Na noite da última quinta-feira, Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, rasgou o verbo sobre o caso Vai de Bet. Em entrevista ao podcast Alambrado Alvinegro, o dirigente revelou rusgas com Augusto Melo, destacou as irregularidades e controvérsias e disse que não vai esquecer da possível fraude contratual do caso Vai de Bet.
“Aconteceu o seguinte, vazou… Tô falando o que a imprensa diz... Cassundé é o sócio da empresa ‘Rede Social’ que intermediou. O Cassundé, diz a matéria, assume, confessa que não fez porcaria nenhuma de intermediação e foi ‘agraciado’. Nação corinthiana, o Corinthians, o clube que deve uma fortuna pra um monte de gente… R$25 milhões a gente contrata um puta dum centroavante”, iniciou Mendonça, veementemente.
“O que você precisa mais? A autoridade policial está investigando, tá investigando pra onde foi o dinheiro, quais crimes foram cometidos, pra onde chegou, a mando de quem… Tá fazendo um belo trabalho, o Ministério Público se tiver crime vai denunciar, a Justiça vai julgar… Mas nós temos uma suposta confissão que há uma fraude contratual, que o Corinthians tá sendo lesado, e tá tudo bem? ‘Ah vamos ganhar um título amanhã, vamos sair da zona de rebaixamento’. Não tá tudo bem gente. O Marcelo Mariano continua no 5º andar como se tudo estivesse uma maravilha, como se ele não tivesse feito nada, como se ele não tivesse descido no 4º andar e mandado pagar duas notas com a justificativa, com a preocupação”, falou de maneira ríspida.
O vice-presidente ainda afirmou que a justificativa para que
Marcelo Mariano
(diretor administrativo do Corinthians) transferisse o valor da intermediação para a Rede Social Media Design LTDA -
que repassou parte à outra empresa supostamente ‘laranja’
- foi de que a empresa intermediadora precisava comprovar o recolhimento de impostos. Porém, segundo Mendonça,
Alex Cassundé - empresário sócio da Rede Social Media Design LTDA
- não comprovou esse recolhimento de impostos.
Ele revelou também que o confronto contra Augusto Melo, que assinou o contrato da patrocinadora como presidente do clube, gerou conflitos. Segundo Mendonça, o presidente contou duas versões da história do caso e elas se contradizem. Em uma, Sérgio Moura (ex-superintendente de marketing do clube) teria trazido o contrato ao clube. Em outra, o próprio presidente havia conversado diretamente com a Vai de Bet.
“O presidente Augusto Melo, o presidente da Vai de Bet e o Alex Cassundé assinaram um contrato. Isso daqui lesou o Corinthians. Faziam tudo de portas fechadas, três pessoas. Se você falar que o financeiro sabia dessa informação, é mentira . Quem fez toda essa negociação do colchão (permuta com o Grupo Gazin) foi o ‘supra sumo’ do marketing Sérgio Moura . Se você falar mal do Sérgio Moura pro Augusto Melo, você vira inimigo.Eu fui cobrar do Augusto Melo. Sérgio Moura, não foi afastado, pediu licença do cargo”, disse Mendonça.
“Olha o absurdo, preciso falar: ele (Sérgio Moura) ainda faz parte do grupo de diretoria do whatsapp. Aí eu perguntei pro presidente ‘qual foi o patrocínio que ele trouxe?’. Sem ser o colchão que é uma palhaçada, brincadeira, gozação. Sabe o que ele (Augusto Melo) falou pra mim? Eu fiquei surpreso, porque numa reunião que nós tivemos com conselheiros da oposição ele contou outra história. Ele (Augusto) falou pra mim: ‘o contrato da Vai de Bet’. Até então a informação era outra… Ele estava negociando com outras Bets, um dia ele chegou no 5º andar e estava a Vai de Bet lá. Aí você fala, como que eu vou acreditar? Qual é a versão? A que o Sérgio Moura trouxe (o contrato) ou a que ele chegou no 5º andar e estava a Vai de Bet lá?”, disse
em tom de decepção.
Por fim, o dirigente ainda cobrou o trabalho do Conselho Deliberativo, que tem como presidente Romeu Tuma Júnior. Isso porque, o Conselho aprovou um regime interno de transparência e zelo de imagem ao clube, mas para Armando Mendonça, não há cobranças impetuosas sobre o caso Vai de Bet. Mendonça concluiu dizendo que “podem cortar credencial, podem fazer o que quiser”, porém como vice do Corinthians, ele não vai “deixar quieto” o caso até que a Justiça faça seu trabalho.