O tumulto causado por torcedores no desembarque da delegação do Corinthians na noite do último domingo, no Aeroporto de Guarulhos, repercute no elenco nesta segunda-feira. Assustados com o tom das cobranças, parte dos jogadores se questiona e critica entre si sobretudo o que identificou como falhas no esquema de segurança do clube.
No elenco do Corinthians, questiona-se o porquê de algumas estratégias de segurança não terem sido adotadas. Solicitação de reforço policial e embarque no ônibus direto na pista do aeroporto foram citadas ao Meu Timão como alternativas no entendimento de alguns atletas.
O clube foi procurado e informou via assessoria que "quando a delegação pousou, não havia torcedores no saguão e o aeroporto não comunicou algo diferente porque estava tranquilo."
Jogadores também se surpreenderam diante da facilidade de acesso dos torcedores a informações como portão e horário do desembarque. Procurada pela reportagem, a Gaviões da Fiel explicou que basta olhar o horário da ponte aérea nas informações divulgadas pelo próprio aeroporto e, ao identificar o ônibus estacionado, supor por qual portão sairia a delegação.
Independentemente da logística, o incômodo dos jogadores, óbvio, também se dá com o tom das cobranças dos torcedores. O elenco se assustou com a forma como Cássio foi cobrado. Vídeos mostram o goleiro sem reação, cercado por seguranças e torcedores e sendo empurrado para dentro do ônibus. Segundos antes, jogadores, torcedores e seguranças foram flagrados correndo pelo saguão - veja o vídeo acima.
Apesar de as imagens da TV Gazeta e das redes sociais não mostrarem com detalhes, Gabriel também foi um dos atletas mais cobrados. "Ameaçaram feio" o volante, segundo um dos relatos ouvidos.
Os jogadores também tiveram receio de a confusão se transformar numa pancadaria generalizada em meio a outros passageiros e funcionários do aeroporto.
A reportagem recebeu mensagens de alguns jogadores do Corinthians que dão o tom do clima no elenco no dia seguinte ao desembarque: eu acho isso inaceitável, imagina pras famílias em casa, sinistro, isso não tem cabimento, esquecem que são homens do outro lado também, foi tenso.
Em respostas nas redes sociais, a Gaviões alega não ter havido agressão física.
O Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, via nota oficial, anunciou mais cedo que solicitará abertura de inquérito para apuração do caso .
"Precisamos deixar claro algumas coisas. Quem tem que zelar pela segurança do trabalhador é o empregador, ou seja, o Corinthians. O clube que tem que tomar as providências", disse Rinaldo Martorelli, presidente da entidade, à Gazeta Esportiva.
Mais cedo, o Corinthians, por nota oficial, lamentou o tumulto no aeroporto e ressaltou "que sempre zelará pela integridade física de atletas e funcionários". O clube ainda disse que "o momento pede tranquilidade, trabalho e responsabilidade conjunta. Temos plena confiança no grupo de jogadores (...) Confiamos que a resposta necessária será dada em campo."
O próximo jogo do Corinthians é quarta-feira, contra o Bahia, na Neo Química Arena. Derrotado domingo para o Fluminense, no Maracanã, o time está empatado em número de pontos com o primeiro colocado da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.