Andrés bate boca com jornalista e cita meia verdade ao se esquivar de pergunta

Coluna do Lucas Faraldo

ver detalhes

57K 192 Reportar erro

Andrés x Mauro

Andrés bate boca com jornalista e cita meia verdade ao se esquivar de pergunta

Andrés e Mauro Cezar durante entrevista do presidente corinthiano à ESPN

Foto: Reprodução

Andrés bate boca com jornalista e cita meia verdade ao se esquivar de pergunta

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Análise de Lucas Faraldo

Um clima mais tenso tomou conta de parte de uma das entrevistas concedidas por Andrés Sanchez nos últimos dias. O presidente repetiu o padrão de desconversar no tocante ao endividamento do clube. O déficit acumulado da atual gestão pode atingir a casa dos R$ 200 milhões somados os exercícios de 2018 e 2019.

Andrés Sanchez foi questionado por Mauro Cezar Pereira, durante entrevista à ESPN, sobre o rombo nas contas do clube alvinegro, que segue crescendo neste novo mandato de Andrés. O presidente então iniciou um bate-boca com o comentarista a respeito de um levantamento deste, datado do mês passado, sobre folhas salariais dos 20 clubes da Série A de 2019.

A troca de farpas durou quase dez minutos e teve algumas poucas informações sobre o Corinthians citadas por Andrés. No geral, o presidente canalizou a discussão para a folha salarial do Flamengo e o fato de este ser o time para o qual torce o jornalista, sem respondê-lo sobre causas nem consequências da dívida acumulada de R$ 113 milhões na primeira metade de seu atual mandato (2018 e primeiro semestre de 2019).

Hoje são R$ 626 milhões de endividamento total do clube. Com a atualização dos números do segundo semestre de 2019, ainda não divulgados, estima-se aumento do déficit em mais algumas dezenas de milhares de reais. Há quem tema no Parque São Jorge que o endividamento total já entre na casa dos R$ 700 milhões passada essa próxima atualização.

Em tentativa de justificativa, Andrés naturalizou os números negativos ao sugerir déficit anual e ininterrupto desde 2012 ser um padrão quase obrigatório no Parque São Jorge para formação de times campeões. O argumento é meia verdade. Em 2016, por exemplo, houve superávit em decorrência de negociações pós-título do Brasileirão-15. Mas mais do que isso:

É verdade que o Corinthians vem acumulado títulos nas três gestões implicitamente supracitadas. É inverdade que o clube tenha registado déficit ininterrupto em todas as temporadas. Cabe citar também que, apesar de bicampeão paulista com Andrés nos últimos anos, é notória a perda de força da equipe em todas as competições disputadas no período.

O atual Corinthians de Andrés foi campeão dos Estaduais de 2018 e 19 sem o mesmo futebol vistoso de 17. Foi também de então campeão brasileiro (último título de Roberto de Andrade) para figurante em competições nacionais e internacionais. As vendas pós-heptacampeonato brasileiro não impediram o aumento já registrado de mais de R$ 100 milhões no rombo dos três primeiros semestres da gestão.

Nas gestões anteriores mencionadas, o clube foi bicampeão paulista, bicampeão brasileiro, campeão da Libertadores, campeão do Mundial e campeão da Recopa Sul-Americana. Tudo isso, é verdade também, em paralelo a recorrentes déficits. A exceção data de 2016: houve superávit de R$ 31 milhões, impulsionado pelas vendas pós-hexacampeonato brasileiro.

Numa outra tentativa de justificar os gastos do início de 2018 à metade de 2019, Andrés menciona:

  • a falta de entrada de dinheiro de bilheteria, que é um velho problema e tem como origem acordo encabeçado pelo próprio atual presidente ainda dos tempos em que conduzia as negociações de pagamento da Arena;
  • a provável diminuição de receitas oriundas de direitos de transmissão e patrocínio ocasionada pela crise de 2020 do novo coronavírus.

Corinthians x Flamengo

Em relação ao assunto central do bate-boca, Andrés alega que Mauro Cezar tenha sido tendencioso em seu levantamento dos salários dos times brasileiros. Neste, o Corinthians aparece empatado com o Flamengo como donos das maiores folhas em CLT do país.

O presidente alvinegro diz que o clube carioca paga aos jogadores valor até duas vezes maior do que registra em CLT, sugerindo haver gordas luvas. O comentarista responde que oficialmente os clubes podem registrar no mínimo 60% dos vencimentos dos atletas em CLT, havendo margem portanto para pagamento de no máximo 40% em direitos de imagem.

Essa foi a primeira vez que Andrés e Mauro estiveram frente a frente numa entrevista (por vídeo chamadas) desde a publicação do levantamento do jornalista.

Sobre a disputa extracampo de gestões corinthiana e flamenguista, Andrés foi também questionado na TV Bandeirantes por que o Corinthians se encontra em patamar tão diferente do Flamengo tratando-se de marcas com forças similares, medidas pelo tamanho das torcidas.

O presidente desconversou sugerindo que o que se passa hoje é uma boa fase passageira na Gávea. Ele cita que "nós já tivemos grandes times, o Flamengo já teve grandes times, ficamos fortes, fracos, isso não é questão de gestão."

Especificamente sobre a equiparação de força de marca dos clubes por torcidas de massa, Andrés disse: "Nós temos 40 milhões de torcedores, mas nem 10% consomem."

E mais: ex-presidente do Flamengo compartilha em live corinthiana 'segredos' de sua gestão

Veja mais em: Andrés Sanchez, Diretoria do Corinthians e Parque São Jorge.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

Confira mais novidades do Corinthians

192 Comentários Comentar >

10000 caracteres restantes Monte seu time

Especiais do Meu Timão

x

Você está acessando o site mobile do Meu Timão.

Acessar versão Desktop.

Acessar versão desktop X