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Mosaico da Arena Corinthians, em 2015, em alusão à cena icônica de Tite no Mundial de 2012

Agência Corinthians

Paraisópolis e Corinthians: onde está a favela?

Opinião de Lucas Faraldo

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Sou defensor de clubes de futebol, pelo alcance popular que têm, entenderem seu papel social seja como prestador de serviços, fomentador de campanhas ou porta-voz do povo para cobranças principalmente do ponto de vista social. O Corinthians costuma fazer isso bem.

Não é um dever institucional muito menos legal. Mas é moral. A iniciativa de transformar a Arena Corinthians no primeiro estádio de futebol do Brasil inclusivo a autistas é exemplo de como essa mentalidade é benéfica para todos – os óbvios beneficiados e o próprio clube.

E se semana passada aqui estava elogiando a atitude do Corinthians diante da urgência pela inclusão de pessoas do Transtorno do Espectro Autista, agora me surpreendo negativamente com o silêncio do clube em meio à comoção popular pela tragédia de Paraisópolis.

Paraisópolis, na Zona Sul, é a maior favela de São Paulo. São cerca de 50 mil habitantes (uma Arena Corinthians mais que lotada, para fins de ilustração por aqui). Nove jovens morreram por lá pisoteados no último fim de semana após operação policial num baile funk.

Nove vidas que poderiam, horas adiante, estar sintonizadas em frente à televisão ou ao rádio acompanhando o jogo entre Corinthians e Atlético-MG do último domingo, por exemplo.

A população clama por justiça. As autoridades dizem investigar o que aconteceu – mas já defendem a ação da PM, como afirmado pelo governador paulista, João Dória, antes mesmo de qualquer conclusão do inquérito aberto pela corregedoria da polícia. Nas redes sociais, circulam vídeos da abordagem policial gravados por moradores de Paraisópolis. O apresentador César Tralli e outros jornalistas da Globo assinaram reportagem revelando que um chamado de socorro do Samu às vítimas do pisoteamento foi cancelado por um policial.

Como já dito acima: o Corinthians não tem obrigação alguma ou relação direta qualquer com a tragédia de Paraisópolis. Assim como não tinha, mas não deixou de se posicionar, nos recentes casos do incêndio do Ninho do Urubu, do rompimento de barragem em Brumadinho, da morte de Boechat, do massacre de Suzano, das queimadas amazônicas, das vítimas do nazismo e de outros tantos episódios fatais não só no Brasil como em todo o mundo.

E se "a favela está aqui", como mostrou Tite ao mundo há sete anos, por que não se posicionar publicamente diante da tragédia de Paraisópolis? Seja mensagem em tom crítico cobrando explicações e investigações sérias das autoridades, seja em apoio às famílias e aos amigos das vítimas fatais. Show de bola seria juntar tudo num posicionamento só, no que seria um golaço. Importante, porém, como num jogo de futebol, seria ao menos não passar em branco.

É lindo (e relativamente fácil) o Corinthians se entender como time do povo e homenagear a favela quando as milhares de vielas que separam barracões por todos os cantos de São Paulo estão em festa graças a um gol, a uma vitória ou a um título do próprio Corinthians.

Mas mais bonito (e necessário) é se fazer presente não quando é o clube que precisa do apoio do povo da favela, mas sim quado o povo da favela é quem precisa do apoio do clube.

É festa, é festa na favela
É festa, é festa na favela
É festa na favela, alegria do povão
Chegou o grande dia, vai para cima Coringão

Está chegando a hora dessa zica acabar
E ganha esse jogo pra fiel comemorar
É festa, é festa na favela
É festa, é festa na favela

Veja mais em: Torcida do Corinthians e Ações sociais do Corinthians .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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  • Comentários mais curtidos

    Christian Moreira #6.099

    O que tem haver Corinthians com Paraisópolis, foi uma infatalidade, causada por erros humanos, agora Corinthians tem nada haver, como sempre você me surpreendeu dessa vez, em bostejar mais ainda, parabéns..

  • Daniel Alves

    Você por acaso já pensou em responsabilizar os organizadores do baile? Neste tipo de local só a drogas a rodo, bebidas e irresponsáveis que atormentam a toda vizinhança com suas músicas vulgares! S´quem vive em uma comunidade sabe o inferno que se tornou estes bailes funk!

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  • Todos os comentários (122)

    Azrael Mathaus #6.991

    Se estivessem em casa dormindo, ou em algum evento que não estivesse sendo organizado e controlado pelo crime organizado não teriam morrido...'quem planta chuva colhe tempestade'.

  • Antonio Junior #100

    Caro Lucas eu discordo de sua opinião aqui não cabe nenhuma intervenção do clube ou manifestação até porque ninguém sabe ao certo quem está (certo ou errado) e na minha opinião o clube errou ao se manifestar a favor de uma das famílias trazendo-os a Arena para assistirem o jogo contra o Flu, e que foi mero cunho Politico contra o Governo atual que Futebol e Politica não deveriam se misturar, primeiro não tenho nada contra os que faleceram mas convenhamos nesses Bailes FUNK, PANCADÃO o que mais rola é trafico de drogas, prostituição ao céu aberto, meliantes que ostentam carros luxuosos que foram furtados ou seja o que fazia um garoto de 17 anos num lugar como esse até as 2/3/4 hs da manhã, agora os PM que passam a ser os vilões velho ditado (me diga com quem andas que direi quem és tu)

  • Anderson Ferreira #7.287

    Porra... Mais politica? Não tem que se envolver em politica não... Faça suas ações sociais como tem feio muito bem... Apenas isso

  • Luiz Sanchez

    Triste tentativa, num mundo onde se vive uma total inversão se valores pseudo jornalistas escrevem essas merdas. O problema, com pesar pelas vidas perdidas é muito maior. Fica a pergunta, porque da ação policial?
    Pergunte a quem mora na comunidade o que acha dos bailes..

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