Post de Ana no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão
Ana Rafaela
O Pior inimigo do Augusto é ele mesmo.
Em resposta ao tópico: "A Crise Política no Corinthians e o Fim de uma Dinastia"
Para muitos, Augusto Melo pode parecer apenas mais um nome, mas foi ele quem, com força política e apoio de base, rompeu uma estrutura de poder que dominava o Parque São Jorge há 16 anos. Seu início foi promissor, encerrando a era mais vencedora da história recente do clube. No entanto, a década também marcou uma decadência: dívidas aumentaram exponencialmente, a gestão perdeu rumo e o protagonismo dentro de campo se esvaiu. Todo o capital político do ciclo anterior ruiu, culminando numa derrota simbólica — e eleitoral.
Nesse cenário emergiu Augusto Melo, liderando votos, conquistando apoios e vencendo eleições voto a voto, como poucas vezes se viu. Com isso, ele entrou para a história como o homem que destruiu uma dinastia de quase duas décadas.
Mas no Corinthians, nada é simples. O clube é um gigante em torcida, bilheteria e patrocínio — mas também em disputas internas. Mesmo derrotado, o antigo grupo ainda exerce influência. A oposição tem nome: Andrés Sanchez e sua turma. São os que marcaram a era de ouro, que conquistaram a única Libertadores e moldaram jornalistas e bastidores. Eles seguem poderosos dentro e fora do clube, e sabem tumultuar o ambiente como ninguém.
O apoio a Augusto começou a ruir com a saída de Rubão, uma das maiores lideranças de sua base. A composição política foi se fragmentando, e o caos se instaurou. O escândalo envolvendo a VaideBet — com acusações graves como formação de quadrilha e corrupção — foi a gota d’água. Tentam vincular Augusto Melo aos crimes, mesmo sem qualquer condenação judicial. Ainda assim, ele foi massacrado pela mídia.
Veio então o primeiro pedido de impeachment, frágil e mal articulado. Augusto resistiu. Mas um segundo ataque se desenhou, mais perigoso: a reprovação das contas. Algo que, tecnicamente, afetaria todas as gestões dos últimos dez anos. Mas no Corinthians, as decisões não são técnicas — são políticas. E a política está afundando o clube.
Aqui, cabe uma pausa para uma reflexão: política bem feita, com propósito e ideal, constrói futuro. O que se vê hoje no Corinthians é o pior da política — vaidade, disputa por poder, egos inflados. Não há projeto, apenas guerra por espaço e influência.
O clube vive hoje sob o anseio da queda de Augusto Melo. Mas quem viria depois? Quem conseguiria unir as correntes internas e criar um Corinthians melhor? Perdão pela ousadia, mas talvez precisemos de algo como um “plano real”, de um velho corinthiano que soube administrar o país e trazer estabilidade — sim, FHC. Do contrário, continuaremos descendo a ladeira, indo cada vez mais para a rala.




