Rodrigo Marques
Belo texto.
em Bate-Papo da Torcida > Lavieri e Mauro Cezar, o ódio disfarçado de opinião na perseguição...
Em resposta ao tópico:
A crônica, quando exercida por almas pequenas, torna-se um exercício de necropsia do vivo. Hugo Souza, o goleiro de mãos colossais, não enfrenta apenas o chute inimigo; ele enfrenta a má-fé que goteja das redações com a constância de uma goteira em dia de tempestade.
Vejam Danilo Lavieri. Há em Lavieri uma palidez de quem não suporta a ascensão alheia. É verdade, Hugo falhou no começo do ano — e quem, nesta vida de pecados e remorsos, não tropeçou nos próprios pés? Mas Lavieri ignora a redenção. O seu olhar não é de repórter; é de torcedor que se disfarça de analista para punir a regularidade que hoje brilha. Chegou ao desplante de dizer que Brazão, Rafael e Léo Jardim eram superiores ao rapaz, como se o talento pudesse ser medido por sua régua clubista e tingida de verde. É a desonestidade intelectual de quem usa o erro passado como chicote, tentando apagar a segurança atual com uma comparação descabida.
E Mauro Cezar Pereira? O profeta do rigor seletivo. Em Mauro Cezar, a crítica não é análise, é castigo. Ele carrega a mágoa do Rio de Janeiro como quem guarda uma nota promissória vencida, recusando-se a ver que o rapaz que falhou ontem é o muro que sustenta o hoje. Teve o cinismo de chamar Hugo de 'guia turístico', uma frase lapidada no veneno para diminuir o homem que atravessava o seu deserto. Para ele, a firmeza de Hugo Souza no Parque São Jorge é uma ofensa pessoal. Mauro vigia o goleiro com a paciência dos carrascos, desprezando a nova e cristalina sequência de defesas, esperando apenas o deslize para triunfar sobre o erro alheio.
Ambos, Lavieri e Mauro Cezar, se escondem sob o manto de uma imparcialidade que já apodreceu. Perseguem o rapaz com a volúpia de quem deseja o fracasso para salvar o próprio argumento, ignorando que o campo é o lugar da metamorfose. É o jornalismo de mágoa, onde a caneta serve apenas para decepar o mérito de quem, dentro de campo, mostra a coragem de se levantar. O povo, contudo, vê o que os olhos clubistas tentam esconder: Hugo Souza é a vida que se refez contra a tinta venenosa desses profetas do nada.