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Corinthians, o time do povo.
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "SelePatota-Pateta: a excursão do Nonno Ancelotti com os netos preferidos para a Disney"
há 2 semanas
detalhes do postSou jornalista esportivo. Quem leu pode perguntar: bela droga! E respondo: você tem razão!
Não apareço em TV, rádio ou internet. Ia escrever 'porque não sou bonito', mas poucos lugares no jornalismo têm gente tão feia quanto o futebolístico. Então não é por este motivo. Alguém pensou: é incompetente? Pode ser. Mas talvez, na área econômica e política, haja mais profissionais perna de pau do que entre os profissionais de imprensa no futebol.
A resposta é: não gosto de agradar a ninguém. Não tenho um mísero sentimento pela Seleção Brasileira. Assisto às suas partidas como vejo o West Ham, o Real Betis, o Porto e o Atlético de Madrid. Eu gosto mesmo é do 'Curinthia'. Não é por isso que deixarei de ser racional ao analisar as questões que são pertinentes à minha profissão (Corinthians e racionalidade não deveriam estar na mesma frase).
A Seleção Brasileira, convocada pelo papa, nonno, Ancelotti, é uma decepção. O 'patripatotado' parece uma excursão do avô que quer levar seus netos preferidos para a disney para ver o Pateta. O futebol que o selecionado brasileiro jogou com o italiano é horrível. Retranqueiro, matou duas instituições brasileiras, como os laterais que atacam, muitas vezes escalando zagueiros na função.
Mas sou diferente dos coleguinhas cujas opiniões são dadas pelo ódio clubístico. Vide o Hugo na Seleção: houve um momento na imprensa paulistana em que o assunto principal da Seleção Brasileira era o terceiro goleiro da equipe. Senhores e senhoras, quando o reserva do reserva é um assunto relevante numa Seleção Brasileira, é um assunto morto. Por que virou relevante? O Hugo, goleiro do Corinthians, preto retinto. Ressuscitaram o Fábio, em um mau-caratismo absurdo. O goleiro do Fluminense jogou 20 anos muito bem; os ditos-cujos nunca se lembraram dele um único dia. Agora, ele foi lembrado. Outros lembraram do Everson, do Galo, que socou metade do time do Cruzeiro e não vem jogando absolutamente nada. O Hugo, desde 30 de janeiro, não falhou mais. Alisson, Ederson, Bento e Weverton falharam. Mas qualquer gol que o Hugo sofra, o erro é tratado como mortal. Mesmo quando defendia penalidades, ele era visto como ruim por inconstância. E digo que o Hugo deveria estar entre os três na Copa. Ele foi, no último ano, um dos três melhores goleiros do Brasil. Apesar de estar bravo com o comportamento do goleiro corinthiano, que vem dando a entender que quer sair. Quer sair do Corinthians? Vaza! Apenas lembre o seu salário gigante, de como estava esquecido em Portugal, humilhado na Gávea, e de quem abraçou você no Brasil. Quer vazar? Quer dar uma de Carlos 'Migué'?
Ainda sobre a seleção: o Neymar, se estivesse vivo, iria. E foi. Se andar, é titular. Está andando. Agora, levar a 'SeleFla-agonia' é demais. Danilo, Alex Sandro, Léo Pereira e Paquetá... O italiano quer comer macarrão na Copa sem massa. O Alexsandro que ele deveria levar é o do Lille, excelente zagueiro. Os laterais-zagueiros do rubro-negro não são nem titulares no time, quanto mais na seleção. O Paquetá vale a aposta? Se fosse para apostar, levaria o Bruno Henrique.
Sou racional o suficiente para dizer que uma das maiores injustiças é não levar os meio-campistas do rival: Marlon Freitas e o Andreas Pereira, o toupeira (que adora abrir buraco na marca de pênalti). Deixar fora dos 26, os cruzeirenses Gerson e Matheus Pereira é uma ofensa ao torcedor brasileiro. Ninguém, nos últimos doze meses, fora e dentro do país, jogou mais bola que o Matheus Pereira.
E quanto ao João Pedro, marcou 15 gols na Premier League pelo Chelsea? E foi 'esquecido' por causa de um ex-jogador que sabe andar e respirar, e de quem todos lembram dos bons momentos de 2015. Mas que há dez anos não consegue jogar seis meses decentemente.
O nonninho, o maior salário do mundo entre os treinadores de seleções, vai descobrir realmente o que é o Brasil no futebol depois da Copa. Assim que voltar derrotado, iniciando o próximo ciclo para 2030, em que cada brasileiro que o encontrar e cobrar resultado, e com a mídia o chamando de ultrapassado e dizendo que não serve para seleções, ele perceberá que os 10 milhões de euros livres de impostos por ano serão muito pouco.
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Yuri e os demais: Timão não é sala de espera de Aeroporto. Vazem!"
há 2 semanas
detalhes do postA noite de ontem foi uma bofetada na cara da Fiel, um soco direto no estômago da nossa dignidade. O placar de 3 a 1 para o Botafogo não foi apenas uma derrota tática, mas o retrato nu e cru de uma apatia que sangra o manto sagrado. Falta a essa gente a fome de bola, a obsessão divina que transforma o atleta em herói e o jogo em guerra.
