Guerrero, Romero e suas quase histórias de amor com a Fiel

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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Guerrero, Romero e suas quase histórias de amor com a Fiel

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Guerrero, Romero e suas quase histórias de amor com a Fiel

Guerrero e Romero jogaram juntos no Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O que faz de um jogador ídolo de um clube? O que o torna digno de ostentar esse título? O que você, torcedor do Corinthians, considera mais importante na postura de um atleta que defende a camisa alvinegra?

Eu acredito que no Corinthians o título de ídolo vai muito além daquele que detém conquistas em campo. Não, para ser ídolo não precisa ser recordista em troféus, pelo contrário, temos ídolos que não ganharam nada. Raça, entrega em campo, amor à camisa e respeito ao clube tornam um jogador digno dessa alcunha.

Rivellino é o melhor exemplo disso. Jogou com raça, dedicação e respeito. Não ganhou título expressivo, inclusive chegou a declarar que trocaria a Copa do Mundo que conquistou por um Paulista pelo Corinthians. O Reizinho saiu do clube de forma injusta, a própria Fiel concorda. E foi por isso, que no primeiro jogo oficial da Arena Corinthians, ele foi eleito para marcar o gol que abriria o placar no mais novo estádio corinthiano. Ele também tem um busto mais que merecido lá no Parque São Jorge. Ídolo incontestável. Eu jamais diria que ele não ganhou nada porque ele ganhou. Ganhou o respeito e admiração de mais de 35 milhões de loucos.

Paolo Guerrero é um caso diferente. O jogador chegou em 2012 para ocupar a vaga deixada por Liedson, ídolo e goleador. Cumpriu seu papel e muito bem. Marcou gol em quase todas as partidas que disputou pela reta final do Brasileirão daquele ano, chegou ao Mundial de Clubes voando. Dito e feito, anotou o tento da vitória histórica. O gol da competição mais importante que o Corinthians já disputou. Tinha tudo para cravar seu nome na história e ocupar um posto incontestável de ídolo. Ele era raçudo, brigava até o último lance, vibrava tanto que chegou a soltar um palavrão ao vivo durante o Mundial. Então por que não se tornou ídolo do Timão? Porque brincou com a Fiel. Feriu o orgulho dessa massa que nada mais pede que comprometimento e respeito. Disse que no Brasil só jogaria aqui e saiu para o Flamengo em seguida. Mentiu, iludiu.

Chegamos então ao caso mais recente, Ángel Romero. O jogador chegou em 2014, praticamente desconhecido. Diz-se fã do clube, que sonhava em jogar aqui. Teve seu destaque na reta final do Brasileirão de 2015, quando marcou dois gols contra o São Paulo. Protagonizou momentos marcantes, como aquela selfie no Brasileiro de 2017 e aquela reedição das embaixadinhas contra o Palmeiras. Você pode até questionar a técnica dele, mas jamais a importância tática. Ele era raçudo, jogava para o esquema e ainda assim é o atual artilheiro da Arena Corinthians, estrangeiro com mais gols e títulos pelo clube. Por que então não pode ser considerado ídolo? Romero também brincou com a torcida e se deixou levar por empresários. Chegou a publicar emojis que faziam referência a uma possível renovação com o alvinegro da capital. Segundo recente entrevista do presidente Andrés Sanchez, recusou o terceiro maior salário do elenco. Faltou, de novo, respeito fora das quatro linhas. Não que ele não pudesse querer um salário maior, podia, claro. Mas a forma como foi feito, desrespeitou o clube e a Fiel. Poderia ser mais que um jogador importante, mas por isso, não será alçado ao status de ídolo.

É claro, essa é minha opinião. Você pode ter um conceito diferente. Mas para ser ídolo aqui, no Corinthians, o atleta precisa ser mais. Aqui não é qualquer clube, aqui é Corinthians! Ficamos 20 e tantos anos na fila por títulos considerados importantes e só aumentamos em número e amor. Se você, jogador quer ser ídolo, mas não está preparado para isso, nem venha. Digo isso também a Diego Tardelli, sempre almejado pela torcida, mas que, infelizmente, fez besteira e agora é rejeitado aqui.

Dentro de campo, incontestáveis. Ambos fizeram sua parte quando vestiram a camisa e por isso, fica aqui meu respeito tanto ao Guerrero, quanto ao Romero, mas ídolos é algo que, para mim, não são.

E para você, o que faz de um jogador ídolo do Timão?

Veja mais em: Romero e Ex-jogadores do Corinthians.

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Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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