A estrutura só independe do treinador quando ela existe

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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A estrutura só independe do treinador quando ela existe

A estrutura só independe do treinador quando ela existe

Andrés Sanchez se encheu de confiança após saída de Carille, mas não colheu os frutos

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

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Dias após ter a saída de Fábio Carille confirmada, Andrés Sanchez deu coletiva para confirmar a efetivação de Osmar Loss no Corinthians. Na entrevista, concedida em 23 de maio, o mandatário alvinegro fez questão de encher o peito para dizer que, com o ex-técnico da base, o Timão confirmaria sua estrutura. Na visão do presidente, os resultados obtidos pela equipe independem do técnico por todo o resto que o clube dispõe.

"Vamos provar que não existem mágicos, e sim, uma estrutura montada há dez anos, tocada por profissionais bons e competentes em suas funções".

Seis meses após a declaração, fica claro que as coisas não funcionam assim. Ou quase isso. A frase de Sanchez pode até ser verdade, mas com muitas ressalvas. Em um clube estruturado, o trabalho fica mais fácil e se desenvolve com profissionais mais distintos possíveis. O detalhe que ele esqueceu é: isso só funciona se há, de fato, uma estrutura eficiente.

Os últimos anos do Corinthians foram de conquistas e mais conquistas, mas não quer dizer que todos os planejamentos fizeram por merecer os canecos. Em 2017, por exemplo, é consenso que o título do Brasileirão veio muito mais por méritos de Carille e seus comandados do que da direção alvinegra.

Neste ano, o treinador vinha novamente tirando leite de pedra e viu seu time, que já não era dos mais recheados em opções, perder peças fundamentais. Sobrou a batata quente na mão de Loss. Com elenco enfraquecido, o profissional ganhou o peso da prepotência de Sanchez e teve de lidar com a situação como se tudo estivesse bem. Como se contasse com uma brilhante estrutura que não o permitia falhar.

Acompanhando a entrevista de Andrés, houve quem ficou otimista achando que, de fato, o sucesso dos últimos anos tenha vindo mais por conta de uma filosofia implantada com eficiência do que pelos treinadores. Um exercício de memória rápido, porém, mostra que, mesmo nos anos de sucesso, não foi bem assim.

Antes de Carille, Oswaldo de Oliveira e Cristóvão fracassaram, por exemplo. Onde esteve a estrutura?

Meses depois da declaração, Sanchez vê seu erro comprovado e, quase como quem assume total desespero, corre atrás do retorno de Carille, agora ganhando mais depois de passagem curta pelo futebol da Arábia.

De fato, não existem mágicos. Por isso, fica difícil crer que alguém será campeão com o enfraquecido plantel atual do Corinthians. Antes de discursos bonitos, é preciso criar uma estrutura que dê realmente suporte a um bom treinador, função essencial para obter os sucessos esportivos.

Para a sorte da Fiel, a afirmação caiu rapidamente por terra e a equipe tende a ser novamente comandada por um excelente técnico no ano que vem. Sem todo o resto em nível parecido, há, pelo menos, um motivo para ter esperança.

Veja mais em: Andrés Sanchez, Fábio Carille e Osmar Loss.

Coluna do Andrew Sousa

Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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