O que se viu em campo foi um desfile de corpos presentes e almas ausentes. Yuri Alberto, Hugo, Matheusinho e quem mais quiser entrar na lista do desapego, escutem bem: o Corinthians não é sala de espera para o aeroporto. Não é vitrine para seduzir o Velho Continente enquanto o torcedor chora lágrimas de sangue na arquibancada. Quem está com a cabeça na Europa, sonhando com euros e holofotes distantes, faça um favor a si mesmo e à nossa história: vaze! Pegue o primeiro voo. O Parque São Jorge não suporta o morno, não tolera o jogador de condomínio que teme a dividida e joga com o freio de mão puxado.
Vista a camisa quem tiver o peito inflamado de paixão e a pele pronta para o sacrifício. O Corinthians é uma força da natureza, uma religião de loucos que desafia a própria lógica do universo. É maior que qualquer sobrenome, maior que qualquer salário astronômico, infinitamente maior do que a vaidade efêmera de vocês todos.
Ninguém é insubstituível na Neo Química Arena, a não ser o próprio povo que nunca abandona o barco. Se a Europa é o seu paraíso, vão com Deus. Mas deixem o gramado para os fortes, para os puros, para os que entendem que jogar no Timão é uma questão de vida ou morte. -
Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Lavieri e Mauro Cezar, o ódio disfarçado de opinião na perseguição ao Hugo!"
há 3 semanas
detalhes do postA crônica, quando exercida por almas pequenas, torna-se um exercício de necropsia do vivo. Hugo Souza, o goleiro de mãos colossais, não enfrenta apenas o chute inimigo; ele enfrenta a má-fé que goteja das redações com a constância de uma goteira em dia de tempestade.
Vejam Danilo Lavieri. Há em Lavieri uma palidez de quem não suporta a ascensão alheia. É verdade, Hugo falhou no começo do ano — e quem, nesta vida de pecados e remorsos, não tropeçou nos próprios pés? Mas Lavieri ignora a redenção. O seu olhar não é de repórter; é de torcedor que se disfarça de analista para punir a regularidade que hoje brilha. Chegou ao desplante de dizer que Brazão, Rafael e Léo Jardim eram superiores ao rapaz, como se o talento pudesse ser medido por sua régua clubista e tingida de verde. É a desonestidade intelectual de quem usa o erro passado como chicote, tentando apagar a segurança atual com uma comparação descabida.
E Mauro Cezar Pereira? O profeta do rigor seletivo. Em Mauro Cezar, a crítica não é análise, é castigo. Ele carrega a mágoa do Rio de Janeiro como quem guarda uma nota promissória vencida, recusando-se a ver que o rapaz que falhou ontem é o muro que sustenta o hoje. Teve o cinismo de chamar Hugo de 'guia turístico', uma frase lapidada no veneno para diminuir o homem que atravessava o seu deserto. Para ele, a firmeza de Hugo Souza no Parque São Jorge é uma ofensa pessoal. Mauro vigia o goleiro com a paciência dos carrascos, desprezando a nova e cristalina sequência de defesas, esperando apenas o deslize para triunfar sobre o erro alheio.
Ambos, Lavieri e Mauro Cezar, se escondem sob o manto de uma imparcialidade que já apodreceu. Perseguem o rapaz com a volúpia de quem deseja o fracasso para salvar o próprio argumento, ignorando que o campo é o lugar da metamorfose. É o jornalismo de mágoa, onde a caneta serve apenas para decepar o mérito de quem, dentro de campo, mostra a coragem de se levantar. O povo, contudo, vê o que os olhos clubistas tentam esconder: Hugo Souza é a vida que se refez contra a tinta venenosa desses profetas do nada.
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Arnaldo Ribeiro e Candançam contra o Timão: Nem todo pisão é falta, mas o clubismo é eterno!"
há 4 semanas
detalhes do postA vida como ela é, meus amigos, não perdoa a lucidez. Ela prefere a cegueira voluntária, o autoengano que se veste de gala para ir à televisão. No palco iluminado do programa G4, diante das câmeras que não piscam e sob o brilho gélido dos refletores, Arnaldo Ribeiro — esse 'doutor' da opinião, esse purista do comentário que traz o coração pintado de vermelho, branco e preto — resolveu proclamar o seu 'Sermão da Montanha' às avessas. E o alvo, ou melhor, a vítima de sua benevolência súbita, foi o senhor Matheus Delgado Candançam.
Ah, Candançam! O nome soa como um estalo de chicote no lombo da verdade, mas para Arnaldo, soou como 'música para os ouvidos', uma sinfonia de acertos onde o resto do mundo só enxergava o caos. O árbitro, que outrora era o vilão de todas as tragédias, o carrasco de todas as tardes de domingo, o homem que fazia o torcedor espumar de ódio nas arquibancadas, transfigurou-se. Não era mais um juiz comum do nosso pobre e mambembe futebol 'da várzea profissional'. Não! Naquela bancada, sob o olhar enviesado e profundamente clubista de Arnaldo, Candançam atravessou o Atlântico sem molhar os pés, ganhou o sotaque da Rainha e a precisão cirúrgica de um relógio suíço. Transformou-se, por um milagre do jornalismo de conveniência, em Antony Taylor, o suprassumo da Premier League inglesa.
