Osmar Stabile respondendo pergunta da imprensa durante coletiva no Teatro do Corinthians

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Foto: Matheus Pogiolli / Meu Timão

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'Rito normal'

Presidente interino do Corinthians se diz favorável às expulsões de Andrés Sanchez e Duilio

Por Meu Timão

O Corinthians vive momentos turbulentos nos bastidores, especialmente no âmbito político. Nas últimas semanas, dois ex-presidentes, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, voltaram aos holofotes por supostas irregularidades financeiras cometidas durante seus respectivos mandatos.

Osmar Stabile, presidente interino do clube de Parque São Jorge, foi questionado sobre a possibilidade de expulsão dos dois ex-mandatários do quadro de sócios do clube. Vale lembrar que ambos integram o grupo de conselheiros vitalícios.

“O importante é aí levar, fazer o rito normal no Conselho Deliberativo, em virtude do que fez com o ex-presidente afastado. O ex-presidente afastado tentou na justiça voltar em todos os cantos e não conseguiu, por quê? Porque o rito foi muito bem feito, então não conseguiu. Eu acredito que deve ser levado para o Conselho Deliberativo. Se deve, tem que ser levado. Apesar de eu não votar, porque eu sou agora presidente, eu acredito que sim (votaria para a expulsão)", explicou Stabile em entrevista para a Rádio Bandeirantes, nesta sexta-feira.

Duilio Monteiro Alves, que comandou o clube entre 2021 e 2023, é acusado de uso indevido de recursos do Corinthians para fins pessoais. Uma reportagem do ge.globo revelou que Duilio teria gasto mais de R$ 80 mil em um único mês com o cartão corporativo. O ex-presidente, no entanto, nega as acusações e afirma que os valores são falsos.

Já Andrés Sanchez é investigado pela Comissão de Ética do clube por ter utilizado o cartão corporativo para despesas pessoais no valor de R$ 15 mil em 2020, durante seu último mandato, entre 2018 e 2020. Apesar de ter reembolsado o montante, novos extratos com gastos em destinos como Fernando de Noronha e Espanha vieram à tona recentemente, aumentando a pressão por uma punição.

Na última quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo iniciou uma investigação para apurar as supostas irregularidades financeiras envolvendo Andrés e Duilio.

Fim do cartão corporativo

Osmar Stabile não foi a única figura importante do clube a se pronunciar nesta sexta-feira. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, concedeu coletiva de imprensa na sede do clube e afirmou que irá sugerir o fim do uso de cartões corporativos pelas diretorias, durante a próxima reunião do Conselh o, marcada para segunda-feira.

O presidente interino também explicou que solicitou uma análise ao departamento financeiro do Timão para estudar alternativas mais seguras de pagamento, a fim de evitar uso indevido e ampliar a fiscalização sobre os gastos internos.

“Nós pedimos para que o departamento do Corinthians verificasse a possibilidade de a gente ter um outro tipo de cartão, um cartão daquele que você carrega, você carrega, por exemplo, a pessoa faz o planejamento. Ele poderá gastar, por exemplo, numa viagem de futebol, por exemplo. Você faz um planejamento antecipado, dizendo, 'vou gastar isso, isso, isso, vou levar tanto dinheiro’. Se for necessário, você carrega, ou você repõe de uma outra forma. Isso já está sendo estudado pelo departamento financeiro, e eles me disseram hoje que existe essa possibilidade de a gente cancelar todos os cartões corporativos, menos um, na verdade, que era o cartão onde você paga as taxas das federações, porque isso aí é obrigado a pagar com cartão corporativo naquele momento, então esse devemos manter, mas só para taxas. Nesse momento, até que a gente encontre outra sugestão da Federação Paulista, da CBF, da Conmebol e outras federações”, explicou.

Recentemente, durante coletiva de imprensa, Stabile também contou que a atual gestão interina não tem utilizado os cartões corporativos do clube. Os departamentos que eventualmente utilizam os cartões para despesas essenciais, como o futebol, devem prestar contas semanalmente à diretoria.

Política presidencialista e atuação dos conselheiros

Em outro trecho da entrevista, Stabile detalhou o funcionamento do sistema político do clube, apontando as dificuldades enfrentadas por conselheiros para corrigir erros das administrações anteriores, além de comentar o afastamento de Augusto Melo, após o rompimento do planejamento inicial de campanha.

