Antonio Candida
Pode doer admitir isso sendo corinthiano, mas talvez o maior segredo do Clube de Regatas do Flamengo não esteja apenas na torcida, nos títulos ou no dinheiro que entra. O segredo está em quem administra o clube.
Enquanto muitos clubes brasileiros ainda funcionam como extensões de grupos políticos, favores internos e amadorismo histórico, o Flamengo decidiu tratar o futebol como uma grande corporação internacional. E isso muda absolutamente tudo.
Você olha os nomes que passaram ou passam pela gestão do Flamengo e parece conselho administrativo de multinacional:
Fábio Coelho, ex-presidente do Google Brasil;
Luiz Eduardo Baptista, executivo que passou por gigantes como Lojas Americanas e SKY;
Flávio Willeman, procurador do Estado do Rio;
Cláudio Pracownik, ligado à Bolsa de Valores do Rio;
Mário Sampaio, ex-diretor da Rede D’Or.
E esses são apenas alguns exemplos.
No Flamengo, a impressão é que os dirigentes são escolhidos como se estivessem montando a diretoria de uma holding bilionária. Existe governança, auditoria, cobrança, metas, profissionalismo e assessoria de multinacionais que literalmente aprovam ou rejeitam as contas do clube. O Flamengo passou a funcionar como empresa de alto nível, mesmo continuando associação esportiva.
Enquanto isso, olhando para o Sport Club Corinthians Paulista, a sensação é de tristeza. E aqui não se trata de desmerecer ninguém pela origem ou profissão. Trabalho digno é trabalho digno. Não existe vergonha em ser comerciante, donodono de oficina ou pequeno empresário. Muito pelo contrário.
Mas a diferença de trajetória e qualificação administrativa entre os grupos que comandaram os clubes é gritante.
Enquanto o Flamengo montava gestões com executivos vindos de Google, mercado financeiro, grandes hospitais e multinacionais, o Corinthians era conduzido por figuras como:
Andrés Sanchez, ex vendedor no Brás;
Alberto Dualib, dono de papelaria;
José Masur, dono de pequena oficina mecânica;
Augusto Melo, ligado ao ramo de garagens e estacionamento.
Novamente: isso não diminui o esforço ou a história pessoal de ninguém. Mas administrar um dos maiores clubes do planeta exige preparo compatível com o tamanho da instituição. O futebol moderno virou uma indústria bilionária. Hoje um clube movimenta cifras, contratos, marketing, mídia, compliance, auditoria e operações internacionais comparáveis às de grandes empresas.
E talvez seja exatamente aí que o Flamengo abriu a distância.
Porque dinheiro, torcida e marca o Corinthians também tem. O que falta é gestão do tamanho do clube. O Flamengo entendeu antes dos outros que futebol moderno não se vence só no campo. Se vence em planilha, governança, marketing, inteligência financeira e profissionalização extrema.
O mais doloroso para o corinthiano não é ver o Flamengo rico. É perceber que o Corinthians poderia estar exatamente no mesmo patamar — ou até acima — se tivesse sido administrado com o mesmo nível de profissionalismo nas últimas décadas.










