Frederico Tevez
Como torcedor, eu confesso que ver dívida sendo paga dá um alívio imediato. Transfer ban derrubado, Rojas resolvido, CNRD liberada, Félix Torres encaminhado. Beleza! Ninguém quer o Corinthians travado, mas quando você olha com um pouco mais de atenção, o filme é sempre o mesmo e o final a gente já conhece.
Esse dinheiro que apareceu agora não é milagre. É receita futura sendo usada no presente. A tal parcela da LFU não é empréstimo, ok, mas já veio menor porque tem desconto, imposto e abatimento de adiantamento antigo. Ou seja, estamos gastando hoje o que deveria bancar o clube lá na frente.
O empréstimo de R$ 150 milhões segue mordendo os direitos de TV todo ano. São quase R$ 30 milhões a menos por temporada durante cinco anos. É como se o Corinthians começasse todo Brasileirão já perdendo de 1 a 0 no caixa. Ou mais.
Aí vem a Copa do Brasil, ganha em campo, a Fiel comemora, mas metade do prêmio já vai direto pra Caixa por causa da Arena, outra parte some em imposto. O título entra pra história, mas o dinheiro mal passa pelo clube. E ainda tem bicho pra pagar.
O que essa diretoria chama de força-tarefa financeira nada mais é do que pagar dívida com outra dívida. Não é planejamento, é sobrevivência. É tapar buraco com empréstimo, adiantamento e retenção. Resolve hoje, afunda amanhã.
O mais revoltante é que isso não é novidade. É o mesmo modus operandi que trouxe o Corinthians até aqui. Só muda o discurso, porque o método é idêntico. Sempre tem um dinheiro que salva, sempre tem um problema urgente, e a conta futura fica maior.
Como torcedor, eu quero ver o Corinthians competitivo, mas também quero ver o clube parar de viver no limite. Porque do jeito que está, cada dívida paga vem acompanhada de outra maior. E uma hora não vai ter mais o que adiantar, nem o que segurar.
Se não mudar a lógica, a gente vai continuar comemorando alívio financeiro como se fosse conquista, quando, na verdade, é só mais um dia de sobrevida.
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