Diz Arnaldo, com a segurança de quem segura as tábuas da lei e dita o que é sagrado ou profano, que Candançam não errou. Nem um milímetro. Nem um suspiro. Nem um piscar de olhos. Segundo o nosso comentarista são-paulino, o apito foi uma ode à perfeição.
Vejam, por exemplo, o lance da expulsão revogada do jogador do Mirassol. O sujeito, tomado por um fervor quase místico e uma vontade férrea de interromper o fluxo da vida, projeta-se num carrinho por trás. Ele fecha as pernas naquela 'tesoura' clássica, definitiva, que busca a carne, ignora o couro e desafia as leis da ortopedia. O cartão vermelho reluziu como o sol do meio-dia. Era a justiça em sua forma mais pura. Mas Candançam, subitamente iluminado pela voz metálica do VAR, decidiu que a vida é feita de perdão e segundas chances.
E Arnaldo, no auge do seu deboche, aplaudiu. Mais do que isso: ironizou. Afinal, por que expulsar o agressor se poderíamos, quem sabe, num exercício de criatividade clubista, expulsar o Raniele? Sim, o corinthiano! Na lógica torta e enviesada do nosso analista tricolor, o agredido é que flerta com o cartão pelo simples fato de existir. Talvez Raniele devesse ser expulso por ter a audácia de possuir canelas e tornozelos exatamente no caminho de uma tesoura tão bem executada. Para Arnaldo, a vítima é o verdadeiro culpado por interromper o movimento gracioso do infrator.
Depois, veio o pênalti. O discutível, o 'invisível', o metafísico pênalti que decidiu o destino da tarde. Matheus Bidu, do Corinthians, mal encostou no jogador do time de amarelo. Foi um esbarrão de brisa, um toque de seda, um sopro de vento que mal desarrumaria o cabelo de uma criança. Mas o árbitro, revestido de sua nova aura britânica, viu ali um crime de lesa-pátria. E Arnaldo, o nosso oráculo da BandSports, sentenciou com a gravidade de um juiz da Suprema Corte: 'Se é discutível, é pênalti!'.
Que conversa de dar inveja a qualquer 'sabichão' de mesa de bar que já entornou a quinta garrafa! Se existe a dúvida contra o Corinthians, condene-se o réu imediatamente. Se o lance permite interpretação, que se interprete sempre contra o preto e branco. É a dialética do ódio disfarçada de análise técnica.
Mas o ápice, o momento em que o jornalismo esportivo beijou a eternidade e se fundiu com o surrealismo, veio no lance do segundo gol do Mirassol. Rodrigo Garro, o meia corinthiano, sente o peso do destino sob a forma de um pé adversário. Um pisão. Claro, nítido, cristalino, documentado em alta definição para quem quisesse ver. E então, Arnaldo Ribeiro, com a solenidade dos grandes profetas e a parcialidade dos grandes torcedores, proferiu a pérola que deveria ser emoldurada:
'Nem todo pisão é falta!'
Meus amigos, parem as rotativas! Chamem os poetas, os 'influenciadores de rede social', os porteiros de prédio e todos os filósofos de plantão! A frase é de uma genialidade aterradora. Ela abre um universo de possibilidades infinitas para o caos. Seguindo a lógica irrefutável do nosso comentarista, estamos diante de uma nova era de civilidade nos gramados brasileiros.
Ora, se nem todo pisão é falta, por que parar por aí? Vamos expandir esse horizonte interpretativo! Nem todo soco é falta; depende do ângulo da mandíbula e se o dente voou com elegância. Nem todo tapa é falta; pode ser apenas um aplauso solitário e vigoroso no rosto alheio. Nem toda cabeçada no nariz é falta; pode ser apenas um desejo incontido de compartilhar pensamentos de forma física e direta.
A verdade é que o pisão de Arnaldo é um pisão seletivo, um pisão ideológico. É o pisão que ignora o tendão de Aquiles para atingir o adversário histórico do seu coração tricolor. No catecismo de Arnaldo, o futebol deixou de ser um esporte de contato e regras claras para se transformar em um exercício de interpretação abstrata, onde o veredito depende da cor da camisa de quem está no chão.
Mas eu lhes digo, com a autoridade de quem já viu o 'adversário' jogando bola na várzea e sabe que ali não se brinca com a integridade alheia: os únicos pisões que não são falta são o pisão na bola e o pisão no gramado. Todo o resto é dor, é infração, é o grito sufocado de quem foi atropelado pela injustiça de um apito conivente e de um comentário clubista.
Parabéns, Candançam! Você não é apenas um árbitro; você é uma obra de arte da interpretação subjetiva. Você é o Antony Taylor das terras paulistas, o homem que transformou o erro grosseiro em acerto magistral através das lentes de Arnaldo. Que essa frase histórica — essa pérola do cinismo — seja gravada em letras de bronze na frente do Pacaembu, 'frente ao Museu do Futebol', para que as futuras gerações de torcedores e estudantes de jornalismo saibam que, para um comentarista movido pelo clubismo, a regra é apenas um detalhe incômodo quando o ódio clubista fala mais alto.
