Post de Thiago no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão
Thiago Sccp
Maurinho não curtiu esse apelido
Em resposta ao tópico: "O Triunfo da Canalhice: Entre o Arrascapênalti e o Apito Amigo"
Vejam vocês a que ponto chegamos na ladeira do ridículo nacional. O sujeito acorda, lustra o seu diploma de jornalismo — ou a sua conta de verificado no X — e decide que a grande questão da humanidade não é a metafísica, mas se o uruguaio 'cavou' ou 'foi cavado'. É a era do 'Arrascapênalti', essa abobrinha semântica mastigada por influenciadores que vivem de passar rímel na própria indignação. De um lado, temos o rubro-negro de austeridade búdica, do outro, o esmeraldino de bochechas coradas. Mauro Cezar, Danilo Lavieri, Rodrigo Mattos... Digladiam-se por uma vírgula de arbitragem com a fúria de quem defende a honra da própria mãe. É de uma burrice tão solar, tão absoluta, que chega a ser lírica. Em volta dessa fogueira de vaidades, dançam os lambe-botas da imprensa, essa gente de virtudes fáceis que balança o leque e aplaude o espetáculo dantesco.
O palmeirense, coitado, vive num estado de chilique institucional permanente. É a baronesa que encontrou um fio de cabelo na sopa de tartaruga e grita que o 'sistema' quer derrubar a sua coroa. Já o flamenguista habita um delírio de perseguição galáctica, esquecendo, com uma amnésia conveniente, que desde 2019 o apito sopra a seu favor com a doçura de uma flauta doce no crepúsculo. Mas o que realmente define a baixeza desse novo tempo é a ressurreição de fantasmas. Um dos maiores canalhas da comunicação, um desses profetas da má-fé, pariu outrora a infâmia do 'Apito Amigo'. Uma alcunha vil, destilada para diminuir a glória alheia e que hoje serve de muleta para os medíocres. É o triunfo da canalhice sobre o fato, uma etiqueta colada na testa do Corinthians por quem não suporta a própria insignificância diante do gigante.
Enquanto esses senhores se perdem em 'reacts' histriônicos, espiando a vida alheia pelo buraco da fechadura digital do YouTube, resta o Corinthians. E aqui reside a única maturidade possível no asfalto quente da realidade. O corinthiano é um sujeito que não tem tempo para a fofoca do vizinho. Ele não é um voyeur da desgraça alheia; ele é o protagonista da sua própria e majestosa agonia. Não nos verão em canais de internet babando de inveja ou ódio pela derrota do rival. O corinthiano basta-se. Enquanto o influenciador esmeraldino ou rubro-negro precisa do escândalo para se sentir vivo, a Fiel está em silêncio, roendo as unhas pelo seu próprio destino.
O Corinthians não é um tema de debate para especialistas de condomínio; é uma religião que dispensa **explicações**. A verdade é nua e crua como um joelho ralado: eles precisam do barulho, do clique, da polêmica do pênalti inventado e das mentiras do passado para justificar o vazio de suas existências clubísticas. Eles reagem a nós porque nós somos o sol que lhes causa a sombra. Nós, não. Nossa única preocupação é o Coringão. O resto é apenas o latido de quem esqueceu que o futebol, antes de ser um gráfico de engajamento, é vida, morte e silêncio. Eles que fiquem com os seus termos imbecis e seus vídeos de reação. O Corinthians é grande demais para caber numa tela de celular. Enquanto eles choram o 'Arrascapênalti' e cospem a peçonha do 'Apito Amigo', nós seguimos, sozinhos e imensos, na nossa solidão gloriosa.






