Conselheiros, sócios e coletivos do Corinthians durante a audiência pública na Neo Química Arena

Conselheiros, sócios e coletivos do Corinthians durante a audiência pública na Neo Química Arena

Foto: Fábio Marinho / Meu Timão

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Voto do Fiel Torcedor vira consenso na segunda audiência da reforma do Estatuto do Corinthians

Por Felipe Sales e Fábio Marinho, na Neo Química Arena

Na noite desta sexta-feira, a sala de imprensa da Neo Química Arena recebeu a segunda audiência pública do ciclo de debates sobre a reforma do Estatuto do Corinthians. O encontro teve como tema central a possibilidade de o Fiel Torcedor passar a votar nas eleições do clube social.

Depois de um pronunciamento inicial de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD), começaram as manifestações dos participantes. Ao término das ponderações de todas as 11 sessões, a Comissão de Reforma do Estatuto reunirá todos os apontamentos para elaborar uma nova versão do anteprojeto, que posteriormente será votada pelo Conselho Deliberativo e, na sequência, submetida a uma Assembleia Geral, com participação e voto dos associados.

A sessão discutiu exclusivamente os modelos de votação do Fiel Torcedor, incluindo a proposta de criação da categoria “Sócio de Futebol”. O debate girou em torno do Artigo 21 e, de maneira indireta, do Artigo 21-A do anteprojeto — pontos decisivos para ampliar a participação da torcida nas eleições para presidente, segundo e terceiro vice.

Atualmente, apenas cerca de dez mil sócios do clube social possuem direito a voto. A expansão do eleitorado tem sido fortemente defendida pela Gaviões da Fiel, principal organizada do clube, e outras uniformizadas, além de uma grande massa de torcedores gerais, como os que organizam o Coletivo Voz Corinthiana.

O evento não contou com transmissão ao vivo, apesar das solicitações prévias de Romeu Tuma Júnior (presidente do CD) e de um requerimento feito por Vinícius Cascone, ex-diretor jurídico e conselheiro trienal, para exibição das próximas audiências na Corinthians TV. O aparato, inclusive, estava pronto para transmissão, assim como na sessão inaugural, mas não foi para frente sob ordens da diretoria, que é presidida por Osmar Stabile.

Abaixo, o Meu Timão separou todos os detalhes da audiência.

Quem participou?

A audiência contou com aproximadamente 80 participantes e novamente teve a ausência notada do presidente Osmar Stabile, além de Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação (Cori).

Entre os conselheiros presentes estavam André Negão, Rozallah Santoro, Vinícius Cascone, Paulo Pedro, Ernesto Teixeira e Miriam Athie.

Também marcaram presença os coletivos Voz Corinthiana, Sustentamos, Paixão Corinthiana e Democracia Corinthiana.

Representando a Gaviões da Fiel, estiveram no Teatro do Corinthians o presidente Alê, os vice-presidentes Serginho e Fantasma, além do advogado da organizada, Edson Oliveira, e do assessor de imprensa Alex da Mata. Membro da oposição interna da torcida, Metaleiro — ex-presidente da Gaviões — também compareceu.

Representantes de outras organizadas e movimentos de arquibancada, como a Pavilhão 9 e o movimento Arquibancada 85, estiveram presentes na audiência.

Pronunciamentos

Ao todo, estavam previstos 50 prunciamentos, embora parte deles tenha comparecido apenas para acompanhar a audiência.

Entre os participantes que subiram ao palco para apresentar suas propostas, houve amplo apoio à participação do Fiel Torcedor nas eleições internas do clube. A qualificação dos candidatos aos cargos de gestão e de presidente também apareceu como tema recorrente.

As divergências se concentraram sobretudo na carência mínima necessária para que torcedores do Fiel Torcedor possam votar: alguns defenderam impacto imediato já na eleição de 2026, enquanto outros sugeriram aplicação apenas no pleito seguinte, referente ao triênio 2030—2032.

No pronunciamento de abertura, o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior, rechaçou qualquer possibilidade de intervenção judicial no Corinthians. Ele citou que os órgãos fiscalizadores estão funcionando — prova disso, segundo ele, foi o impeachment do ex-presidente Augusto Melo conduzido pelo próprio CD.

O primeiro a falar foi Alê, presidente da Gaviões da Fiel, que destacou a necessidade de torcedores não associados terem participação efetiva nas votações internas. Ele ressaltou a união entre clube, chapas da Gaviões e a torcida organizada.

Na sequência, Edson Oliveira, advogado da Gaviões, citou modelos internacionais como o Bayern de Munique e Real Madrid e mencionou números do Internacional — R$ 100 milhões de arrecadação com 108 mil sócios-torcedores — para defender que a participação do Fiel Torcedor pode ampliar receitas. Ele afirmou que a mudança precisa ser “efetiva e não apenas retórica”.

O associado Cyrilo Cavalheiro apresentou sua proposta, cujo ponto central é a criação de uma diretoria voltada exclusivamente ao relacionamento com o torcedor — incluindo gestão de entradas em estádios, organização de eventos e outras iniciativas. Tuma explicou que o clube já exerce esse trabalho, citando o vice-presidente do CD, Leonardo Pantaleão, que atua na articulação com autoridades de segurança e presidentes de clubes.

Em seguida, Thiago de Lima, assessor da Diretoria de Inovação e Tecnologia, informou ao subir ao palco que sua proposta não constava nos documentos oficiais da audiência. Tuma esclareceu que o texto não foi endossado pelo presidente Osmar Stabile e, por isso, não poderia ser incluído formalmente sem a aprovação do chefe da diretoria. Ainda assim, Thiago detalhou sua ideia de criação do “Fiel Eleitor”, um plano dentro do Fiel Torcedor com mensalidade e cashback em lojas parceiras.

