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Oitava audiência sobre reforma do estatuto ocorreu nesta quinta-feira no Parque São Jorge

Oitava audiência sobre reforma do estatuto ocorreu nesta quinta-feira no Parque São Jorge

Daniel Keppler / Meu Timão

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Órgãos internos

Audiência no Corinthians discute funcionamento dos Conselhos Fiscal e de Orientação

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Na noite desta quinta-feira, o teatro do Parque São Jorge recebeu a oitava audiência pública das dez agendadas para debater o texto do anteprojeto de reforma do estatuto do Corinthians. O encontro contou com cerca de 40 pessoas e teve como tema a composição e forma de funcionamento de dois importantes órgãos do clube: o Conselho de Orientação (Cori) e o Conselho Fiscal (CF).

O Meu Timão esteve presente na reunião, que durou cerca de três horas e deliberou sobre diversos assuntos relacionados à pauta. Muitas manifestações foram registradas no sentido de modificar a composição do Cori, com a exclusão parcial, ou mesmo total, dos membros natos, compostos atualmente por ex-presidentes da diretoria e do Conselho Deliberativo (CD). Além disso, Tuma explicou como será elaborado o texto final do projeto de reforma e levantou a possibilidade de a Assembleia Geral de sócios ocorrer no mês de abril.

Pronunciamentos

A reunião foi iniciada com uma homenagem de Tuma ao Corinthians Feminino, que na última quarta-feira venceu o Gotham FC, dos EUA, por 1 a 0 pela semifinal da Copa das Campeãs da Fifa, se classificando para a final do Mundial, a ser disputada neste domingo contra o Arsenal, da Inglaterra.

Em seguida, os debates foram iniciados com uma fala de Fernando de Souza, do Coletivo Voz Corinthiana. Ele levantou ideias para fortalecer a composição e atuação do Cori e CF. Quanto ao Cori, Fernando defendeu que todos seus membros sejam eleitos, sem indicações sendo feitas pelo CD, a fim de que se evitem possíveis contaminações políticas dentro do órgão, cuja natureza é técnica. Defendeu ainda que as candidaturas ao Cori sejam exclusivas, ou seja, que sejam independentes das candidaturas do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal.

Também abordou requisitos de elegibilidade, propondo que não possam se candidatar membros das gestões atual e anterior do clube, além de seus parentes. Defendeu ainda que seja exigida formação superior a estes candidatos. Outra defesa feita foi a de extinguir os membros natos do Cori, e que, em caso de rejeição desta proposta, que estes integrantes natos sejam apenas os ex-presidentes do Conselho Deliberativo, removendo os ex-presidentes da diretoria executiva. A ideia seria a de evitar que um órgão fiscalizador continue sendo composto por indivíduos que, antes, faziam parte do órgão fiscalizado.

Por fim, Fernando propôs um maior rigor no controle de faltas dos membros do Cori nas reuniões e a divulgação das atas das reuniões no Portal da Transparência. As ideias sobre o Conselho Fiscal foram similares, propondo que todos os membros do órgão sejam eleitos pelos associados, com candidaturas independentes.

O próximo a falar foi o conselheiro Felipe Ezabella. Ele elogiou a proposta do Coletivo Voz Corinthiana sobre o modelo eleitoral para o Cori, ponderando apenas que acredita que todos seus membros poderiam ser eleitos pelos associados. Reforçou sua opinião contrária à perda de mandato para conselheiros que aceitem ocupar cargos de diretoria. Também se colocou contra o veto para que membros da gestão atual e anterior possam se candidatar ao Cori.

Sobre membros natos do Cori, Ezabella defendeu que o cargo se mantenha, mas restrito às três últimas gestões, incluindo os ex-presidentes da diretoria executiva e do CD. Também fez comentários sobre trechos do anteprojeto que falam sobre as competências do órgão e seu escopo de atuação, como que tipo de contratos e acordos celebrados pela diretoria deveriam ou não passar somente pelo Cori ou também ser ratificados no CD.

Em relação ao CF, Ezabella afirmou que concorda que membros da gestão vigente possam ocupar o órgão imediatamente posterior, assim como seus parentes até o quarto grau.

O terceiro a falar foi o conselheiro Roberson de Medeiros (o "Dunga"), que lembrou de sua experiência presidindo o Cori na segunda gestão Andrés Sanchez, citando o parecer do órgão que foi favorável à reprovação das contas do clube em 2019. Dunga recordou que a decisão fez os membros do Cori sofrerem muitas pressões políticas. Por isso, defendeu a proposta do Coletivo Voz Corinthiana de extinguir os membros natos do órgão.

