O incômodo com a vida de Memphis Depay fora dos gramados
Opinião de Beatriz Zoccoler
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Memphis Depay com a comemoração dos dedos nos ouvidos
Foto: Jhony Inacio / Meu Timão
Desde o início da temporada tenho observado nas redes sociais que Memphis Depay virou alvo de críticas. O motivo? Não sua performance em campo, afinal, em 605 minutos jogados até aqui, ele já contribuiu com três passes para gol e balançou as redes uma vez. Mas sim suas atividades fora das quatro linhas.
Memphis tem comparecido a eventos, participou da gravação de clipe e alimentado sua presença midiática. Algo absolutamente normal para um atleta desse porte. Só que, o fato do holandês não se limitar a apenas jogar bola parece ter se tornado motivo de incômodo para algumas pessoas. Como se o um jogador precisasse viver uma vida monástica, trancado em casa ou restrito ao CT, sem qualquer outra ambição ou interesse além do esporte.
Não há apurações de atrasos em treinos, faltas em compromissos do clube ou qualquer atitude que indique descaso profissional. Ainda assim, surgem críticas. Por quê? Porque existe um peso cultural no Brasil que ainda trata jogadores de futebol como se fossem apenas operários do campo, sem direito a qualquer vida social ou aspirações fora das quatro linhas.
Ironicamente, Memphis foi contratado justamente por ser um nome de impacto. A diretoria sabia disso. O marketing do Corinthians sabia disso. Os torcedores também. Afinal, não basta apenas ser um bom jogador, é preciso ser relevante, atrair atenção, gerar engajamento. Um atleta que movimenta as redes sociais e tem influência midiática fora do campo é um exemplo de ativo valioso.
No final das contas, a discussão sobre o camisa 10 do Corinthians deveria ser sobre seu futebol e seu impacto em campo, e não sobre o que ele faz em seu tempo livre. Enquanto alguns se preocupam com sua agenda fora, ele segue treinando, jogando e tentando entregar dentro de campo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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