José Oliveira
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em Bate-Papo da Torcida > Uma proposta concreta para o Corinthians pagar menos juros
Em resposta ao tópico:
Salve, Fiel!
Nesse últimos dias eu publiquei dois posts falando sobre o problema do dinheiro que o Corinthians desperdiça anualmente para pagar juros de dívidas. Agora eu gostaria de apresentar uma proposta concreta que vise fazer com que o clube gaste muito menos com essa questão.
Este texto vai ser mais direto na apresentação da proposta. Caso o leitor se interesse em saber mais dados, eu o convido a ler os dois tópicos anteriores: 'Dívidas do Corinthians têm juros de mais de 32% ao ano' e 'Baixar os juros das dívidas ajudaria muito o Corinthians (como ocorreu em outro clube)'
SOBRE A PROPOSTA
É importante esclarecer que não se trata de uma proposta para resolver todos os problemas do Corinthians, mas de diminuir os gastos que o clube tem com altos juros de dívidas, bem como facilitar o acesso a crédito para despesas de curto prazo.
A ideia não é colocar mais dinheiro no Corinthians. É fazer com que menos dinheiro saia dele na forma de juros.
Vejamos o problema: ao observar o balanço de 2025, nota-se que dívidas de curto prazo com instituições financeiras foram contratadas com juros que, em alguns casos, superavam 32% ao ano. Considerando que a taxa Selic estava em 15% ao ano (ou um pouco menos) quando essas dívidas contratadas, os juros são exorbitantes.
Considerando que o Corinthians é considerado um devedor de alto risco, os créditos que o clube consegue tendem a ser de bancos especializados nesse tipo de devedor. São bancos que cobram taxas de juros bem elevadas, visando compensar eventuais faltas de pagamento por parte dos seus credores, que já são previstas.
Vamos então à proposta em si:
Trata-se de criar uma linha de crédito para que o clube consiga pagar juros bem menores do que paga atualmente para créditos emergenciais. Quem financiaria essa linha de crédito seria a própria torcida do Corinthians. A ideia é o torcedor investir num veículo de crédito que emprestaria dinheiro ao Corinthians para substituir as dívidas com juros altos. Os torcedores passariam então a ser credores do clube.
GANHA-GANHA
Caso a ideia prospere, o Corinthians e o torcedor-investidor tendem a ganhar. O Corinthians ganha ao pagar juros menores do que paga normalmente. O torcedor, além de ajudar o clube a prosperar, ganharia um rendimento até maior do que em aplicações de renda fixa tradicionais.
Alguns números exemplificativos:
Digamos que o Corinthians contraiu um empréstimo numa taxa de 2% ao mês (algo que aconteceu bastante de acordo com o último balanço anual), A taxa que o Corinthians pagaria, seria de mais de 26% ao ano. Em outros termos, o clube pagaria uma taxa anual de CDI + 12,6% ao ano (considerando as taxas de juros atuais de 14,25%).
Uma linha de crédito de torcedores poderia cobrar do clube algo como CDI + 2% ao ano. O torcedor-credor poderia receber algo como CDI + 1% ao ano. A diferença estimada entre o que o clube paga e o que o credor recebe serviria para pagar os custos relativos à manutenção do veículo, auditoria regular etc.
de acordo com o balanço de 2025, esses empréstimos de curto prazo e altos juros corresponderam a mais de R$ 100 milhões de reais durante o exercício. Em caso de crédito com os juros mais baixos apresentados no exemplo, a economia anual seria de mais de R$ 10 milhões.
R$ 10 milhões por ano parecem pouco diante do orçamento do Corinthians. Mas essa economia viria apenas da substituição de uma pequena parcela das dívidas mais caras do clube. Caso essa substituição das dívidas mais caras seja bem-sucedida, é possível que uma linha de crédito a juros baixos se torne um instrumento financeiro permanente utilizado pelo clube e que pode se estender para substituição de outras dívidas futuramente.
PONTOS FORTES DA PROPOSTA
1. O mais óbvio é a economia que o Corinthians teria no pagamento de juros.
2. Para o torcedor-investidor, além de contribuir para o sucesso do clube, o investimento pode trazer taxas maiores do que outras aplicações de renda fixa. O valor usado como exemplo acima (retorno de CDI + 1%) está acima dos rendimentos de um CDB tradicional, especialmente se o investimento for de baixa monta por CPF, o que seria o esperado para o público-alvo de investidores.
3. Há potencial de captação de recursos. A vaquinha para pagar o estádio era composta de doações e superou os R$ 40 milhões. Neste caso, trata-se de investimento em que o torcedor terá seu dinheiro de volta após certo período, com juros. Os valores envolvidos, nessas condições, devem ser maiores.
4. A atenção sobre as contas do clube aumentarão. Vai ser muito mais difícil mascarar má gestão financeira com vitórias e títulos. O torcedor, que é também credor do clube, vai dizer 'Eu quero títulos, mas também quero meu dinheiro depositado na data combinada com o rendimento combinado'.
5. Caso exista uma linha de crédito mais barata e com regras claras, caberá à diretoria explicar a eventual opção por financiamentos significativamente mais caros. Como justificar pagar tanto de juros quando há uma oferta de crédito tão mais barata?
6. Este projeto pode servir de termômetro para outras propostas, como a SAFIEL. Caso haja boa adesão, pode-se ganhar um bom argumento para mudanças mais profundas no clube. Teríamos em mãos números concretos do que se pode arrecadar com micro-investidores no clube.
ESCLARECIMENTOS E RESSALVAS
1. O objetivo da proposta não é financiar déficits permanentes do clube, mas reduzir o custo de problemas temporários de caixa
2. O instrumento que vai servir para fornecer a linha de crédito deve necessariamente ser independente do clube, ter gestão profissional, ser transparente e ser auditado periodicamente (por isso existiriam os custos previstos para a sua manutenção).
3. As condições do investimento devem ser claras para o torcedor-investidor. Deve ficar claro que haverá prazo para retirada dos recursos, sob pena de haver perdas para o investidor; os valores dos rendimentos devem ser explicitados desde o princípio; e, principalmente, o torcedor deve estar ciente que se trata de um investimento de risco bem mais alto do que aplicações de renda fixa tradicionais.
4. O torcedor deve ser estimulado a investir uma pequena parte de seu patrimônio, em vista do risco do investimento. Talvez seja o caso de delimitar um montante máximo de aplicação por CPF (que poderia ser ultrapassado mediante comprovação de renda).
CONCLUINDO A PROPOSTA
Essa ideia, como vocês podem ver, foi objeto de bastante reflexão e uma pesquisa cuidadosa. Mas isso não quer dizer que esteja completa. Ideias complementares e ajustes são bem-vindos e necessários.
Eu não sou um profissional da área financeira. Logo, não tenho condições de levar essa proposta muito além do que estou fazendo aqui, que é apresentar a ideia. É preciso que ela chegue a profissionais que tenham conhecimento e disposição para encampar o projeto e colocá-lo em execução. Para isso, a divulgação e discussão aprofundada são necessárias.
Continuemos a conversar e buscar propostas que visem continuamente o sucesso do Corinthians.