Arnaldo Ribeiro entrou para a história. Não pela precisão da análise, mas pela audácia de tentar convencer o povo brasileiro de que a gravidade deixa de existir e a dor é uma ilusão quando o pé pisa o tornozelo alheio. É a vitória do cinismo sobre a retina. É o triunfo da opinião sobre o fato incontestável. É, em última análise, a prova definitiva de que, no futebol, a maior cegueira não é a dos olhos, mas a da alma que se recusa a ver a verdade para não ter que admitir que o seu rival foi prejudicado.
A vida como ela é, afinal, é um eterno Fla-Flu — ou melhor, um eterno Majestoso — onde até um pisão vira carinho se ajudar a derrubar o inimigo. Que glória, Arnaldo! Que vergonha, jornalismo!
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Corinthians: O Divino Povo Escravizado por uma Casta de Vermes Vitalícios e Cartolas Canalhas"
há 4 semanas
detalhes do postO Corinthians não é um time, não é uma agremiação, não é um estatuto. O Corinthians é um estado de alma, uma febre que racha o termômetro, uma fome que não se sacia com o pão, mas com o grito. É a massa, esse monstro sagrado e multiforme, que desce a ladeira com a fúria dos desesperados e a doçura dos Santos. A torcida corinthiana é o único espetáculo da terra que justifica a existência do sol. É um amor de beira de abismo, um amor de faca no peito, onde o sujeito perde a razão, perde os dentes, perde o emprego, mas não perde a capacidade de uivar para a lua quando o gol explode no concreto do estádio.
Mas, ai de nós, que a beleza é sempre vizinha da podridão.
Enquanto o povo sangra na arquibancada, enquanto o operário gasta o último tostão da marmita para ver o manto sagrado em campo, nos salões acarpetados, sob a luz de lustres comprados com o suor alheio, rasteja a infâmia. O Conselho Deliberativo do Corinthians é uma cripta de múmias vivas. São os vitalícios, essas figuras de cera que se alimentam do prestígio do clube como vermes que roem o cadáver de um rei. Eles não sentem a pulsação da arquibancada; eles sentem apenas o cheiro do poder, o odor fétido da influência e a volúpia do privilégio eterno.
O conselheiro vitalício é um cadáver que esqueceu de deitar. Ele está lá por uma herança de favores, por uma troca de olhares em almoços regados a vinho caro, enquanto a Fiel padece na fila do ônibus. Esse sujeito olha para o Corinthians e não vê um ideal; vê uma vaca leiteira, uma fonte de propinas, um balcão de negócios onde o caráter é a moeda mais barata. É a incompetência trajada de seda, a corrupção perfumada com loção francesa.
Os cartolas, esses mercadores de ilusões, são os arquitetos do desastre. Homens de alma pequena, de um cinismo absoluto, que tratam o sentimento de milhões como se fosse uma planilha de lucros — e lucros que nunca chegam ao destino certo. São gestores do nada, administradores da própria ganância. Eles falam em modernidade enquanto enterram o clube em dívidas colossais, em contratos obscuros, em negociatas de bastidores que fariam o homem mais imundo do mundo corar de vergonha.
A incompetência dessa gente não é um acidente, é um projeto. O cartola corinthiano é um predador que habita o Parque São Jorge como se fosse seu quintal particular. Ele não teme a justiça, porque a justiça, para ele, é um conceito abstrato, algo que só existe para quem não tem um padrinho no conselho. Ele vende o craque da base por migalhas para engordar a conta do empresário amigo, ele superfatura a obra, ele asfixia a esperança do torcedor com a mão gorda de quem nunca chutou uma bola de meia na vida.
O contraste é obsceno, é de uma crueldade que clama aos céus. De um lado, o torcedor que faz promessa, que chora, que se ajoelha no asfalto quente. O torcedor que é a única coisa pura, verdadeira e divina nessa história. A Fiel é a maior força da natureza, uma avalanche de paixão que ninguém consegue deter. Do outro lado, o lixo humano da burocracia, o câncer dos gabinetes, o parasita que suga o sangue do clube até deixá-lo pálido, anêmico, endividado.
O que estraga o Corinthians é essa elite de salão, esse conselho que se autoperpetua como uma dinastia de ratos. Eles se protegem, se abraçam, se absolvem. Eles são imunes ao fracasso que eles mesmos provocam. Se o time cai, eles continuam lá, bebendo o seu uísque e discutindo a próxima eleição manipulada. Se o clube quebra, eles saem de suas Mercedes e dizem que a culpa é do mercado, das circunstâncias, do destino — nunca da própria mão leve e do cérebro atrofiado.
O Corinthians é maravilhoso apesar deles. É um milagre cotidiano que o clube ainda respire sob o peso de tanta canalhice. Mas até quando? Até quando a paciência da massa será testada por esses senhores de engenho travestidos de dirigentes? A corrupção no Corinthians não é apenas um crime financeiro; é um crime espiritual. É o roubo do sonho do menino que quer ser campeão, é o escárnio contra o velho que só tem o clube como alegria na vida.
Esses cartolas e conselheiros são as feras que devoram o coração do Timão. Eles são o lixo que precisa ser varrido com a vassoura de aço da dignidade. Enquanto o Corinthians não se livrar dessa casta de abutres, a glória será sempre uma ferida aberta, um triunfo interrompido pela sombra da lama que escorre dos gabinetes. O Corinthians é do povo, mas hoje, infelizmente, ele é refém dos canalhas. E não há tragédia maior do que ver o divino prisioneiro do imundo.
