Fernando Oliveira
Matheus, você escreveu com clareza o que eu tento, e não consigo, postar aqui. Pessoal que quer contas em dia defende pagar depay, quer contratações, não quer cortar esportes. Na realidade, além de cortar até o café, precisa de um administrador frio, calculista, que enxergue dívida e corte até o que não gostaria, mas corte.
em Bate-Papo da Torcida > O transferban não vai acabar e posso provar
Em resposta ao tópico:
Galera, vamos ser bem sinceros: quem ainda acha que “é só pagar que o transferban cai” não entendeu a gravidade do que está acontecendo. O Corinthians não está apenas com um problema pontual. O Corinthians virou inadimplente reincidente, e quando isso acontece, a CNRD e a CBF tratam o clube como aquilo que ele se tornou: um mau pagador crônico. A regra do próprio acordo diz que atraso reiterado gera até 6 meses de ban mesmo APÓS o pagamento. Ou seja: mesmo depositando, a punição continua. Isso é o reflexo de anos de irresponsabilidade administrativa acumulada — e o clube agora está colhendo o que plantou.
[Imagem do GE/Globo, notícia de hoje sobre CNRD da CBF]
E o pior: nem é “só” o transferban da CBF. Tem o da FIFA pelo Félix Torres (R$ 40 milhões), tem o transferban que vai vir do caso Rojas (R$ 41,5 milhões), e qualquer um desses pode travar o Corinthians por meses. Você paga um, aparece outro. Paga outro, já tem mais dois. Por quê? Porque as gestões anteriores empurraram dívida pra frente como quem varre sujeira pra debaixo do tapete. Isso virou parte da cultura do clube associativo: pegar empréstimo pra pagar atraso, usar receita futura pra tapar buraco presente, adiantar dinheiro pra fechar o ano “bonito” no papel. Só que agora a conta chegou — e com juros, multas, transferban e Fair Play chegando pra fechar o caixão.
A diretoria atual tenta passar que “está tomando medidas difíceis” — cortar basquete, futsal, gastar menos no social… Mas isso é maquiagem. Resolver RCE de R$ 1,8 milhão enquanto a Dívida Ativa da União sobe mais de R$ 400 milhões em um ano não muda absolutamente NADA. É enxugar gelo. O Corinthians está com déficit mensal, precisa de empréstimo pra pagar parcela atrasada, e mesmo assim a dívida não só não cai, como cresce exponencialmente. E aí entra o perigo: o clube está tão desorganizado que até quando paga, não paga no prazo; e quando paga no prazo, cai em outra punição; e quando resolve uma pendência, aparece uma terceira. Isso não é azar. Isso é colapso estrutural de governança.
E aqui entra o ponto que muita gente não quer enxergar: a partir de 2026, o Fair Play Financeiro vai transformar tudo isso em punição esportiva pesada. Transferban será só o começo. Vai ter retenção de receita, perda de pontos, rebaixamento administrativo e punição pessoal pra dirigente que mentir informação. O Corinthians, hoje, não tem controle de caixa, não tem margem de manobra, não tem fluxo positivo e vive pendurado em vendas de atletas — algo que o Fair Play vai restringir. A receita cresce, mas o rombo cresce mais rápido. No fim, é matemática: quem deve o que o Corinthians deve e atrasa o que o Corinthians atrasa não “sai dessa” com corte de custo em modalidade ou discurso de “agora vai”.
Resumindo: o transferban não vai acabar, porque ele não é um problema isolado. Ele é o SINTOMA. O sintoma de um clube que está falido na prática, que vive de remendo e que agora vai ser fiscalizado com lupa por CBF, FIFA, União e credores. Até o Vitória já sofreu intervenção judicial — e o Corinthians está em situação pior. Enquanto o clube associativo continuar funcionando desse jeito, o transferban vai voltar, reincidir, escalar e virar bola de neve. Não é pessimismo. É só olhar pra realidade: hoje, o Corinthians não manda mais no próprio destino. E, sinceramente? Era questão de tempo.
