Marlon Figueiredo
A pergunta que não quer calar é simples: por que a cobrança nunca chega com a mesma força em quem realmente toma as decisões? Jogadores entram em campo, dão a cara a tapa e, quando o resultado não vem, são os primeiros a sentir a pressão, muitas vezes de forma até desproporcional. Mas e Osmar Stabile, Romeu Tuma e os conselheiros vitalícios? Onde está essa mesma intensidade na cobrança?
Não dá pra esquecer o que aconteceu com o Luan, que apanhou por muito menos. Aquilo foi absurdo e nunca deve ser normalizado. Mas escancara um ponto: a revolta da torcida costuma ter endereço certo e raramente é a diretoria. São eles que planejam, contratam, gerem (ou desgerem) o clube. Se o cenário atual é de crise, não dá pra fingir que a responsabilidade está só dentro das quatro linhas.
Bate até uma nostalgia, não da violência em si, mas da postura mais firme de antigamente, quando a cobrança parecia alcançar todos os níveis do clube. Hoje, o que se vê muitas vezes é um “teatrinho”: nota oficial aqui, protesto controlado ali, enquanto quem realmente conduz o clube segue praticamente blindado.
Cobrar jogador é válido, sim. Eles precisam entregar resultado. Mas isentar dirigentes é fechar os olhos para a raiz do problema. Se há caos, ele começa na gestão. E enquanto a pressão não subir para quem decide, dificilmente algo vai mudar de verdade.
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