Ele também defendeu maior rigor no controle de faltas dos membros do Cori, além de mais transparência nas suas decisões. Tuma fez aparte defendendo que as atas das reuniões do Cori sejam obrigatoriamente mais detalhadas, e que o representante do CD tenha que ir ao órgão prestar contas aos conselheiros sobre o que é debatido. Dunga concordou, afirmando que as atas do Cori devem representar na íntegra os debates realizados.

O próximo foi Cascone, que se colocou a favor a manutenção dos membros natos no Cori, com a inclusão ainda do último diretor financeiro no órgão, para poder esclarecer questões relativas à sua pasta com os membros. O Coletivo Voz Corinthiana fez aparte ponderando que, no caso de se manter estes membros natos, que não tenham poder de voto, uma ideia que Cascone não afastou.

Ele discordou da ideia de exigir que os candidatos ao Cori tenham dois mandatos de conselheiro, afirmando que o Conselho Fiscal também deveria com membros eleitos, de forma nominal e individual.

Na sequência, falou o associado Cyrillo Cavalheiro Neto. Ele defendeu a retirada dos ex-presidentes como membros natos do Cori, mantendo os três últimos presidentes do CD no órgão. A citação aos ex-presidentes ensejou um debate em que Tuma lembrou que, em duas destas três últimas gestões, os órgãos internos atuaram para rejeitar contas (Andrés Sanchez em 2019 e Augusto Melo em 2024), além de aprovar um impeachment (o próprio Augusto em 2025).

Cyrillo também defendeu que o Cori tenha mais poder para analisar contratos com duração muito longa, para além do mandato da diretoria executiva em vigor, além de outras decisões que impactem gestões futuras. Em relação ao Conselho Fiscal, ele apoiou a ideia do Coletivo Voz Corinthiana de se eleger o Conselho Fiscal em data diferente da diretoria, e também afirmou que os membros do órgão não podem ter qualquer relação com membros da gestão do clube, além de seus parentes e pessoas comercialmente associadas.

Na sequência, falou o associado Hicham Said Abbas, do Coletivo Família Corinthians, que concordou com a ideia de apenas os três últimos presidentes do CD serem membros natos do Cori, sem a presença de ex-mandatários da diretoria executiva. Sugeriu, em complemento, a presença de membros independentes, contratados, para municiar o órgão em suas deliberações.

Ele também defendeu mecanismos que garantam participação ativa dos membros eleitos do Cori nas reuniões, além de propor que contratações relacionadas ao futebol (atletas e membros da comissão técnica) cuja vigência ultrapassem o mandato da gestão vigente tenham que ser avaliados pelo órgão.

Ao final de sua fala, Hicham questionou Tuma sobre como se dará a redação final do anteprojeto. O presidente do CD explicou que a ideia de momento é que a última data marcada de audiências, 9 de fevereiro, seja restrita à participação dos conselheiros, a fim de refinar os últimos pontos de ruído sobre temas que ainda não tiveram uma solução consensual. Até lá, a Comissão de Reforma do Estatuto já terá elaborado uma versão final do anteprojeto, para debate dos conselheiros neste dia.

Tuma projetou ainda que o texto do projeto, com as alterações produzidas após todas as audiências, deverá ser disponibilizado antes do Carnaval, portanto em meados de fevereiro. Além disso, declarou que estuda qual será o método de votação da reforma pelos associados na Assembleia Geral, explicando que irá se orientar no CD a respeito antes de decidir. Por isso, ponderou que talvez esta assembleia ocorra nos dias 4, 5, 11 ou 12 de abril.

O próximo a falar foi o conselheiro Paulo Pedro, representando o Movimento Corinthians Grande (MCG). Ele afirmou que considera o Cori "inchado", mas defendeu a manutenção dos membros natos da forma que o estatuto delimita atualmente. Também se colocou contra a exigência de formação restrita a certas áreas para compor o órgão, ponderando que esta formação poderia ser substituída pela comprovação de experiência em gestão empresarial.

Em seguida, ele discorreu longamente sobre a forma como membros dos conselhos são pressionados politicamente por suas atuações. Paulo Pedro sustentou que estas pressões são inerentes ao cargo, apelando para uma pacificação do clube nos debates finais sobre o anteprojeto.