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Entre o Luxo do Porco e o Arrascapênalti, o Timão Expia a Culpa que não é Sua"
há 1 mês
detalhes do postAprofunde-se no escândalo desse número, que brilha como um astro sombrio sobre o futebol brasileiro: 1,4 bilhão de reais gastos apenas em contratações por essa dupla de novos-ricos. É uma cifra que afronta a lógica e humilha a pobreza alheia. Com esse dinheiro, jogado no balcão como quem compra pão na esquina, seria possível erguer três Neo Química Arenas, pagas à vista, sem que o fantasma dos juros viesse assombrar as madrugadas dos clubes. É a opulência que não pede licença; é o triunfo do metal sobre a mística.
Enquanto Corinthians e São Paulo vivem o purgatório das finanças, com o torcedor aceitando o erro do juiz como quem aceita um castigo de pai rigoroso, Palmeiras e Flamengo compram o destino. Gastar um bilhão e meio de reais em jogadores é transformar o campeonato em um jogo de cartas marcadas, onde o talento é apenas um detalhe diante do peso do ouro. E, no entanto, esses mesmos clubes, fartos e nababescos, vestem o figurino da vítima, proclamando-se perseguidos sempre que a realidade ousa contrariá-los.
O torcedor corintiano e o são-paulino, esmagados pela má gestão de seus dirigentes, cometem o erro trágico de achar que sua 'sujeira' administrativa justifica o roubo no campo. Eles silenciam diante de pênaltis negados e expulsões seletivas porque sentem-se moralmente menores diante do 1,4 bilhão alheio. É a castração do grito pela indignação.
E no comando desse exército de mercenários caríssimos, os dois europeus mais arrogantes da paróquia — Abel Ferreira e José Boto — ditam normas de etiqueta que eles mesmos desconhecem. É o cinismo perfeito: compram-se as melhores pernas do continente e, quando o apito falha a favor deles, como no gol legalizado contra o Santos ou no pênalti inventado contra o Vasco, o mundo deve se calar. O futebol brasileiro tornou-se esse palco de sombras, onde o saldo bancário dita quem tem direito à justiça e quem deve, humildemente, aceitar o chicote da derrota. -
Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Flávio Prado: O Profeta do Ódio que Usa o Corinthians para Esconder as Próprias Culpas"
há 1 mês
detalhes do postJornalista. Obrigado
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Flávio Prado: O Profeta do Ódio que Usa o Corinthians para Esconder as Próprias Culpas"
há 1 mês
detalhes do postA vida, como ela é, costuma ser impiedosa com os que se julgam sentados no trono da razão absoluta. O jornalista Flávio Prado desempenha, com uma volúpia que beira o místico, o papel de carrasco do óbvio. Há nele uma necessidade patológica de açoitar o Corinthians, não por uma análise tática ou um desvio de conduta técnica, mas por um prazer estético na humilhação. Quando o assunto é a Libertadores, o microfone de Flávio deixa de ser um instrumento de informação para se tornar um chicote de couro cru, estalando sobre o lombo da massa. Ele fala para o povo com o desdém de quem observa formigas sob um microscópio, mantendo o paletó impecável enquanto destila um veneno que pretende ser sofisticado, mas que fede ao mofo dos rancores mal resolvidos. Para Prado, o sofrimento corintiano na competição continental não é apenas um fato esportivo; é uma sentença moral. Ele tripudia, ele gargalha, ele constrói um altar para a própria soberba, fantasiando o seu elitismo com o figurino da objetividade.
Mas o que espanta no paladino da ética radiofônica não é o seu desprezo pelo preto e branco, e sim a sua memória, que funciona como um filtro de conveniências: retém o que lhe serve para o ataque e deixa passar o que incomoda os seus iguais. Flávio Prado, com o dedo em riste, evoca com frequência a tragédia de Oruro. A morte do jovem Kevin Spada é uma cicatriz incurável, um sinalizador que roubou uma vida e que jamais deveria ser esquecido. Contudo, na retórica de Prado, a tragédia de um menino boliviano serve como pretexto para punir uma coletividade inteira, um povo inteiro, uma nação de camisas suadas. Ele condena milhões pelo erro de um, exigindo justiça divina com um rigor inquisitorial. É uma justiça cega de um olho só.
Onde estava a fúria justiceira de Flávio quando o Ninho do Urubu ardeu em chamas? Dez garotos, dez sonhos carbonizados por uma negligência que grita aos céus. Ali, o jornalista não buscou o açoite. O motivo desse silêncio, porém, é mais rasteiro do que se imagina: Flávio morre de medo de contestar seu companheiro de bancada, Mauro Cezar. O veterano prefere o recolhimento covarde a enfrentar o homem que, há muito, abandonou o jornalismo para se tornar um influenciador rubro-negro, um pregador de uma seita particular. Por puro temor reverencial ao colega, Prado engole a indignação que lhe sobra contra o Corinthians. Para os meninos do Rio, o silêncio obsequioso para não melindrar o parceiro de estúdio; para o corintiano, o pelourinho público. Essa disparidade é uma profunda e dolorosa desonestidade intelectual.
