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Começou

O Corinthians negou prontamente a solicitação do Flamengo para alteração de datas da Copa do Brasil

Jhony Inacio / Meu Timão

A chave virou

Opinião de Beatriz Maineti

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Quem lê apenas o título deste texto pode achar que ele será sobre o campo e bola do Corinthians. E eu entendo! São cinco vitórias e apenas um único revés nos últimos seis jogos, com direito a duas classificações em duas copas diferentes e uma vitória retumbante contra o poderoso Flamengo. Mas não, este texto não é sobre o futebol jogado.

Este texto surge como um suspiro de alívio para um problema que, na minha mais sincera opinião, era muito mais antigo e latente do que as deficiências futebolísticas de uma equipe esportiva. A chave virou, sim, para o Corinthians dentro de campo, mas isso só foi possível porque, por muitos caminhos tortos, o mesmo tinha acontecido semanas antes dentro das reclusas salas diretivas do Parque São Jorge.

Na última quarta-feira, André Rizek, apresentador de programas esportivos da Globo/SporTV, deu a notícia de que o Flamengo, que será o adversário do Corinthians na semifinal da Copa do Brasil, queria mudar a data da disputa por uma vaga na grande decisão da competição. A solicitação, segundo ele, viria porque a equipe carioca projeta um alto número de convocações para seleções sul-americanas durante a Data Fifa, que antecede o segundo jogo da fase classificatória. Assim, eles não teriam o time completo para a competição que priorizam.

A ideia da diretoria flamenguista era, na teoria, bem simples: queriam adiantar o jogo contra o Fluminense, que deve acontecer dia 20 de outubro, para o dia 17, data base da semifinal da Copa do Brasil, e jogar com o Corinthians no final de semana. Para eles, a estratégia é perfeita! Disputariam o clássico desfalcados, mas visitariam o Timão com a equipe completa. Era o plano perfeito!

Mas era o plano perfeito única e exclusivamente para o Flamengo. Ao contrário do que se pode imaginar, o Corinthians também deve ter jogadores convocados, como Félix Torres, José Martínez e, quem sabe, Rodrigo Garro. Também ao contrário do se imagina, apesar das classificações para as semifinais da Copa do Brasil e da Conmebol Sul-Americana, a prioridade do clube paulista é a disputa contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Ou seja, caso aceitasse a proposta infame dos cariocas, o Timão jogaria desfalcado na sua competição principal para facilitar a competição principal do adversário.

Diante da lógica desvantagem que seria aplicada ao Corinthians, a diretoria se manifestou. Na última quarta-feira, o Meu Timão já havia noticiado, após apuração, que o clube não estava interessado nessas mudanças. Na quinta-feira, veio o anúncio oficial. Sem precisar ser formalmente procurado e sem deixar que o assunto se alongasse, o Timão respondeu ao pedido do Flamengo com um sonoro, retumbante e (principalmente) público “NÃO”.

Em dado momento da história recente do Corinthians, inclusive nesta atual temporada, o coração do corinthiano teria batido diferente ao se deparar com a notícia. Infelizmente, o clube parecia ter se acostumado a ceder para agilizar o lado alheio e, consequentemente, se prejudicar.

Não faz muito tempo assim, diante do próprio Flamengo, que a diretoria corinthiana aceitou ceder quatro mil lugares da Neo Química Arena para a torcida adversária por um “acordo de cavalheiros” que visava colocar mais torcedores visitantes na casa corinthiana e também no Maracanã para a decisão das quartas de final da Conmebol Libertadores de 2022.

Na teoria, parecia um conto de fadas ter mais corinthianos no Rio de Janeiro, mas uma coisa é 10% de ocupação no Maracanã, e outra é 10% de ocupação na Neo Química Arena. Não precisava ser um experiente e renomado matemático para entender que a capacidade de ocupação dos estádios não deixaria tudo em pé de igualdade como pretendia o então presidente do Corinthians, Duílio Monteiro Alves.

O erro foi corrigido e o Corinthians parece ter aprendido com os seus próprios erros. A diretoria decidiu por não negar só nos bastidores, deixar a situação na mão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ou tratar disso diretamente com o Flamengo pelo bem da boa relação. Antes mesmo da oficialização de qualquer proposta de alteração, o clube divulgou uma nota se opondo veementemente a essa situação. Agora, caso a decisão seja favorável ao pedido esdrúxulo dos cariocas, a responsabilidade ficará por conta de quem a tomou e, obviamente, será passível de protestos mais incisivos.

Não se omitir em situações prejudiciais ao clube é um importantíssimo passo na reestruturação de um time de futebol que há muito foi abandonado pelos seus dirigentes. É claro que essa não é a aprovação definitiva e infinita de uma gestão que, ao longo dos últimos meses, tropeçou mais vezes do que o esperado nas próximas pernas. É, porém, a afirmação de que acertos estão sendo propositalmente cometidos.

Grande parte disso vem da reformulação feita a partir de uma reformulação. Desde a chegada de Fred Luz, Leonardo Pantaleão, Fred Silveira e até da adaptação de Fabinho Soldado, os gestores alvinegros têm tomado decisões mais assertivas na condução de um Corinthians que, por si só, está em reconstrução.

Agora, é preciso que o posicionamento do Corinthians gere precedentes e que erros como os anteriores não voltem a ser cometidos. O clube se posicionou de maneira firme e bem colocada antes mesmo que o caos fosse criado em torno de um assunto que não deveria, em circunstâncias normais, ser trazido à superfície.

Me surpreende que o Flamengo sinta-se tão à vontade para propor uma mudança tão egoísta quanto essa. Mas me surpreende mais ainda, e de forma muito positiva, que o Corinthians, de prontidão, tenha negado qualquer avanço.

A chave virou no Parque São Jorge e os efeitos podem ser sentidos no CT Joaquim Grava. Consequentemente, a torcida pode senti-los na Neo Química Arena e em todos os outros estádios que o time tem visitado. Não se faz nenhuma reformulação sem que a parte diretiva seja a primeira coisa a mudar. Para que o Corinthians volte a ser protagonista no cenário nacional, precisa liderar sua própria história, e a decisão de Augusto Melo de se manifestar de forma tão pontual é um bom primeiro risco no papel.

Veja mais em: Augusto Melo , Diretoria do Corinthians , Corinthians x Flamengo e Copa do Brasil .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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