O que fazer com o clube social?

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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O que fazer com o clube social?

Parque São Jorge dá um prejuízo absurdo mensal ao Corinthians

Foto: Danilo Augusto / Meu Timão

Neste momento em que o Corinthians acumula dívidas e mais dívidas, de uma forma em que a impressão de quem vê de fora é que o clube pode até quebrar nos próximos anos, precisamos pensar em alternativas viáveis para “salvar” o Corinthians em um curto espaço de tempo.

A dívida total até dezembro de 2019 (último balanço divulgado) era de R$ 665 milhões. O déficit (prejuízo) em 2019 foi de R$ 177 milhões. Se houver um déficit igual em 2020, esta dívida total pode chegar a R$ 840 milhões. Isso sem contar o estádio.

Como equacionar? Uma das alternativas mais viáveis, a meu ver, é mexer com o clube social, o Parque São Jorge. Desde a construção do CT Joaquim Grava para os treinos dos profissionais, o CT da base que fica ao lado que estará pronto nos próximos anos e a Arena Corinthians para os jogos, o clube social ficou restrito aos frequentadores (nem todos corinthianos) e aos esportes amadores.

Segundo matéria do Globo Esporte, o Corinthians tem 17 mil sócios, mas apenas 3,7 mil pagaram a mensalidade no último mês. Em 2019, o prejuízo do clube social foi simplesmente de R$ 61,4 milhões!

Vale à pena?

Dos R$ 177 milhões de prejuízo total, 2/3 foram com o futebol, que tem 30 milhões de torcedores, e 1/3 foi com o clube que tem 17 mil sócios, e apenas três mil pagantes.

Repito: vale à pena? E por que isso não muda? Porque são os sócios que votam para eleger o presidente. Não são os torcedores que gastam quase todo o salário para assistirem às partidas, não são os que gastam centenas de reais para adquirirem os produtos do clube, não são os que assinam o PPV da Tv. São os frequentadores das piscinas, da academia, da bocha...

O presidente jamais vai descontentar o associado, ou não elege seu sucessor. Um desconto no cafezinho vale mais que a contratação de um atacante em se tratando de eleição do Corinthians.

Isso, para mim, está completamente errado, ultrapassado, vergonhoso até. Parece que estamos no século passado.

Qual seria a solução? Separar o clube do futebol. Eleições através do sócio torcedor. Pode haver um filtro, claro, para evitar aproveitadores. Pelo menos 5 anos como Fiel Torcedor. O sócio pode votar também, claro. Mas o presidente do Corinthians não tem que cuidar do clube social. Não tem que decidir o preço do guaraná que vende no bar da torre.

Para isso, coloca um administrador remunerado. E se o clube der prejuízo, corta os gastos do clube. Mudança no estatuto e proibição de colocar dinheiro do futebol no clube social.

O Parque São Jorge precisa fechar? Claro que não. Há parques e clubes no Brasil altamente lucrativos. Hopi Hari, Wet´n Wild, Beto Carrero, Beach Park. Moderniza, enxuga, chama gente. Que bom se o Parque São Jorge se transformar no melhor clube do Brasil. Tomara. Mas que não atrapalhe mais ainda o futebol que mexe com o coração de milhões e milhões de torcedores.

Veja mais em: Parque São Jorge.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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