Da necessidade de um Corinthians mais democrático

Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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Da necessidade de um Corinthians mais democrático

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Da necessidade de um Corinthians mais democrático

O Parque São Jorge

Foto: Agência Corinthians

Olá, caros leitores do Meu Timão! É com muita honra que inicio a minha coluna neste espaço, talvez alguns de vocês possam ter tido a oportunidade de ler algum post meu no fórum acerca do estatuto do Corinthians num passado recente.

Inauguro com um assunto que é bastante corrente entre os corinthianos, o da possibilidade do Fiel Torcedor, associado do futebol, também ter direito um dia a opinar nos destinos do clube, ou seja, poder votar para presidente do Corinthians e também na escolha dos membros do Conselho Deliberativo.

O estatuto do Corinthians veda expressamente esta possibilidade em seu artigo 21, que diz: ''Poderá ser criada a categoria de Fiel-Torcedor, sempre sem direito a voto, dependente de regulamentação pela Diretoria e aprovação do CD.''

Ora, o que se verifica nesta norma de forma clara e num primeiro momento, é uma preocupação do legislador em separar o modelo de associação patrimonial (do clube) do de associado Fiel Torcedor (do futebol). Mas será que é só isso?

A meu ver, não. A política do Corinthians, assim como a da ampla maioria dos clubes brasileiros, está calcada numa visão feudal, exclusivista ou, quem sabe, condominial. Não há interesse algum por parte do sistema instituído, em trazer para dentro do Parque São Jorge mais cem mil votantes. Há uma clara preocupação nas entrelinhas por parte dos grupos que ora se abraçam, ora se enfrentam na disputa pelo poder, em efetivar uma abertura política à Fiel Torcida. Há o receio que o poder um dia possa sair deste círculo vicioso e cômodo a todos os atores.

É válido ressaltar também o seguinte: é perceptível que também não há o interesse por parte da direção em promover campanhas de associação patrimonial. Além do valor do título não ser acessível a grande parte da Fiel, a divulgação de procedimentos é escassa, as iniciativas de incentivo são nulas neste sentido, sobretudo em jogos do Corinthians. Algum de vocês já viu ou ouviu no velho Pacaembu ou mesmo na Arena Corinthians, algum balcão de informações, um anúncio no alto-falante incentivando o torcedor a se tornar sócio do clube, alguma boa vontade notória?

O que acontece na prática com esta separação? Quatro aberrações: um clube social deficitário e que cobre seus rombos com recursos oriundos do futebol; eleições presidenciais decididas por cerca de 4.000 pessoas num universo de 30 milhões; associados patrimoniais que compraram no passado um título caro, pagam uma manutenção mensal ao Corinthians e que, se quiserem ter acesso a um ingresso para um jogo, ainda têm que contratar à parte o Fiel Torcedor numa dupla e injusta taxação; e temos, por fim, milhares de corinthianos que contribuem com o Corinthians em sua principal atividade que é o futebol profissional, ajudam também a cobrir os rombos do social e que não têm direito a opinar nos destinos do clube.

Infelizmente, Fiel, é uma situação que só poderemos mudar juntos no futuro através de muito diálogo entre associados patrimoniais, associados do Fiel Torcedor e coletividade corinthiana em geral. A solução é uma necessária alteração estatutária no futuro que: conceda o voto ao Fiel Torcedor, encerre com a dupla taxação ao associado patrimonial lhe concedendo o acesso à compra de ingressos ou então a criação de um novo modelo de associação híbrido, mais moderno, que mescle as duas modalidades.

Mas já sabem: sem participação, mobilização, luta e pressão, isso não será possível. Da parte ''deles'' é que jamais partirá...

Veja mais em: Diretoria do Corinthians.

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Por Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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