Magno Amoreira
Como o holandês goza de prestígio em grande parte da torcida, vou começar falando de seus pontos positivos em sua passagem pelo Corinthians.
Memphis tem uma fortíssima ligação, conexão com a nossa torcida. Identificação. Apesar de ser uma pessoa abastada em bens materiais, se mostrou perto do popular. Interage com a comunidade, principalmente a paulistana e corintiana.
Também é um jogador histórico e midiático. E internacional. Traz certo holofote para o clube, e paralelamente para a imensa, intensa e fiel torcida.
Tem voz crítica dentro do clube. Parece estar longe de qualquer temor político ou contratual. Meio que 'se não me quiserem, mi voy'.
Mas não posso reputar à ele os títulos. Me desculpem. Seria como dizer que o Adriano ganhou o brasileirão pra gente. Memphis fez parte de uma reformulação no elenco. Essa reformulação louca de Augusto Melo, que trouxe dívidas, mas títulos. E sobre a qual pesa severas críticas ao EX (graças a Deus) dirigente.
Não é SÓ sobre quanto VAMOS pagar à Memphis. Mas também COMO vamos pagar o QUE JÀ devemos. Primeiro ponto. À qualquer salário que for combinado, será acrescido a dívida vencida.
Segundo ponto: seu rendimento. Não que ele não renda. O ponto é de proporcionalidade para o quanto ele CUSTA. Se seria alto para os clubes mais equilibrados, imagina para o nosso, que sangraram quase até a morte.
Já postei aqui, que uma das prioridades que elejo para o Corinthians é a contratação definitiva do Kaio César. E sim, a renovação do Memphis influencia. E não, não há como conciliar. Kaio tem passe fixado, é novo, pode dar retorno esportivo e comercial. É porque acostumamos a deixar para o últimos minutos e ver se vai dar certo, mas ao chegar no fim do empréstimo, podemos estar sem caixa e até perdê-lo para um rival.
Outro fator é a folha estar em dia. Quer ver craque virar perna de pau, não paga. Quer ver jogador mediano virar bom jogador, paga em dia. O coletivo é mais importante, e é o que traz títulos.
Parece que temos uma carência, de ídolos, de coisa grande, internacional, de foco, de status. Porque, hoje, do jeito que está, é inviável a renovação com o Holandês, a não ser nos moldes de Juninho no Vasco, que aceitou jogar quase de graça.
Acho que temos que manter em nossa memória a passagem de Memphis no clube. Foi uma simbiose tamanha. E deveria prosseguir, em circunstâncias normais.
A culpa não é do Memphis, não é nossa. É de diretorias vexatórias, danosas, rasteiras, e de uma leva de políticos que têm que serem extirpados da história do maior de todos.