O conselheiro Caetano Blandini também usou da palavra, relembrando a assinatura de confissões de dívidas nos dias finais da gestão Duilio Monteiro Alves para defender que o Cori analise atos de gestão durante as transições de mandato da diretoria executiva. Tuma fez aparte, citando que a Comissão de Justiça analisou contratos sem encontrar irregularidades, lembrando também que a EY, contratada para trabalhar com o clube, fez a mesma análise, criticando a diretoria executiva por até hoje não divulgar os resultados deste relatório, mesmo após várias cobranças dos órgãos internos.

O presidente do CD ainda completou, afirmando que desde 2024 nenhum conselheiro enviou algum pedido de investigação contra Duilio por contratos supostamente vencidos ou prescritos, afirmando que teria ordenado apuração interna sobre isso caso tivesse recebido um requerimento com esta pauta. Observou também que, se comprovada, a atitude poderia ter culminado na expulsão do ex-presidente.

Caetano também fez outros apontamentos, com destaque para uma sugestão de que os pedidos do Cori para apresentar documentos e prestações de contas à diretoria passem a ter um prazo de cumprimento, sugerindo algo como dez dias.

Quem falou então foi o conselheiro Haroldo Dantas, presidente do Conselho Fiscal. Ele questionou as motivações por trás dos debates em torno da reforma do Estatuto e apontou que considera que os órgãos de fiscalização do clube estão funcionando, observando que um dos problemas do Corinthians seria as más escolhas na eleição dos líderes das últimas gestões.

Em seguida, ele passou a palavra a Cláudio Senise, também conselheiro e membro do CF. Ele explicou que o órgão fez um estudo sobre o funcionamento desta área em outros clubes e grandes empresas, a fim de elaborar uma proposta ao anteprojeto em abril de 2024, com propostas para o texto. Senise lamentou que muitas propostas não foram acolhidas pela comissão, e alertou para um suposto excesso de responsabilidades atribuídas ao CF pelo texto atual.

Ele prosseguiu, defendendo que as gestões eleitas do CF só assumam seus mandatos após a composição anterior do órgão analise as contas do último ano da gestão anterior da diretoria executiva. Concordou, ainda, com ideias já expostas sobre a ampliação das formações exigidas para fazer parte do conselho e sugeriu que se crie um repositório de atas para armazenar os documentos com a decisões anteriores do órgão. O debate prosseguiu, sobre competências do conselho e atribuição de responsabilidades quando ocorrem atos de má gestão da diretoria.

Após a fala de Senise, Tuma encerrou a audiência, às 21h45.

Próximos passos

Todas as demais audiências serão realizadas no Teatro do Corinthians, no Parque São Jorge, sede social do clube, sempre a partir das 18h. Os interessados que desejarem se manifestar durante as reuniões e audiências públicas precisam realizar inscrição antecipada pelo e-mail estatuto@sccorinthians.com.br , com prazo limite de até três horas antes do início de cada sessão — clique aqui para obter mais informações de como participar.

Relembre o cronograma das audiências:

Dia 1 (01/12/25) veja como foi :

  • Denominação, sede, duração, fins e patrimônio;
  • Quadro social;
  • Poderes sociais.

Dia 2 (05/12/2025) veja como foi :

Dia 3 (08/12/2025) veja como foi :

  • Assembleia Geral, convocação, quórum e publicidade para implementação de uma possível SAF.

Dia 4 (18/12/2025) veja como foi :

  • Poderes sociais;
  • Assembleia Geral, convocação, quórum e publicidade.

Dia 5 (21/01/2026) veja como foi :

  • Sistemas de eleição para o Conselho Deliberativo.

Dia 6 (23/01/2026) veja como foi :

  • Conselho Deliberativo: composição, funcionamento e deliberação.

Dia 7 (26/01/2026) veja como foi :

  • Sistema de votação para a Diretoria;
  • Conselheiro vitalício honorário;
  • Regras de faltas para conselheiros vitalícios.

Dia 8 (29/01/2026):

  • Estrutura do Conselho de Orientação (CORI);
  • Estrutura do Conselho Fiscal (CF).

Dia 9 (02/02/2026):

  • Diretoria: governança, integridade e responsabilização;
  • Finanças: receitas, despesas, limites e controles;
  • Regulamentos e regimentos internos.

Dia 10 (04/02/2026):

  • Disposições gerais;
  • Disposições transitórias e cronograma de implementação.

Extra (09/02/2026):

  • Pontos diversos não discutidos nos dias anteriores.

Vale lembrar que a votação do anteprojeto estava marcada para o dia 24 de novembro, mas foi suspensa pelo Conselho Deliberativo .

Veja mais em: Parque São Jorge, Diretoria do Corinthians e Conselho do Corinthians.

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