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Coluna do Juliano Barreto
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Se Conselho fosse bom...

Faixas de protesto penduradas pela Gaviões da Fiel

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Que barulho acordou as ratazanas do Conselho?

Opinião de Juliano Barreto

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Aos 12 anos eu n�o conhecia a palavra �curriola�. Hoje, penso que nunca vi uma ilustra��o melhor do termo do que na �poca em que assistia aos conselheiros do Corinthians entrando de gra�a, � base de carteirada, no Pacaembu.

Mesmo nas beiradas do Tobog�, dava para ver a movimenta��o intensa daquela gente que chegava pelos port�es da Rua Capivari cercada de agregados e, com ares de autoridade, ia coagindo os funcion�rios do est�dio at� chegar nas numeradas.

Eu n�o sabia o que era curriola, mas eu sabia o pre�o do ingresso.

Vi essa situa��o injusta se repetir em todos os jogos ao longo dos anos, e desde cedo criei essa imagem de desconfian�a a respeito daquelas pessoas que se serviam do Corinthians em vez de servir o Corinthians. Isso faz bem mais de 20 anos, e minha opini�o sobre o papel do Conselho no Corinthians apenas se confirmou e piorou.

Sempre leio com espanto que depois de um ano cheio de esc�ndalos, a maioria dos 300 conselheiros invariavelmente aprova as contas do clube.

As d�vidas v�o aumentando, mas a gastan�a desenfreada nunca para. Porque pararia se quem est� l� para fiscalizar est� tamb�m traficando influ�ncia? De forma descarada, o Parque S�o Jorge serve de balc�o de neg�cios para troca de favores por votos e oportunidades de lesar o Corinthians em benef�cio pr�prio. As picaretagens do 'baixo clero' que antigamente s� eram investigadas no Blog do Paulinho, j� alcan�am valores e se assemelham a crimes que justificam reportagens no Cidade Alerta.

S� duas situa��es, por�m, perturbam o fluxo de negociatas e neglig�ncia do Conselho. A primeira, acontece nos anos de elei��o presidencial, quando figuras que sugam o Corinthians por d�cadas posam como defensores do clube e at� brincam de ser situa��o e oposi��o enquanto disputam acesso aos pequenos poderes dispon�veis.

A segunda, vem quando resultados ruins em campo se acumulam a ponto de chamar a aten��o da torcida para a facilidade com que o clube � saqueado sistematicamente sem nenhuma consequ�ncia negativa para os envolvidos. Nessas fases bicudas, sempre sobra primeiro para o t�cnico, depois alguns atletas viram os grandes culpados, e persistindo o fracasso em campo, a crise transborda para a diretoria e, claro, para o presidente.

� s� quando todos esses �bois de piranha� est�o devidamente devorados que a torcida e a imprensa se lembram de algo muito elementar: se existem conselheiros, comiss�es, estatuto e o escambau, como ningu�m � responsabilizado por lesar os cofres do clube? Como dirigentes que transformaram calotes e processos judiciais em rotina podem ser eleitos e reeleitos por anos e anos, sempre com contas aprovadas? Como o Corinthians entrar� em campo com um time competitivo se � sabotado a todo momento pelos pr�prios dirigentes?

A essa altura, adianta apenas trocar de t�cnico, protestar contra a diretoria, ou propor impeachment de presidente? Tudo isso � necess�rio, mas n�o � suficiente. A atual crise traz uma grande oportunidade de responsabilizar os conselheiros pela cumplicidade com os presidentes que destru�ram o clube dentro e fora de campo.

Em 2024, com um caos in�dito mesmo para um clube que sempre sobreviveu em meio � incompet�ncia e desonestidade, a torcida e a imprensa j� fizeram barulho suficiente para acordar as ratazanas. Agora � hora de questionar as raz�es que fizeram 133 conselheiros votarem a favor da aprova��o das contas da gest�o Du�lio em 2023. � hora tamb�m de questionar os 82 que votaram contra em 2024. Sabe por que?

As contas de 2022 foram aprovadas com apenas 53 votos contra.
As contas de 2021 foram aprovadas com apenas 7 votos contra.
As contas de 2020 e 2019? Foram aprovadas ao mesmo tempo, mesmo depois de uma reprova��o inicial das contas de 2019, e o Meu Tim�o at� listou quem votou contra e � favor.

Veja mais em: Impeachment , Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Entrar no Pacaembu para assistir Corinthians x Novorizontino no Paulista de 93 mudou sua vida para sempre.

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