela Copa do Brasil em 2018 contra o Flamengo em pleno Maracanã), sabíamos que precisávamos acreditar naquele time. Mesmo que todas as coisas nos dissessem o oposto.
E por que, em 2020, seremos mais essenciais ainda que em 2019,18,17? Porque a mudança de estilo do Corinthians será grande. Deixaremos de ser um time reativo (como virou moda chamar) e passaremos a ser um time que propõe o jogo. Significa dizer que em alguns momentos do jogo, poderemos e provavelmente estaremos expostos à contra-ataques. E precisamos deixar para trás a lembrança do time que sabia se defender, do time que tomou apenas 47 jogos em 64 partidas (em 2017). Precisaremos deixar pra trás, a defesa sólida e intransponível que tomou apenas 4 gols e conquistou a América em 2012. Precisamos entender, que nesse novo estilo de jogo, mesmo que com intensidade para retomarmos a bola, poderemos ser mais atacados do que o normal. E que, mesmo que isso aconteça, os torcedores nas arquibancadas e (principalmente) aqueles nas redes sociais, precisarão mostrar paciência mais do que nunca.
A mudança não vai acontecer de um jogo para o outro. De um campeonato para o outro. Vai demandar tempo. Tempo de adaptação dos jogadores. Tempo de costume para os titulares e reservas. Tempo para implantar os novos métodos de treino. Tempo que talvez a equipe não tenha. E nesse sentido, não dá pra imaginar que o time entrará em campo no dia 04/02 redondo, jogando muita bola e completamente pronto para os desafios na Libertadores, pois não estará. E será responsabilidade nossa criar o clima favorável para os jogadores fora de campo. Dar tempo e calma para que eles possam desenvolver o melhor futebol dentro dessa nova mentalidade, mesmo sabendo da importância dos jogos classificatórios na Libertadores. Mesmo sabendo que eles não podem falhar. Não importa o que acontecer, é nosso dever honrar o lema que criamos em 2007: 'Eu nunca vou te abandonar'!
Como disse um amigo meu:
- Eu não duvido que o Corinthians vá ganhar alguns jogos de 3 a 0. Mas também sei que podemos perder alguns jogos de 3 a 0.
E teremos que saber lidar com isso em 2020.








