Sobre os ataques contra a Gaviões
Opinião de Marco Bello
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Dirigentes da torcida foram atacados na última quarta-feira
Foto: Fabio Soares
Contra todo ditador que no futebol quiser mandar, os Gaviões continuarão a reivindicar.
Assim termina o comunicado divulgado pela torcida Gaviões da Fiel sobre o ataque sofrido pelos dois dirigentes da entidade na última quarta-feira. Frase esta cantada pelos torcedores a plenos pulmões nos estádios, talvez nunca com tanto propósito.
O presidente Rodrigo “Diguinho” e o primeiro secretário Cristiano foram atacados por 5 homens mascarados na saída de um encontro com o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo.
Surgiram nos últimos dias alguns áudios na internet de supostos integrantes da Torcida Independente do São Paulo assumindo o ataque. A diretoria da torcida tricolor publicou nota desmentindo qualquer ligação com o fato.
Parte da imprensa trata o caso simplesmente como “briga de torcidas”, a meu ver em sua maioria por desconhecimento, mas alguns por má-fé e outros por puro preconceito contra as organizadas.
Quero dizer aqui que não tenho qualquer ligação com nenhuma torcida, de nenhum clube, não conheço pessoalmente os dois dirigentes atacados, não saberia nem reconhecê-los por foto. Não sou advogado de defesa, mas também não acho justo que parte da imprensa (categoria da qual faço parte) parta do pressuposto que qualquer confusão relativa à uma torcida se resuma a “briga de torcidas”.
Fiz, no passado, uma entrevista longa com o próprio promotor Paulo Castilho, e tenho gravado um depoimento dele afirmando que há, inclusive, membros de facções criminosas inscritos ao mesmo tempo nas principais torcidas dos quatro grandes times de São Paulo.
Estes criminosos, segundo o promotor, usam os uniformes das agremiações para marcarem acertos de contas relativos aos crimes praticados, e colocam “na conta das torcidas”.
Sei que há diversos membros agressivos dentro das organizadas, e que muitas brigas realmente foram causadas pela rivalidade entre as entidades rivais. Nestes casos, cabe a crítica sempre.
Mas não foi o que aconteceu na quarta-feira. Um ataque, ou emboscada, contra dirigentes que saíam de um encontro na sede do Ministério Público, em plena luz do dia, por homens encapuzados que tinham a clara intenção de intimidar, é algo para ser investigado.
A Gaviões da Fiel começou nos últimos meses uma série de protestos contra diversas entidades que comandam o futebol brasileiro, e esta briga hoje se estende também a outras arquibancadas Brasil afora.
Este foi inclusive um dos temas do encontro com o promotor. Dirigentes das torcidas do São Paulo e do Palmeiras estavam presentes no encontro, e foi indicado ao representante do Ministério Público que os protestos continuariam e aumentariam.
Faço através deste texto um mea-culpa contra parte da categoria da qual faço parte. Penso que a crítica, quando é justa, tem que ser feita. Mas os elogios também.
A briga da Gaviões é justa, oportuna e pacífica.
E a causa não pode e não deve ser paralisada por intimidações que por ventura possam ocorrer.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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