O primeiro grande problema de Cristóvão

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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O primeiro grande problema de Cristóvão

O treinador reuniu os jogadores para uma conversa nesta terça-feira

Foto: Daniel Augusto Jr - Agência Corinthians

O técnico Cristóvão Borges foi apresentado há pouco mais de uma semana no Corinthians. Chegou para substituir Tite, o maior treinador da história do clube.

De cara, Cristóvão já tem que conviver com muitas desconfianças por não ter feito grandes trabalhos nos últimos anos.

A respeito dessas desconfianças, o técnico sempre foi muito tranquilo e vem dizendo que quer fazer desse o melhor trabalho de sua carreira.

Mas antes mesmo dos primeiros resultados em campo, o técnico já mostra seu trabalho em outro terreno.

Quando da contratação do treinador, o presidente Roberto de Andrade enalteceu bastante a habilidade de Cristóvão para o chamado “vestiário”. A motivação, as rusgas, vaidades, reclamações, as dificuldades naturais de lidar com um elenco de jogadores.

E é esse exatamente o primeiro grande desafio.

Depois das reclamações públicas de Cássio e Romero, ainda sob o comando de Tite, nesta semana foi a vez do meia Guilherme.

Logo no segundo jogo do técnico baiano, o meia foi sacado do time e disse não ter entendido a decisão. Disse ter números que comprovavam ser ele o melhor jogador do meio-campo.

Acontece que no meio do futebol há uma “regra implícita”: não se reclama publicamente, pois se você saiu do time, alguém entrou.

Quando você diz que merecia estar lá, atinge diretamente o jogador que entrou em seu lugar. E isso cria uma confusão danada no elenco.

Muito habilmente, Cristóvão então reuniu todo o elenco de jogadores e falou olhando “olho no olho” dos jogadores que o elenco é muito enxuto, e que todos seriam utilizados durante o ano.

É um discurso óbvio. Não há nenhuma grande novidade aí. Mas foi o jeito que o técnico achou para “dar o recado”.

Ele não escolheu a bronca, tampouco o silêncio. Escolheu a conversa, na frente de todos.

Estavam lá o jogador que saiu do time, e também o que entrou.

Dentro de campo, taticamente, o novo comandante ainda terá que provar sua tese de que vai fazer o melhor trabalho da carreira.

Ainda terá que vencer muitas partidas para acabar com a desconfiança da torcida.

Mas fora dele, já começou fazendo um bom trabalho.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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