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Post de Felipe no fórum "Análise dos jogos" do Meu Timão

É um sistema de jogo promissor.

Gostei muito do time perdendo a bola e já pressionando o adversário é algo muito bom de ser visto.

Times inferiores dificilmente vão se criar pra cima do Corinthians com esse jeito de jogar, como acontecia o ano passado, onde o time perdia a bola e voltava todo mundo sem pressionar quem estava com a bola, deixando os adversários terem todo o tempo do mundo para criar as jogadas.

Contra adversários maiores teremos que ser mais precisos e dosar isso.

Por com um adversário de qualidade, se não recuperarmos a bola nessa pressão, com três toques ele estarão na nossa intermediária defensiva.

Por isso gostei do quando o Tiago Nunes na primeira coletiva disse que armará o time de acordo com o adversário, e isso é pensamento de treinador de futebol, não de muitos entregadores de coletes que vemos por ai.

em Análise dos jogos > Uma análise tática do primeiro jogo do ano

Em resposta ao tópico:

Salve, nação!

Acho que o que mais marca a chegada do Tiago Nunes é o fato do estilo de jogo dele contrastar muito com o que a torcida se acostumou a ver na década passada (com exceção de 2015), mas até hoje não tinha aparecido uma oportunidade de realmente ver o trabalho dele. Chegou o dia e, como esperado, ficaram claras as intenções do treinador:

Tratemos, em primeiro lugar, do mais notório: o sistema de marcação. O Tiago, nesse quesito, segue a escola de Jurgen Klopp e aplica algo que o alemão chama de 'gegenpressing'. Mas, afinal, o que é esse tal de 'gegenpressing'?

Em tradução literal, ele significa 'counterpressing' ou 'contra pressão'. É uma tática de defesa que consiste em aplicar pressão máxima com muita agressividade em cima do portador da bola, buscando recuperar a posse desta o mais rápido possível. O primeiro jogo do Corinthians no ano mostrou muito bem esse sistema, com as linhas de pressão sempre estando muito altas. Vamos, então, ver exemplos e comparar esse primeiro jogo com o trabalho do Klopp na Inglaterra.

Corinthians:

Liverpool:

Além da marcação, a tática do novo treinador consertou o grande problema de saída de bola do ano passado. Antes, havia um claro problema de comunicação entre os setores de defesa, meio e ataque pela falta de jogadores que fizessem a 'cola' entre eles. O papel de fazer a saída e entregar a bola pros volantes no ano passado era do Manoel, pra se ter ideia. O que o Tiago Nunes fez? Muito simples, na verdade: ele apresentou ao time um conceito chamado de 'quarto zagueiro'.

O 'quarto zagueiro' é assim chamado porque, até a década de 40, jogava-se com três jogadores de defesa. A necessidade de reforçar o setor, então, fez com que a maioria dos técnicos recuassem um armador pra zaga. O 'quarto zagueiro', portanto, é essencialmente um defensor com maior capacidade de passe. As duas peças que fizeram essa função no jogo de hoje, Pedro Henrique e Avelar, muitas vezes jogaram na mesma linha dos volantes por causa disso. Pode-se ver isso claramente nessa foto, que mostra o Pedro Henrique jogando ao lado do Camacho e se mantendo a frente da linha do meio enquanto o Gil é o único que se mantém fora da jogada:

Algo muito marcante que reitera esse conceito é que, dentre todos os gritos e berros que o Tiago Nunes deu da beira do campo, um dos mais frequentes foi 'pra frente, Avelar!', pedindo justamente pra que ele se aproximasse do meio.

Também serve como 'cola' entre a defesa e o meio o primeiro volante (função exercida por Camacho e Gabriel), que na sua função defensiva é livre pra se movimentar e ajudar a fazer a pressão em qualquer lugar do campo mas principalmente nas laterais, como fica claro nessa foto que mostra o Gabriel indo pra longe da posição dele só pra dar suporte ao Sidcley:

Já a conexão entre o meio e o ataque fica por conta do segundo volante, que age como um maestro ou, usando a mesma expressão que o Cantillo usou pra se definir, um 'doble cinco'. Ele precisa ser extremamente versátil, sendo capaz de ditar o ritmo do jogo por conta própria enquanto também faz infiltrações rápidas e se coloca como opção pra finalizar uma jogada (temos grandes exemplos de jogadores assim na última década no Corinthians, como o Elias em 2015 ou o Maycon em 2017). A grande queda no segundo tempo se deve quase toda ao fato de que o substituto do colombiano tem características totalmente diferentes e não é natural dessa função.

Quando existem esses jogadores conectando os setores, não é nem necessário orientar os jogadores pra que as linhas fiquem próximas porque elas já ficam próximas por conta própria. De qualquer forma, é sempre bom apontar que essa proximidade de linhas foi o grande fator que diferenciava o Corinthians do resto tanto em 2015 quanto em 2017 (como dito pelo Tite e, depois, pelo Carille). Essa proximidade também permite mais formas de movimentação e o maior exemplo disso hoje foi que tanto Boselli quanto Gustagol raramente se mantiveram fixos na área e muitas vezes nem eram os mais avançados do time. Também permite que o jogo seja mais objetivo e dá espaço a passes mais verticais, algo que não acontecia no ano passado porque a defesa ficava a anos-luz de distância do resto (quem não lembra do eterno toca-toca na zaga que nunca dava em nada?)

Outra cobrança do Tiago (novamente, aos berros) foi 'toca baixo, toca baixo', o que já mostra uma diferença do jogo de chutões e 'manda esse tijolo pra frente e reza pra cair no Gustagol' do ano passado. Além disso, como já se esperava pelos treinos, cada jogador procurava dar no máximo dois toques na bola.

É só o primeiro jogo, mas já deu pra ver claramente o estilo do Tiago Nunes e o que ele quer do time. É um estilo de jogo muito intenso, dinâmico, exigente fisicamente e ao mesmo tempo que empolga, também preocupa pela possibilidade de lesões (principalmente levando em conta que, como deu pra ver, muitos dos reservas não empolgaram muito).

Resta ver o que acontece no resto do ano.

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