Valério Pinheiro
Futebol é business e você não pode agir na emoção. Vejo muita gente falando 'quer ir embora, vá' ou algo parecido. Muitos parafraseando o Andrés com o velho jargão 'Quando jogador quer ir embora, não adianta segurar'. Esse tipo de conversa fiada vindo de dirigente que está pensando na sua comissão eu até entendo. Mas da torcida não.
As pessoas querem agir na emoção, com base no ressentimento pelas declarações do jogador, mas precisam ser racionais, frios, sem se emocionar. O jogador é um ativo e deve ser visto como tal. Quer ir embora? Não é problema, desde que o clube seja devidamente remunerado na negociação.
A questão do Yuri é muito simples: O Corinthians só tem 45% dos direitos econômicos, que sofrerão ainda retenção de créditos para a conta garantia da Caixa. Então, dificilmente existirá proposta vantajosa para vender Yuri. Ele custou caro (3 jogadores + preferência do Pedro).
Não vejo ninguém pagando 20 milhões no Yuri hoje, mas se pagassem, o Corinthians receberia 9 milhões, pois seriam 10 milhões do Zenit e 1 milhão do André Cury. Desses 9 milhões, ainda tem descontos referentes à comissão de empresário e bloqueio da caixa para a conta-garantia da arena.
No fim, não sobraria 5 milhões de euros para o Corinthians. Vai fazer o que com 5 milhões de euros? Muda o que na situação do Corinthians?
Então, Yuri, se queria sair, não deveria ter renovado, pois o contrato inicial era de 5 anos e acabaria agora. Quando você renovou o contrato, visou o bônus (aumentar o salário), mas tem que arcar com o ônus também (ficar contratualmente preso por mais tempo).
Repito: a formatação da negociação, com 45% dos direitos econômicos para o Corinthians, inviabiliza qualquer negociação pelos valores que o mercado hoje pagaria no Yuri.

