Nesta quinta-feira, o presidente do Corinthians, Augusto Melo, foi indiciado pela Polícia Civil no inquérito relacionado ao caso VaideBet. Poucas horas depois, Vinicius Cascone, diretor de negócios jurídicos do clube, falou com o Meu Timão e apresentou a versão oficial do Corinthians.
Além do presidente, Sérgio Moura, ex-superintendente de marketing, Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo, e Alex Cassundé, intermediário no contrato com a ex-patrocinadora, também foram indiciados. Yun Ki Lee, ex-diretor jurídico, ainda não teve a situação definida.
"A gente vê com tristeza esse indiciamento. Não é uma notícia positiva, é um fato negativo para a instituição Corinthians [...] Isso é uma situação que preocupa, claro, porque aumenta a instabilidade política. A gente tem que pensar na instituição sempre, em todos os momentos, diante dessa crise que a gente vem vivendo já há algum tempo, uma crise política", começou dizendo.
"Eu sempre venho pensando na instituição e, em todos os atos que tomo aqui, sempre penso no compromisso de manter a instituição funcionando. O Corinthians precisa seguir, independente desse indiciamento. É claro que o Corinthians sempre foi a vítima de toda essa situação, então não posso, em momento algum, responsabilizar a entidade por eventual conduta que tenha acontecido. Mas é claro que o fato em si acaba expondo a imagem do Corinthians", complementou.
Vinicius Cascone conversou, por telefone, com Augusto Melo para tratar do indiciamento no caso VaideBet, nesta quinta-feira. Segundo o diretor jurídico, o presidente se mostrou chateado com o ocorrido e discordou da conclusão do inquérito policial.
“Eu conversei com o presidente quando tomei ciência do caso. Eu não estava em São Paulo, tinha voltado para Campinas. Ele se disse tranquilo, embora triste com o acontecimento. Disse para mim que não concordava com a conclusão do inquérito, que não tem qualquer relação com esses fatos - ele já havia me informado isso anteriormente", comentou Cascone.
"Também afirmou que vai exercer o direito de defesa e demonstrar que não tem qualquer ligação com a acusação feita pelo delegado no indiciamento. É um direito dele, e ele tem todo o direito de se posicionar dessa forma, além de lutar para provar sua inocência", continuou.
Renúncia de Augusto Melo?
O diretor jurídico evitou comentar sobre uma possível renúncia do presidente Augusto Melo em razão do indiciamento no caso. Segundo ele, manifestar qualquer opinião sobre o tema ultrapassaria sua função institucional e se configuraria como um posicionamento político.
“Eu estaria saindo da qualidade de diretor jurídico e partindo para uma opinião política. Eu não quero, mais uma vez, expor o Corinthians. Acho que quem ocupa os cargos de direção da entidade precisa ter responsabilidade e defender a instituição. Então, diante disso, não posso me posicionar politicamente sobre o que vai acontecer, porque realmente estaria saindo da posição institucional e partindo para uma posição pessoal", comentou.
"E eu acho que o que a gente precisa aqui no Corinthians é um pouco de equilíbrio. As pessoas precisam defender a instituição, e eu vou até pedir desculpas aos seus espectadores, a vocês, por não me posicionar pessoalmente, para que não haja confusão entre a posição e a qualidade com que estou aqui, que é a de defender o Corinthians neste momento", completou.
Qual é o próximo passo?
O caso segue agora para o Ministério Público, que avaliará a possibilidade de abrir uma denúncia formal contra os envolvidos no inquérito. Cascone afirmou que o clube acompanhará de perto o desenrolar das investigações, com o objetivo de preservar os interesses da instituição.
“Neste momento, continuamos aguardando a continuidade do processo, que seguirá para o Ministério Público, evidentemente, para que faça a denúncia ao juiz. O Corinthians vai continuar acompanhando esse inquérito, pelo menos enquanto eu permanecer na diretoria jurídica. Com certeza, qualquer diretor jurídico que estiver no clube acompanhará o inquérito, sempre buscando preservar os interesses do Corinthians, independentemente das pessoas", disse.
"Sempre digo que estamos de passagem pelo Corinthians. As pessoas que estão ou já estiveram na administração estão sempre de passagem. O que vale aqui é a defesa da instituição. Quem estiver no cargo deve sempre preservar o Corinthians. É isso que eu queria dizer para vocês, e pedir calma para a torcida, para os associados do clube, e que mantenham a cabeça fria", continuou.
E a votação de impeachment?
Na próxima segunda-feira, a partir das 18h, no Parque São Jorge, o Conselho Deliberativo do Corinthians realizará a votação do pedido de impeachment contra Augusto Melo. Cascone ressaltou a importância do direito de defesa do mandatário neste momento decisivo.
“Nós temos uma votação importante em relação ao processo de afastamento do presidente. Ele vai ter a oportunidade de se defender também perante os conselheiros. Então, eu espero que a gente possa ter uma sessão tranquila, na qual a defesa possa exercer o seu direito, os conselheiros possam respeitar o exercício desse direito, e eu tenho certeza que o conselho deliberativo vai tomar uma decisão após ouvir a defesa", disse.
"É claro que a gente tem que respeitar sempre as decisões dos órgãos internos do clube, e eu respeito muito isso, respeito o conselho deliberativo e aguardo aí os encaminhamentos da segunda-feira", complementou Cascone.