Na manhã deste sábado, o presidente interino do Corinthians, Osmar Stabile, concedeu entrevista e comentou temas relevantes que envolvem o clube nos bastidores. O dirigente abordou a investigação aberta pelo Ministério Público de São Paulo na última quarta-feira para apurar o possível uso indevido do cartão corporativo do clube durante as gestões de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duílio Monteiro Alves (2021 a 2023) .
“O que eu sei do Ministério Público, que eu recebi, foi, dia 6, uma oitiva com o presidente (Romeu Tuma Júnior). A única coisa que eu soube a respeito disso foi que o Ministério Público entrou em contato com o presidente através do celular e solicitou uma oitiva. Nós vamos para a oitiva saber o que, na verdade, eles (MP) querem perguntar”, iniciou o mandatário alvinegro.
Stabile também citou o desaparecimento de documentos importantes no clube durante o episódio da invasão de Augusto Melo e seus apoiadores aos andares executivos do Parque São Jorge, no dia 31 de maio .
“Abrimos um boletim de ocorrência, todo mundo já tomou conhecimento, em referência do sumiço dos documentos lá do terceiro andar. No dia da invasão, eles (Augusto Melo e companhia) tiveram o primeiro acesso no terceiro andar e alguns documentos sumiram. Não dá para afirmar que foram eles que pegaram, mas a partir desse dia desapareceram. Cortaram as câmeras, não tivemos acesso para saber quem retirou os documentos aqui dentro do Corinthians", disse.
Stabile comentou sobre a polêmica fala do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que afirmou, em entrevista coletiva na última sexta-feira, que o clube alvinegro “precisa ser como o Flamengo” . O mandatário do Timão discordou da posição do dirigente, dizendo que o Corinthians precisa seguir buscando resolver as necessidades atuais da instituição.
"O Corinthians não quer ser time nenhum. O Corinthians é Corinthians. O que dá para fazer é um benchmarking com outros clubes, para tomar conhecimento, saber de que forma foi adotado lá. Acredito que o período lá atrás foi de uma forma, hoje deverá ser de uma forma completamente diferente, porque o mundo anda, o mundo se transforma. Nós precisamos, na verdade, saber qual é a necessidade do Corinthians. Tudo isso nós estamos trabalhando. para ver a necessidade. O que foi adotado lá atrás, pode ser que não funcione aqui na frente. Já tem outras necessidades agora", afirmou.
No próximo sábado, dia 9 de agosto, o clube realiza uma Assembleia Geral para definir a possível destituição definitiva do presidente afastado, Augusto Melo. Questionado sobre a expectativa, Stabile preferiu que a pergunta fosse direcionada aos sócios, que serão os responsáveis pela votação.
"Acho que é melhor você perguntar para o associado. Conversei com vários e percebi que a mudança foi drástica. O associado tomou conhecimento de tudo o que estava acontecendo na gestão, e acredito que ele vai vir e vai transformar. O Corinthians não pode continuar da forma que estava. Existem cinco impeachments rodando, é impossível permanecer assim", disse.
Ele também justificou o silêncio da gestão nos primeiros dois meses de crise. "Nós abaixamos a cabeça, não demos entrevista nos primeiros 60 dias, porque nós tínhamos muitos compromissos, muitas coisas que nós deveríamos cuidar antes de falar. Nós estamos cuidando", completou o mandatário interino.
Sobre o novo "Terrão"
O Corinthians inaugurou neste sábado um novo campo de grama sintética no Parque São Jorge . O piso foi pintado de laranja em referência ao tradicional Terrão, celeiro de craques do clube. Perguntado sobre a obra, Stabile evitou individualizar todo o processo realizado.
“Vamos parar com esse negócio de ‘eu fiz, eu trouxe’. Isso não resolve. O que resolve é dar sequência. Nós damos sequência a um trabalho que tinha sido realizado lá atrás (quando Augusto ainda era presidente). Eu participei da contratação da empresa quando era vice-presidente. O Alessandro, da Soccer Grass, é parceiro do Corinthians, não meu particular. É o terceiro campo feito por ele aqui", iniciou.
Segundo o dirigente, a obra estava paralisada por problemas financeiros e conflitos de agenda com o Salão Nobre, mas foi retomada após sua chegada à presidência interina.
“No dia que entrei (na presidência), a obra estava parada por problemas financeiros. A gestão chamou o Alessandro, sentamos com ele e falou: 'não abro mão das minhas datas que estavam pré-estabelecidas.' Fomos verificar, tinham alguns amigos que tinham passado as datas com alguns amigos. A gente tirou fora e voltou as datas, ele continuou trabalhando aqui e a gente vai conseguir inaugurar ainda hoje", finalizou o mandatário alvinegro.