Arena Corinthians: esclarecimentos de Marcelo Odebrecht à Lava Jato

Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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Arena Corinthians: esclarecimentos de Marcelo Odebrecht à Lava Jato

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Arena Corinthians: esclarecimentos de Marcelo Odebrecht à Lava Jato

A Arena Corinthians

Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Muito importantes os esclarecimentos do Marcelo Odebrecht à Lava Jato, acerca da Arena Corinthians. Só deixou muito claro em juízo o que nós já sabíamos:

1. O Corinthians tinha um projeto inicial de construir um estádio de 400 milhões e o faria de qualquer maneira, fora do contexto de Copa do Mundo, com previsão de pagamento das parcelas do financiamento através de bilheteria e receitas geradas pelo próprio estádio.

2. De que quando o Morumbi foi vetado por ser um estádio ultrapassado e não ter condições de atender às exigências da FIFA, que a cidade de São Paulo correu o risco de não participar do evento. Que então o poder público, através das figuras de Alckmin e Kassab, resolveu procurar o Corinthians para conversar sobre o seu projeto em andamento para ter um estádio.

3. Que o Corinthians deixou claro que arcaria com sua parte, os 400 milhões previstos, e que caso eles tivessem realmente interesse em sediar Copa do Mundo, que arcassem com a diferença. Ora, nada mais justo!

4. Que para a atender às exigências da FIFA a conta subia de 400 milhões para quase
1 bilhão. Que então o Kassab ofereceu sua parte em forma de 420 milhões em CID'S e o Alckmin com as estruturas provisórias e a conta fechava e assim houve o acordo (com relação às estruturas móveis, tenho sérias dúvidas se o acordo foi honrado ou se o Corinthians é que acabou assumindo).

5. O governo federal se comprometeu a viabilizar o financiamento da parte do Corinthians, via BNDES, nada irregular (este fato, como sabemos, depois se tornou um complicador devido à burocracia e demora na aprovação e que obrigou o clube a tomar empréstimos-ponte com juros mais altos já com a obra em andamento, sob pena de não ser cumprido o cronograma até a Copa).

6. Destacou a total legalidade da concessão das CID's mediante apresentação de projeto relevante em uma região da cidade que necessita de desenvolvimento e frisou que é uma lei ainda da época da gestão Marta Suplicy na prefeitura. Ou seja, também nada irregular e nenhuma novidade, já era uma lei vigente (aqui sabemos que essas CID´s viraram um mico nas mãos dos Corinthians e que também temos este valor a título de dívida! O promotor santista e pavão Marcelo Milani questionou em juízo a legitimidade por pura má fé e deixou clara a sua parcialidade e má intenção em entrevista ao Lance! à epoca. Óbvio que ele sabia da legalidade, apenas quis gerar dúvida no mercado sobre os papéis e prejudicar o Corinthians na venda dos mesmos. E conseguiu! Temos hoje 1/3 de uma dívida do estádio que não deveríamos mais ter).

IMPORTANTE: Marcelo Odebrecht não citou no depoimento o nome de nenhuma pessoa física, pessoa jurídica ou partido político que tenha recebido dinheiro indevido, vantagem ilícita, propina, suborno ou afins, decorrentes da construção do estádio.

É preciso separar as coisas: se futuramente for comprovado que o Corinthians foi lesado, que os autores sejam responsabilizados e o clube seja devidamente ressarcido; quanto ao estádio, é o principal patrimônio que o clube possui e assim deve ser tratado e valorizado. Precisa ser gerido com mais transparência e profissionalismo na busca de receitas e soluções para o pagamento da dívida; quanto à nossa história, temos um nome honrado a zelar, sempre arcamos com nossas obrigações assumidas e isso não pode mudar em hipótese alguma.

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Por Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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