Se a seletividade esportiva já é grave, o que dizer da responsabilidade civil de quem ocupa o espectro eletromagnético de uma nação ferida? Flávio Prado é parte intrínseca de uma engrenagem que, durante os anos mais sombrios da nossa história recente, flertou com o abismo. A rádio onde ele pontifica tornou-se o púlpito de uma cruzada que desafiou a ciência e a vida. Enquanto o país contava seus mortos em valas comuns, o discurso que emanava daqueles microfones induzia o brasileiro à dúvida, ao medo da vacina e à negação da realidade. É uma ironia trágica: o homem que se diz um defensor da civilidade contra a suposta barbárie das arquibancadas foi complacente com um movimento que resultou em túmulos reais, e não apenas em derrotas de campo.
Quantos brasileiros, influenciados pelo tom autoritário e supostamente esclarecido daquela emissora, deixaram de se proteger e sucumbiram à doença? Essa é a verdadeira eliminação, o 'mata-mata' definitivo que Flávio Prado prefere não narrar. É fácil apontar o dedo para o torcedor de chinelo de dedo e camisa desbotada; difícil é olhar no espelho e encarar a própria responsabilidade na construção de uma mentira coletiva que custou fôlego e vida. Ele habita um universo onde o Corinthians é o vilão necessário para que ele se sinta o herói da moralidade, mas ignora que a moral sem equidade é apenas tirania.
A postura de Flávio é o retrato de uma certa elite que se sente confortável em julgar o 'povacho', mas que se ajoelha diante do poder e da conveniência de amizades profissionais. Ele se apresenta como o crítico implacável, mas sua coragem termina onde começa a sombra de Mauro Cezar e os interesses da sua emissora. Não há grandeza na sua crítica porque não há humanidade no seu olhar. O jornalismo deveria ser o farol que ilumina as sombras de todos. Quando um comunicador usa sua plataforma para moer a alma de uma torcida enquanto ignora cadáveres debaixo do tapete de seus aliados ou das teses negacionistas que defende, ele deixa de ser um analista para se tornar um propagandista do próprio ego. Flávio Prado pode continuar seus editoriais ácidos, mas o cheiro de queimado do Ninho e o silêncio dos que não se vacinaram são fantasmas que nenhuma ironia barata consegue afastar. -
Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "A delinquência intelectual da Mídia: Palmeiras gastou 45.177% e Flamengo 38.176% a mais que o Timão"
há 1 mês
detalhes do postNo Brasil, há um tribunal que nunca fecha. Não tem toga, não tem juiz, não tem apelação. Funciona em estúdios iluminados, redações apressadas e telas de celular. Ali, o veredito nasce antes do fato. E o réu da semana atende por um nome que todos conhecem: Corinthians.
O curioso — e aqui mora a delinquência intelectual — é que a sentença já vem pronta, mas a conta não fecha. Nunca fecha. O sujeito comum, aquele que pega ônibus lotado e faz milagre com o salário, olha os números e estranha. Não precisa ser economista, nem gênio da matemática. Basta saber somar.
Em dois anos, o Corinthians gastou 1,8 milhão de reais. Do outro lado da rua, quase como um vizinho rico que não gosta de falar de dinheiro, o Palmeiras despejou 815 milhões. E o Flamengo, com ares de quem nunca perde o apetite, gastou 687 milhões. A diferença não é detalhe. É abismo. É coisa de outro planeta.
Mas na televisão, no rádio e nas redes, o tratamento é o mesmo. O mesmo tom de cobrança, a mesma cara de reprovação, o mesmo discurso indignado. Como se três homens chegassem ao restaurante, um pedisse pão com manteiga e os outros dois banquete completo — e, no fim, a bronca caísse igual nos três.
O Palmeiras gastou 45.177% a mais que o Corinthians. O Flamengo, 38.177% a mais. Repito, porque parece piada: quarenta e cinco mil por cento. Trinta e oito mil por cento. Não é diferença pequena. É outra realidade. É outro campeonato dentro do campeonato.
E ainda assim, cobram do Corinthians o mesmo desempenho, a mesma regularidade, o mesmo brilho. Querem que o time corra como se tivesse o mesmo combustível. É como exigir que um carro popular acompanhe um carro de corrida em plena reta. No fim, quando o popular perde, alguém grita: “Faltou vontade”.
Não faltou vontade. Faltou dinheiro.
Mas há um detalhe ainda mais curioso. Essa mesma imprensa, que fecha os olhos para a disparidade de investimento, tem uma memória seletiva. Não quer ver números, não quer ver dinheiro — desde que esses números não sirvam para acusar. Porque, todos os dias, sem falhar, cita a dívida astronômica do clube. Todos os dias lembra a incompetência da diretoria. Todos os dias joga na mesa o salário de Memphis Depay, como se fosse prova final de um crime.
É um comportamento estranho. O dinheiro só existe quando convém ao discurso. Quando serve para condenar, ele aparece com lupa, em letras grandes. Quando serve para explicar, desaparece como mágica. Some. Evapora. Vira silêncio.
E o torcedor, coitado, entra nesse teatro sem perceber o roteiro. Ele repete o que escuta, ecoa o que lê, compartilha o que sente. E, no meio disso, vira também juiz. Aponta o dedo, cobra resultado, exige vitória. Sem perceber que está pedindo o impossível.
