O mérito (e o demérito) seletivo com Dyego Coelho

Andrew Sousa

23 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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O mérito (e o demérito) seletivo com Dyego Coelho

Coluna do Andrew Sousa

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O mérito (e o demérito) seletivo com Dyego Coelho

Passagem ruim pelo profissional marcou demais Coelho com a Fiel

Foto: Danilo Fernandes/ Meu Timão

Sim, Dyego Coelho deu errado no profissional. Pedi tempo para ele, mas concordo que não tem capacidade, ao menos hoje, para treinar o Corinthians.

Precisamos, porém, separar as coisas. A base é outra categoria e, por lá, ele merece reconhecimento. Nas redes sociais, porém, o que se vê é uma série de manobras para criticá-lo.

Quando Carlos Leiria começou bem o Campeonato Brasileiro, o mérito foi dado para ele, mesmo com toda a pré-temporada feita por Coelho. Depois da experiência mal sucedida no profissional, o ex-lateral reassumiu o posto, manteve o time no topo e o que se falou foi: "não fez mais que a obrigação, pegou o time líder".

O esquema de jogo que Leiria colocou em campo foi desenhado por Coelho durante toda a preparação. Os jogadores utilizados também foram escolhas do treinador, assim como os bons talentos promovidos do Sub-17. Como o mérito fica todo com o interino?

Em entrevista recente à ESPN, Vitinho, capitão do Sub-20, deixou claro o grau de importância de Coelho no bom momento vivido enquanto o próprio comandava o time profissional.

O Coelho fez toda a preparação. Leiria chegou há dois ou três dias da estreia. Quem havia montado o esquema de 3 zagueiros foi o Coelho. Ele não mudou a formação tática, mas a qualidade dos meninos que subiram, como Belezi e Matheus Araújo ajudou muito”, afirmou.

Ou seja, o que mais se elogiou do trabalho de Leiria era, na verdade, uma ideia de Coelho, que já vem sendo fixada na base há algum tempo inclusive.

Se na cabeça de alguns o treinador não tem peso nenhum nas vitórias, o cenário se inverte nas derrotas. Nesta sexta-feira, o Timão perdeu por 4 a 0 para o Athletico Paranaense e pipocaram críticas ao ex-lateral nas redes.

Recuperando-se de Covid-19, porém, ele nem esteve à beira do gramado em Curitiba - foi justamente Carlos Leiria quem comandou a equipe. Mas aqui resolveram pesar todo o trabalho, isentando o interino da culpa. Onde está a coerência para criticar?

Coelho não acumula títulos na base do Corinthians, mas passa longe de fazer o trabalho ruim que parte da torcida insiste em pregar, ainda com raiva pela passagem desastrosa no profissional.

Além de um esquema de jogo interessante, que parece desenvolver bem os jogadores, Coelho tem feito o principal quando o assunto é base: revelar nomes para o elenco de cima.

Mais recentemente, a lista de nomes que trabalharam com o treinador e chegaram ao profissional tem: Carlos Augusto, Lucas Piton, Raul Gustavo, Xavier, Roni, Gustavo Mantuan, Ruan Oliveira, Gabriel Pereira, entre outros.

Desses, alguns merecem destaque.

  • Carlos vinha jogando muita bola e foi vendido;
  • Piton é notoriamente um jogador de potencial;
  • Xavier se transformou nas mãos de Coelho e foi de bom jogador a excelente na última Copinha;
  • Mantuan chegou voando no profissional;
  • Ruan Oliveira tem enorme potencial.

O mais legal dos casos, porém, é o de Gabriel Pereira. Contratado junto ao Guarani, ele não passava de um bom reserva atuando pelo meio ou até mesmo aberto pela esquerda. Na última Copa São Paulo, Coelho o colocou na direita e o resultado não podia ser melhor: foi o melhor alvinegro do torneio e gera enorme expectativa na Fiel por chances com Vagner Mancini. Um achado do treinador.

E se o resultado do trabalho já começa a ser notado com quem já subiu, a tendência é que os resultados continuem aparecendo. Atualmente, são vários bons valores com margem de promoção no time Sub-20: Reginaldo, Du Queiroz, Adson, Cauê, entre outros. Todos esses mostrando evolução constante na equipe de Coelho.

Entendo a decepção com o trabalho do treinador na equipe profissional e mais ainda com seu comportamento, afinal, deixou péssima impressão ao não responder pergunta importante na sua última coletiva e ao falar apenas do lado psicológico nas coletivas. Ainda assim, acho injusto querer jogar todo o trabalho que ele faz no Sub-20 fora: são 65 vitórias, 27 empates e 20 derrotas, com 203 gols marcados e 109 sofridos.

Tem quem nem assista a garotada por achar que o time é horrível só por ser treinado por Coelho. Dê essa chance! Verá uma equipe bem montada, com um esquema e ideais de jogo modernos, além de várias promessas que podem, em breve, representar o Timão no profissional.

Veja mais em: Dyego Coelho.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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23 anos, formado em Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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