“O sistema é presidencialista. E aí quando você entra em uma gestão, você entra com uma quantidade de conselheiros. E aí quando você entra com essa quantidade de conselheiros, tudo que vai votar, você tem uma quantidade de conselheiros lá juntamente com você. No caso, por exemplo, do próprio ex-presidente, que foi afastado recentemente, também tinha. Só que ao longo da administração dele, ele foi perdendo todos esses conselheiros. Que a gente tinha um planejamento inicial, com o qual eu participei, que a gente ia fazer as mudanças necessárias do Corinthians. E como elas não aconteceram, nós fomos nos afastando. Eu, por exemplo, fui candidato duas ou três vezes, tentando fazer as mudanças que eu gostaria de fazer, e eu estou tendo essa oportunidade agora. Eu acredito que com a ajuda de todos, a gente vai conseguir administrar o Corinthians de uma forma diferente agora do que foi feito antes. Eu disse há pouco tempo atrás, em outras entrevistas, que nós tínhamos no passado, eu acredito que nós sempre tivemos 120 maneiras de fazer alguma coisa, e já usaram 119. E tem uma para nós”, detalhou.

O futuro da presidência do Corinthians será definido no próximo sábado, dia 9 de agosto, quando os sócios participarão de uma assembleia geral que decidirá se o presidente afastado Augusto Melo será destituído de forma definitiva ou se reassumirá o cargo.

Stabile, por sua vez, descartou omissão por parte dos conselheiros nas últimas gestões e relembrou sua trajetória no clube como forma de exaltar sua experiência, usada no momento de crise institucional vivida nos últimos meses. O principal ponto apresentado pelo mandatário foi a implementação da biometria facial na Neo Química Arena.

“Olha, eu não acredito nisso, que tinha pessoas, por exemplo, eu nunca estive junto com a administração. Eu estive com a administração do Dualib. Eu saí em 2006, um ano antes dele sair. Conseguimos realizar bastante trabalhos, eu fiquei como vice-presidente de esporte terrestre, realizamos vários trabalhos, inclusive a grama sintética que nós fizemos, reformamos. O Dualib também foi tirado do comando do Corinthians também. Naquele momento eu fiquei até 2006 e ele saiu em 2007. Inclusive eu fui candidato também contra o, se não me engano, o Paulo Garcia na época e o Andrés", iniciou.

"Aprendi muito naquela gestão. Gostaria de colocar em prática algumas coisas que naquela época eu não conseguia colocar. E hoje eu estou com essa possibilidade, durante 60 dias aqui, nós estamos trabalhando muito para que a gente possa fazer algo que nós não conseguimos fazer no passado. Fazer algumas coisas que nós já fizemos agora, nós fizemos aí o reconhecimento facial, em 25 dias a gente conseguiu um negócio que estava parado praticamente. Nós acabamos quebrando o contrato da empresa que tinha sido contratada. Uma empresa que iria gastar R$ 400 mil por mês durante um ano, ela daria R$ 4,8 milhões durante cinco anos seria R$ 20 milhões que nós íamos gastar. Nós conseguimos trazer isso para custo zero. Fizemos lá dentro do Corinthians com quem estava lá. O resultado foi muito bom, nós tivemos 0,5% de defeito no primeiro jogo, 0,3% no jogo e 0,02% no último jogo. Teve uma quantidade de pessoas lá dentro da Arena muito grande, um total de 45 mil, e nós não tivemos muitas dificuldades”, finalizou.

Vale lembrar que, caso a destituição de Augusto Melo seja confirmada, será realizada uma nova eleição interna, com voto exclusivo dos membros do Conselho Deliberativo. Assim, Osmar Stabile poderá se candidatar a um mandato tampão e já manifestou interesse em concorrer.

As chapas deverão apresentar um presidente e dois vice-presidentes, seguindo os critérios estatutários: o candidato ao cargo máximo precisa ser conselheiro vitalício ou ter sido eleito conselheiro pelo menos duas vezes. O mandato seguirá até o fim de 2026, data prevista originalmente para o encerramento da gestão de Augusto Melo.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Osmar Stabile, Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.

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