Leandro Seivane
No começo estava falando sic, mas no final incrivelmente, ficou igual ao começo
em Bate-Papo da Torcida > A mágoa que talvez seja injusta: por que Andrés Sanchez virou vilão...
Em resposta ao tópico:
Se você é corinthiano de verdade, certamente lembra com clareza do dia em que Ronaldo Fenômeno foi anunciado no Parque São Jorge. Lembra da incredulidade, do orgulho, dos sorrisos. Lembra também do primeiro gol, do camisa 9 correndo em direção à Fiel, da sensação de que o mundo inteiro olhava para o Corinthians.
Agora pergunte a si mesmo, com honestidade: quem fez tudo isso acontecer?
O nome é um só — Andrés Sanchez.
E ainda assim, ele virou alvo. De críticas duras, muitas vezes pessoais, com uma memória seletiva que parece apagar uma era inteira de reconstrução e conquistas. O mesmo dirigente que trouxe Ronaldo, que colocou o Corinthians no protagonismo do futebol brasileiro, que liderou a construção do estádio próprio — nosso templo, nossa casa — hoje é tratado por parte da torcida como se fosse apenas o responsável pelos tropeços recentes.
Mas quem realmente conhece o Corinthians sabe: a crise que vivemos hoje, política, institucional e moral, simplesmente não existia na época dele. O Parque São Jorge, sob seu comando, era um ambiente firme, centralizado, com liderança clara, ainda que polêmica, mas que sabia se impor e proteger o clube do caos interno que hoje escancara fragilidades e racha a alma do Timão.
É claro que erros aconteceram. Mas quem não erra em decisões de gestão de um clube do tamanho do Corinthians? A pergunta que fica é: o saldo final de Andrés é negativo mesmo, ou fomos nós que deixamos a emoção ultrapassar os fatos?
Olhe para os números. Olhe para os títulos. Olhe para o Corinthians antes e depois de Andrés. E então pergunte-se: estamos cobrando com justiça... Ou com ingratidão?
Quando os tempos ficam difíceis, é fácil buscar culpados. Difícil é lembrar quem construiu as bases do orgulho que hoje defendemos com unhas e dentes. E se você sente saudade dos velhos tempos de raça, títulos e respeito no cenário nacional, talvez deva lembrar quem ajudou a construir essa identidade.
Não se trata de canonizar ninguém. Mas de algo que a Fiel entende como poucos: gratidão.
Talvez, no fim das contas, não seja Andrés quem precise se explicar. Talvez sejamos nós que precisamos repensar nossa forma de enxergar um dos dirigentes mais vitoriosos — e talvez mais injustiçados — da história alvinegra.
O perdão não é fraqueza. Às vezes, é só o reconhecimento tardio de que fomos injustos com quem nos fez grandes e sabia conduzir o Corinthians com mão firme quando mais precisávamos.
