Sergio Campos
Concordo com tudo.
em Bate-Papo da Torcida > Análise fria do jogo
Em resposta ao tópico:
Boa noite (nem tanto, não é?)
Bom, estou escrevendo isso enquanto o jogo ainda está rolando (nesse momento, 46 do segundo tempo).
Como o próprio título diz, é uma análise fria. Sem paixões (ou, no mínimo nível possível).
Quando o jogo começou, os dois times deram dificuldade para a saída de bola dos seus adversários. O Santos e o Corinthians resolveram marcar no campo adversário.
O jogo ficou truncado, feio, disputado. Mas no que o primeiro tempo corria, via-se que o jogo do Corinthians passaria muito por Renato Augusto. Ele movimentou bastante. Inteligente que é, jogou solto, na segunda linha de meio e trocou de posição com o Giuliano em vários momentos. Nas idas falsas que o Renato Augusto as vezes faz pra enganar a marcação e ter espaço pra chutar, Gabriel Pereira, hoje escalado como externo do lado direito, não viu esse movimento em nenhuma delas e sempre buscou o fundo. Na única jogada em que resolveu buscar jogo por dentro, levou perigo.
Quando ia pra linha de fundo, o Corinthians tinha Mantuan e Roger Guedes dentro da área, mas nenhum deles antecipando a defesa adversária. Normalmente eu não dou trela para as análises táticas dos comentaristas de televisão. Considero que a maioria não sabe fazer uma leitura tática. São meros assistidores de futebol. Mas hoje, o PVC (estava comentando no Premiere) fez a leitura correta: se Mantuan e Roger Guedes se resumissem só a trocar de posição, a defesa do Santos não ia entrar. Era preciso um atrair a marcação para que o outro infiltrasse pelo espaço gerado na linha (o famoso facão).
Nesse momento, eu pensei aqui na minha casa: é jogo para o Jô.
Ok, ele não vive a melhor fase da vida. Mas ainda consegue entregar um resultado interessante enquanto centroavante, a depender do que o jogo peça. Pois bem, o jogo estava pedindo um homem de retenção de bola no ataque, pra dar tempo da defesa subir e encaixotar o adversário com as linhas mais baixas. Sem centroavante, a última linha do Santos não tinha muito trabalho.
Depois de um primeiro tempo bem difícil, parece que o Sylvinho teve a mesma avaliação que eu tive. Colocou o Jô.
E aí começaram 45 minutos que podem ser divididos entre os melhores 20 minutos do Corinthians nos três jogos até aqui e os piores 25 + acréscimos.
Quando entra o Jô, o Corinthians passa a ter um pivô. Na primeira jogada em que ele é acionado dentro da área, acontece o que faltava no primeiro tempo: de novo, uma jogada pela direita e um cruzamento. Qual foi o diferencial? Foi o jogador que te dá presença de área. Ele escora o zagueiro e depois guarda bem ao melhor estilo centroavante.
O Corinthians jogava bem mas pecava na terceira etapa do DRAF (Defende, Recupera, Avança, Finaliza). A construção ofensiva, em determinados momentos, estava muito lenta. Não aproveitava certos espaços cedidos pelo Santos.
Não tinha velocidade pra matar o jogo. Sylvinho percebeu. Colocou o Mosquito.
Até os 19 minutos, parecia que era um jogo seguro. O Matheus Donelli não tinha trabalhado ainda.
O que aconteceu, então?
Carille colocou, pouco tempo antes disso, Marcos Guilherme e Lucas Pires. Ambos do lado esquerdo do Santos (direito do Corinthians). Onde joga o Mosquito. O segundo não teve grande impacto no jogo mas o Marcos Guilherme sim. 3 duelos disputados e 2 ganhos. 1 assistência no jogo. Jogando da esquerda pra dentro.
Du Queiroz foi forçado, o Corinthians se complicou na saída de bola e tomou o gol numa falha do João Victor (acho que todos concordam).
Sylvinho ousou (me surpreendeu). Quis ganhar o jogo. Ok, admito que foi uma atitude de coragem. Só tinha um problema: o problema do Corinthians, claramente, era emocional.
O time ficou perdido após o gol tomado. João Victor teve atuação tenebrosa. 8 duelos disputados e apenas 1 único ganho.
Carille não é bobo. Colocou em campo, ao mesmo tempo, Carlos Sánchez e Léo Baptistão.
O uruguaio é cascudo. Gosta de jogo grande e sabe como se comportar numa partida assim.
E Baptistão? Alto, o centroavante entrou para fazer o mesmo que Jô: reter a bola no ataque e impedir que o Corinthians saísse em contra-ataque, porque, de fato, estava levando perigo.
O Corinthians teve um momento no fim do jogo onde, após levar um tapa na cara (perder a vitória) e acordar, criou duas chances. Paulinho parou em João Paulo. Roger Guedes isolou.
O Santos foi muito compacto o jogo inteiro. Ao melhor estilo Carille: vai ao ataque uma vez no jogo e mata.
Me surpreendeu a volatilidade tática do Corinthians no segundo tempo: os primeiros minutos foram os melhores do ano. O restante dos minutos foram os piores. A equipe se perdeu completamente. Não conseguia sair jogando sem errar bobamente.
Mas, quando parei e pensei, não foi algo que deveria ter me surpreendido. Acompanharam o que disse o Renato Augusto quando acabou a primeira etapa?
O meia foi assertivo: estavam errando lances que o Sylvinho tinha treinado com eles um dia antes.
Como já escrevi demais, encerro por aqui. A avaliação de quem errou, acertou... Bom, isso é muito pessoal. Como disse, quis trazer uma análise fria e, mais uma vez, entendo que o melhor e o pior do Corinthians pode ser visto no segundo tempo dessa partida.
Lições? Algumas. João Victor é maduro mas ainda é jovem. Embora nos surpreenda, ainda comete erros. Esse é um deles. Outro: Jô pode não ser uma opção pra ser o cara do time mas ainda é útil.
Há outras? Há, certamente. Mas como disse: já escrevi demais.
Abraços e uma boa quinta-feira a todos.
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