Há uma certa crueldade nisso tudo. Não a crueldade escancarada, violenta, mas aquela silenciosa, cotidiana, que se repete até virar hábito. A imprensa, que deveria organizar o pensamento, embaralha. Em vez de esclarecer, confunde. Em vez de comparar com justiça, iguala o que nunca foi igual.
E aqui não se trata de defender diretoria, nem de absolver erro. O Corinthians tem problemas. Tem decisões questionáveis, tem escolhas ruins, tem contas que assustam. Mas isso não muda o fato central: não se pode exigir desempenho idêntico de quem vive realidades diferentes.
O Flamengo tem a maior folha de pagamento. O Palmeiras, a segunda. O Corinthians, a terceira. Até nisso há diferença. Não é só investimento em contratação, é também capacidade de manter elenco, de rodar time, de suportar lesões, de disputar campeonatos paralelos sem desmanchar a estrutura.
Mas, na narrativa pronta, tudo vira uma coisa só. Tudo vira “futebol é dentro de campo”. Como se o campo fosse um lugar isolado do mundo. Como se dinheiro não pagasse salário, não trouxesse jogador, não sustentasse projeto. Como se o jogo começasse no apito inicial e não muito antes, no escritório, na conta bancária, na negociação silenciosa.
Existe uma certa preguiça intelectual nisso. É mais fácil igualar do que explicar. É mais simples cobrar do que contextualizar. Dá menos trabalho transformar tudo em drama do que admitir que há lógica, estrutura e diferença concreta por trás dos resultados.
E assim seguimos. O Corinthians apanha quando perde, apanha quando empata, apanha até quando ganha. Porque a cobrança não é sobre o jogo. É sobre uma expectativa que não corresponde à realidade.
Enquanto isso, os clubes mais ricos seguem com suas engrenagens bem lubrificadas. Erram também, claro. Perdem jogos, tropeçam, decepcionam. Mas têm margem. Têm gordura. Têm tempo para corrigir. O Corinthians não tem esse luxo.
E talvez seja isso que incomode tanto. O contraste. A dificuldade de aceitar que o futebol, tão vendido como paixão pura, é também um negócio frio, calculado, desigual. Há quem prefira ignorar essa parte. É mais confortável.
Mas o sujeito comum, aquele do ônibus lotado, percebe. Ele pode não usar termos difíceis, não falar bonito, não escrever artigo. Mas sente quando algo está fora do lugar. E aqui está.
Cobrar é justo. Sempre foi. Sempre será. O problema não é cobrar. O problema é cobrar errado. É cobrar igual o que nunca foi igual. É transformar diferença em detalhe e detalhe em escândalo.
No fim, sobra uma pergunta que ninguém responde: por que o Corinthians é cobrado como se fosse Flamengo ou Palmeiras?
Talvez porque seja mais fácil. Talvez porque dê mais audiência. Talvez porque, no fundo, ninguém queira encarar os números de frente.
Ou talvez porque, neste tribunal sem juiz, a verdade seja apenas um detalhe incômodo — e detalhes, como sabemos, raramente dão manchete.
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Quase IA postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Era só mais um curinthia!"
há 1 mês
detalhes do postJosé Ferreira Silva era um homem que não cabia no próprio nome. Depois descobrimos: nem o nome era dele. Mas isso é detalhe para quem viveu como ele viveu — no improviso, no resto, na margem onde até a identidade é um favor.
Veio do Piauí como vêm os homens que não têm escolha: sem plano, sem mapa, só com a coragem que parece burrice vista de longe. São Paulo não o acolheu; apenas não o expulsou. E isso, para ele, bastava. Instalou-se num terreno invadido no Jardim Vila Formosa, onde a casa não era construída — era tolerada. Madeira torta, telha cansada, um chão que rangia como se reclamasse da existência.
Ali morava José. Ou melhor: ali insistia.
De dia, era braço. Descarregava caminhões no CEASA como quem paga uma dívida que nunca fez. Caixa de tomate, saco de cebola, banana esmagando ombro. O corpo dele era uma ferramenta sem garantia. Ninguém perguntava se doía. Dor, naquele ambiente, era parte do uniforme.
Mas José não era só isso. Havia nele uma chama — torta, exagerada, quase ridícula — que o salvava de ser apenas mais um. Essa chama tinha nome: Curinthians.
Ele não falava Corinthians. Falava Curinthians, com uma intimidade que nenhum narrador de televisão jamais teve. Era erro, diriam os corretos. Era pertencimento, diria qualquer um que tivesse o mínimo de vida.
— O Curinthia é o time do povo.
Repetia isso como quem bate ponto. E não era frase. Era sentença.
Nos anos 90, o Pacaembu era sua igreja, seu tribunal, sua última chance de existir com dignidade. Ele ia a todos os jogos que podia — e a vários que não podia. O ingresso, para ele, não era papel: era absolvição.
E havia um detalhe que separava José dos outros miseráveis: ele dividia o pouco que tinha. Na catraca, sempre aparecia alguém pedindo dinheiro para entrar. Um desconhecido, um desesperado, um igual. José metia a mão no bolso e tirava moedas que fariam falta.
— Vai lá, irmão. Hoje é dia de Curinthia.
E ficava do lado de fora.