Representando o Coletivo Sustentamos, Arthur Felizardo sugeriu um plano voltado aos torcedores que vivem fora de São Paulo, para ampliar a possibilidade de acompanharem jogos na Neo Química Arena ou em seus estados.

Metaleiro, ex-presidente da Gaviões, defendeu o aumento do eleitorado com a inclusão do Fiel Torcedor sem cobrança adicional. Reforçou que seu objetivo é “colocar a massa para votar” e chegar a mais de 50 mil votantes. Endossou ainda a ampliação do eleitorado feminino — ponto destacado também por Teca, do Grupo Delas, que lembrou que apenas o associado titular vota, excluindo muitas mulheres do processo. Metaleiro ainda afirmou não considerar justo que torcidas organizadas votem pagando apenas R$ 30 de anuidade no Fiel Torcedor. Defendeu também a qualificação obrigatória dos candidatos para cargos de gestão.

Houve um momento de tensão quando ele criticou a conselheira Maria Ângela Ocampos, que, em maio, se declarou presidente do CD alegando afastamento de Tuma pela Comissão de Ética. Caso ela fosse reconhecida no cargo, decisões de Tuma — como o impeachment de Augusto Melo — poderiam ser anuladas. Metaleiro afirmou que, sem mudanças, não haveria condições de realizar eleições em 2026.

O conselheiro Ernesto Teixeira apoiou o voto do Fiel Torcedor e defendeu flexibilização nas regras para candidatura, permitindo que sócios qualificados e interessados participem mesmo sem muitos anos de clube. Ele afirmou que o sistema político atual é “vicioso” e afasta bons nomes.

Tiquinho, da Arquibancada 85, defendeu que apenas torcedores que frequentem ao menos 40% dos jogos na Neo Química Arena possam votar.

O conselheiro André Negão subiu ao palco sem proposta formal, mas foi questionado diversas vezes se apoiava o voto do Fiel Torcedor. Ele respondeu que sim, afirmando que, apesar de ter sido oposição na eleição anterior, respeita a atual gestão.

A conselheira vitalícia Miriam Athie lamentou a baixa presença de sócios e defendeu firmemente a implementação do voto do Fiel Torcedor já em 2026. Houve risos quando ela declarou ter orgulho de ser vitalícia, e ela respondeu pedindo respeito aos que contribuíram para o clube.

Depois, Romeu Tuma Júnior afirmou ser favorável ao fim da categoria de conselheiro vitalício e à redução do número total de conselheiros. Chegou a dizer que “depois que todos os vitalícios morressem”, acabaria com essa categoria, e foi aplaudido.

O conselheiro Vinícius Cascone voltou a criticar o presidente Osmar Stabile por não autorizar a transmissão da audiência pela Corinthians TV. Reforçou que a entrada do Fiel Torcedor nas eleições não retira o direito dos associados de votar e encerrou seu discurso pedindo novamente que Stabile libere a transmissão.

Por fim, Romeu Tuma Júnior ressaltou que, como não houve manifestações contrárias ao voto do Fiel Torcedor durante a audiência, sugeriu que a Comissão de Reforma do Estatuto concentre seus trabalhos na formalização de duas propostas completas sobre o tema, que serão submetidas à votação do Conselho Deliberativo e, posteriormente, da Assembleia Geral.

Próximos passos

Ao contrário do encontro desta noite, os demais serão realizados no Teatro do Corinthians, no Parque São Jorge, sede social do clube, sempre a partir das 18h. Os interessados que desejarem se manifestar durante as reuniões e audiências públicas precisam realizar inscrição antecipada pelo e-mail [email protected] , com prazo limite de até três horas antes do início de cada sessão — clique aqui para obter mais informações de como participar.

O cronograma será o seguinte:

Dia 1 (01/12/25) veja como foi :

  • Denominação, sede, duração, fins e patrimônio;
  • Quadro social;
  • Poderes sociais.

Dia 2 (05/12/2025):

  • Discussão sobre a votação do Fiel Torcedor.

Dia 3 (08/12/2025):

  • Assembleia Geral, convocação, quórum e publicidade para implementação de uma possível SAF.

Dia 4 (17/12/2025):

  • Poderes sociais;
  • Assembleia Geral, convocação, quórum e publicidade.

Dia 5 (21/01/2026):

  • Sistemas de eleição para o Conselho Deliberativo.

Dia 6 (23/01/2026):

  • Conselho Deliberativo: composição, funcionamento e deliberação.

Dia 7 (26/01/2026):

  • Sistema de votação para a Diretoria;
  • Conselheiro vitalício honorário;
  • Regras de faltas para conselheiros vitalícios.

Dia 8 (29/01/2026):

  • Estrutura do Conselho de Orientação (CORI);
  • Estrutura do Conselho Fiscal (CF).

Dia 9 (02/02/2026):

  • Diretoria: governança, integridade e responsabilização;
  • Finanças: receitas, despesas, limites e controles;
  • Regulamentos e regimentos internos.

Dia 10 (04/02/2026):

  • Disposições gerais;
  • Disposições transitórias e cronograma de implementação.

Extra (09/02/2026):

  • Pontos diversos não discutidos nos dias anteriores.

A votação do anteprojeto estava marcada para o último dia 24, mas foi suspensa pelo Conselho Deliberativo .

Veja mais em: Conselho do Corinthians, Estatuto do Corinthians e Neo Química Arena.

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