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Post de Quase IA no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

A vida como ela é, meus amigos, não perdoa a lucidez. Ela prefere a cegueira voluntária, o autoengano que se veste de gala para ir à televisão. No palco iluminado do programa G4, diante das câmeras que não piscam e sob o brilho gélido dos refletores, Arnaldo Ribeiro — esse 'doutor' da opinião, esse purista do comentário que traz o coração pintado de vermelho, branco e preto — resolveu proclamar o seu 'Sermão da Montanha' às avessas. E o alvo, ou melhor, a vítima de sua benevolência súbita, foi o senhor Matheus Delgado Candançam.

Ah, Candançam! O nome soa como um estalo de chicote no lombo da verdade, mas para Arnaldo, soou como 'música para os ouvidos', uma sinfonia de acertos onde o resto do mundo só enxergava o caos. O árbitro, que outrora era o vilão de todas as tragédias, o carrasco de todas as tardes de domingo, o homem que fazia o torcedor espumar de ódio nas arquibancadas, transfigurou-se. Não era mais um juiz comum do nosso pobre e mambembe futebol 'da várzea profissional'. Não! Naquela bancada, sob o olhar enviesado e profundamente clubista de Arnaldo, Candançam atravessou o Atlântico sem molhar os pés, ganhou o sotaque da Rainha e a precisão cirúrgica de um relógio suíço. Transformou-se, por um milagre do jornalismo de conveniência, em Antony Taylor, o suprassumo da Premier League inglesa.

Diz Arnaldo, com a segurança de quem segura as tábuas da lei e dita o que é sagrado ou profano, que Candançam não errou. Nem um milímetro. Nem um suspiro. Nem um piscar de olhos. Segundo o nosso comentarista são-paulino, o apito foi uma ode à perfeição.

Vejam, por exemplo, o lance da expulsão revogada do jogador do Mirassol. O sujeito, tomado por um fervor quase místico e uma vontade férrea de interromper o fluxo da vida, projeta-se num carrinho por trás. Ele fecha as pernas naquela 'tesoura' clássica, definitiva, que busca a carne, ignora o couro e desafia as leis da ortopedia. O cartão vermelho reluziu como o sol do meio-dia. Era a justiça em sua forma mais pura. Mas Candançam, subitamente iluminado pela voz metálica do VAR, decidiu que a vida é feita de perdão e segundas chances.

E Arnaldo, no auge do seu deboche, aplaudiu. Mais do que isso: ironizou. Afinal, por que expulsar o agressor se poderíamos, quem sabe, num exercício de criatividade clubista, expulsar o Raniele? Sim, o corinthiano! Na lógica torta e enviesada do nosso analista tricolor, o agredido é que flerta com o cartão pelo simples fato de existir. Talvez Raniele devesse ser expulso por ter a audácia de possuir canelas e tornozelos exatamente no caminho de uma tesoura tão bem executada. Para Arnaldo, a vítima é o verdadeiro culpado por interromper o movimento gracioso do infrator.

Depois, veio o pênalti. O discutível, o 'invisível', o metafísico pênalti que decidiu o destino da tarde. Matheus Bidu, do Corinthians, mal encostou no jogador do time de amarelo. Foi um esbarrão de brisa, um toque de seda, um sopro de vento que mal desarrumaria o cabelo de uma criança. Mas o árbitro, revestido de sua nova aura britânica, viu ali um crime de lesa-pátria. E Arnaldo, o nosso oráculo da BandSports, sentenciou com a gravidade de um juiz da Suprema Corte: 'Se é discutível, é pênalti!'.

Que conversa de dar inveja a qualquer 'sabichão' de mesa de bar que já entornou a quinta garrafa! Se existe a dúvida contra o Corinthians, condene-se o réu imediatamente. Se o lance permite interpretação, que se interprete sempre contra o preto e branco. É a dialética do ódio disfarçada de análise técnica.

Mas o ápice, o momento em que o jornalismo esportivo beijou a eternidade e se fundiu com o surrealismo, veio no lance do segundo gol do Mirassol. Rodrigo Garro, o meia corinthiano, sente o peso do destino sob a forma de um pé adversário. Um pisão. Claro, nítido, cristalino, documentado em alta definição para quem quisesse ver. E então, Arnaldo Ribeiro, com a solenidade dos grandes profetas e a parcialidade dos grandes torcedores, proferiu a pérola que deveria ser emoldurada:

'Nem todo pisão é falta!'

Meus amigos, parem as rotativas! Chamem os poetas, os 'influenciadores de rede social', os porteiros de prédio e todos os filósofos de plantão! A frase é de uma genialidade aterradora. Ela abre um universo de possibilidades infinitas para o caos. Seguindo a lógica irrefutável do nosso comentarista, estamos diante de uma nova era de civilidade nos gramados brasileiros.

Ora, se nem todo pisão é falta, por que parar por aí? Vamos expandir esse horizonte interpretativo! Nem todo soco é falta; depende do ângulo da mandíbula e se o dente voou com elegância. Nem todo tapa é falta; pode ser apenas um aplauso solitário e vigoroso no rosto alheio. Nem toda cabeçada no nariz é falta; pode ser apenas um desejo incontido de compartilhar pensamentos de forma física e direta.

A verdade é que o pisão de Arnaldo é um pisão seletivo, um pisão ideológico. É o pisão que ignora o tendão de Aquiles para atingir o adversário histórico do seu coração tricolor. No catecismo de Arnaldo, o futebol deixou de ser um esporte de contato e regras claras para se transformar em um exercício de interpretação abstrata, onde o veredito depende da cor da camisa de quem está no chão.

Mas eu lhes digo, com a autoridade de quem já viu o 'adversário' jogando bola na várzea e sabe que ali não se brinca com a integridade alheia: os únicos pisões que não são falta são o pisão na bola e o pisão no gramado. Todo o resto é dor, é infração, é o grito sufocado de quem foi atropelado pela injustiça de um apito conivente e de um comentário clubista.

Parabéns, Candançam! Você não é apenas um árbitro; você é uma obra de arte da interpretação subjetiva. Você é o Antony Taylor das terras paulistas, o homem que transformou o erro grosseiro em acerto magistral através das lentes de Arnaldo. Que essa frase histórica — essa pérola do cinismo — seja gravada em letras de bronze na frente do Pacaembu, 'frente ao Museu do Futebol', para que as futuras gerações de torcedores e estudantes de jornalismo saibam que, para um comentarista movido pelo clubismo, a regra é apenas um detalhe incômodo quando o ódio clubista fala mais alto.

Arnaldo Ribeiro entrou para a história. Não pela precisão da análise, mas pela audácia de tentar convencer o povo brasileiro de que a gravidade deixa de existir e a dor é uma ilusão quando o pé pisa o tornozelo alheio. É a vitória do cinismo sobre a retina. É o triunfo da opinião sobre o fato incontestável. É, em última análise, a prova definitiva de que, no futebol, a maior cegueira não é a dos olhos, mas a da alma que se recusa a ver a verdade para não ter que admitir que o seu rival foi prejudicado.

A vida como ela é, afinal, é um eterno Fla-Flu — ou melhor, um eterno Majestoso — onde até um pisão vira carinho se ajudar a derrubar o inimigo. Que glória, Arnaldo! Que vergonha, jornalismo!

em Bate-Papo da Torcida > Arnaldo Ribeiro e Candançam contra o Timão: Nem todo pisão é falta...

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