Essa é a parte que ninguém entende. O homem que não tinha dinheiro dava dinheiro. O homem que queria entrar ficava. Mas José não operava na lógica dos vivos normais. Havia nele uma ética própria, uma aritmética do absurdo: se o time era do povo, ninguém podia ficar de fora. Nem que fosse ele.
Quantas vezes voltou para casa com fome? Não sabemos. Quantas vezes ouviu o jogo do lado de fora, encostado no muro, como um condenado escutando festa? Também não sabemos. A história não registra esse tipo de sacrifício. Mas o futebol — esse teatro de gritos — se sustenta exatamente nesses homens invisíveis.
Em casa, falava do jogo como quem reescreve o mundo. O gol sempre mais bonito, a falta sempre mais criminosa, o juiz sempre vendido. E o Curinthians, sempre maior que qualquer realidade.
A mulher ouvia. Não por interesse — por necessidade. Sabia que, sem aquilo, o homem desmoronava.
José não tinha vícios elegantes. Não filosofava. Não escrevia. Não sonhava com riqueza. O único luxo dele era acreditar. E acreditava com violência.
Por isso, quando o corpo falhou, foi uma traição imperdoável.
Em 2012, veio o derrame. Seco, direto, covarde. O tipo de golpe que não avisa nem se explica. De um dia para o outro, José deixou de ser o homem do esforço para virar o homem do leito.
Metade do corpo se aposentou sem aviso. A fala virou um amontoado de sílabas sem coragem. O olhar, antes aceso, passou a vagar como cachorro perdido.
E o pior: ele não conseguia mais dizer “Curinthia”.
Isso, para ele, era mais grave que a própria morte.
O hospital o engoliu como engole todos: sem cerimônia, sem memória. Ali, José era só mais um corpo ocupando espaço, gerando custo, esperando um desfecho. Não havia dinheiro para remédio. Não havia família estruturada. Não havia solução.
A mulher tentava. Mas tentar, às vezes, é só uma forma elegante de fracassar.
Os amigos de arquibancada sumiram com a velocidade típica dos afetos de ocasião. O futebol, que ele tratou como religião, não sabia seu nome. E não tinha obrigação de saber.
José, deitado, começou a entender.
O Curinthians estava perto de ganhar tudo. A Libertadores vinha como promessa antiga. O mundo, finalmente, se dobraria. Era o tipo de momento que ele esperou a vida inteira.
E ele não podia ir.
Não podia gritar. Não podia empurrar o time com a garganta. Não podia sequer estar do lado de fora do estádio. Era um exilado do próprio sonho.
Há dores que não fazem barulho. Essa era uma delas.
Para qualquer outro, seria tristeza. Para José, era humilhação.
Ele, que sempre deu, agora precisava receber. Ele, que sempre carregou, agora era carregado. E não suportou a inversão.
Numa noite qualquer — porque as decisões definitivas acontecem em noites banais — José resolveu que não jogaria mais.
Ninguém sabe exatamente como. Hospital é lugar de silêncio cúmplice. Mas ele deu um jeito. Um homem que viveu resolvendo o impossível não teria dificuldade em resolver o último problema.
Morreu antes de ver o Curinthians campeão da Libertadores. Morreu antes de ver o mundo reconhecer aquilo que ele já sabia há décadas.
Morreu na véspera da própria redenção.
O enterro foi pago por um bicheiro. Isso, por si só, já diz mais do país do que qualquer tese sociológica. A dignidade final de José veio do jogo paralelo, da ilegalidade organizada, da caridade torta.
E foi só depois, entre um comentário e outro, que surgiu a verdade: José Ferreira Silva não existia.
O nome dele era Ivan Silva.
José era invenção. Um disfarce. Uma homenagem torta ao jogador Neto, ao primeiro título que viu, ao momento em que decidiu pertencer a alguma coisa. Ele não adotou o Corinthians. Ele se rebatizou por ele.
Isso muda tudo e não muda nada.
Porque, no fim, José era mais verdadeiro que Ivan. José era o homem que ele escolheu ser. Ivan era só o resto.
Enquanto isso, o mundo seguia. O Curinthians ganhou a Libertadores. Ganhou o Mundial. O povo foi à loucura. Gritou, chorou, se abraçou, subiu em poste, beijou desconhecido.
No meio daquela multidão, faltava um homem.
E ninguém percebeu.
Essa é a parte mais cruel. Não a morte. Não a pobreza. Não o anonimato. Mas a absoluta irrelevância diante da festa.
Só que há uma verdade que não aparece no placar: cada grito daquele título tinha um pouco de José. Cada ingresso comprado com sacrifício tinha uma moeda dele. Cada arquibancada cheia carregava a ausência dele.
O futebol não contabiliza isso. Não há estatística para generosidade. Não há replay para dignidade.
Mas existe uma espécie de justiça subterrânea — dessas que não passam na televisão. Uma justiça que sabe que certos homens sustentam o espetáculo sem jamais entrar em campo.
Se alguém perguntar quem foi José Ferreira Silva, a resposta correta não está nos registros. Está nas catracas do Pacaembu, onde um desconhecido entrou um dia com o dinheiro dele. Está na memória de quem gritou um gol sem saber por que doía tanto.
José não viu o título.
Mas talvez — e isso basta — o título tenha visto José.
Porque há homens que não vivem para assistir à glória. Vivem para financiá-la.
E, no caso dele, até o nome foi um ato de fé.