Hélio Santos
Para o Eorl, de novo.
Caríssimo, preciso explicar que, ao contrário do que parece, não estou interessado em provar que a terra gira e que sua forma é esférica. Meu interesse primordial é entender os argumentos utilizados por terraplanistas. Como expliquei no comentário anterior, estou tentando entender o escopo geral da controvérsia terraplanista e, para isso, preciso saber o que tais terraplanistas dizem.
No entanto, acabei me envolvendo mais do que devia. Mas vamos tentar justificar algumas coisas. Primeiro, você diz que eu não decidi acreditar na esfericidade e no movimento da terra por observação própria e está correto. Há tantos conhecimentos que acreditamos, mas que realmente não experimentamos nós próprios a realidade de tal fenômeno. No entanto, você também diz que todo terraplanista exibe uma total falta de confiança em governos e no sistema de ensino e que, por isso, favorece experimentos e observações próprias. Perfeito. Isso seria o ideal: todos fazendo experimentos e testando as crenças por si próprios e chegando às suas conclusões. No entanto, no comentário anterior, você cita dois trabalhos. Em um deles, “O experimento de Michelson e Morlen” você diz que “provou que a terra é estacionária”. Em outro, você nos apresenta o astrônomo real George Biddell Airy que, você completa, provou que “as estrelas rotacionam em relação a uma terra estacionária”. Tudo bem, não tenho conhecimentos necessários para refutar nenhuma dessas teorias. No entanto, observe: você também não fez os experimentos por si próprio. Da mesma forma que eu, você ampara em considerações de outrem à sua crença. Correto? Já que não podemos experimentar tudo que nos é apresentado, talvez a posição cética da suspensão do juízo seja a mais atraente. No entanto, não ceio que uma vida cética seja possível.
Como disse, seria o ideal fazermos nós mesmos tais experimentos. A imagem, um tanto quixotesca, de nós mesmos lutando contra os poderosos governos e sistemas de ensino é bastante atraente, mas nem por isso resulta, sempre, em conhecimento confiável. O paradoxo é que você diz isso e, ao mesmo tempo, acredita em deus! Quais experimentos e/ou observações reais você utiliza para manter tal crença?
Para terminar, acho que há um problema sério em creditar todo conhecimento a governos. Houve tantos casos que o contrário é que ocorreu, ou seja, foi à revelia dos poderes instituídos que o conhecimento “avançou” (utilizo aspas por consideração). Vide o caso de Galileu!
Não vou falar sobre a bíblia porque já disse o que penso sobre tal “livro sagrado”. Só lembro que não é só nesse ponto que há contradições. O livro inteiro é cheio de contradições, erros grosseiros e, para falar a verdade, muito mal escrita. Afinal, um livro escrito com tantas mãos e interesses não podia dar em algo muito agradável, do ponto de vista literário.
Tenha um bom domingo!
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