O Saldo da Batalha

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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O Saldo da Batalha

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O Saldo da Batalha

Uma eliminação sempre é dolorida, ainda mais para um rival.

Foto: Daniel Augusto/ Agência Corinthians

Uma eliminação sempre é dolorida, ainda mais para um rival. Ainda mais em casa. Mas não é por isso que o trabalho está perdido, que o chamado “melhor time do Brasil” esqueceu como jogar. O Corinthians vem em uma maratona de jogos importantes, e quarta-feira já tem a chance de se redimir, eliminando o outro rival, São Paulo, no Morumbi. Para que isso aconteça, as coisas precisam ser colocadas em seus devidos lugares. Por isso, fiz uma avaliação individual do time no jogo de ontem. Quem saiu ganhando, quem perdeu, quem saiu ileso. Caso discordem de algo, usem os comentários abaixo.

Cassio

O goleiro do Timão fez o que dele se esperava no tempo normal, seguro, não teve culpa alguma nos gols, melhorou e muito na reposição de bola, mas nas penalidades... fez o torcedor sentir saudade do Julio Cesar (!?). Não acertou um canto, sendo que o Coritnhians tem um departamento de estatísticas apenas para estudar os adversários. Como uma observação aqui, cito uma declaração do Osvaldo de Oliveira, após a partida, dizendo que estudou até as cobranças de pênaltis do volante Cristian na Turquia, e o jogador nem relacionado foi! Será que o Corinthians e Cassio não estudaram os cobradores palmeirenses?


Fagner

Foi muito bem no jogo, até receber marcação especial, fazendo o Corinthians começar a atacar pelo outro lado. Mesmo assim, levou perigo ao gol do Palmeiras, e defendeu bem. Marcou na cobrança de penalidades. Sai ileso.

Felipe

Foi bem demais no jogo, falhando em duas jogadas, uma delas resultou em gol do adversário. Em clássico, normal. Não quis cobrar pênalti.

Gil

Seguro como sempre, um monstro na defesa. Intimida os adversários. Teve pequena participação no segundo gol palmeirense, mas o erro não foi seu. Cobrou o sexto pênalti e, mesmo escorregando, fez o gol. Saiu chorando, o que demonstra comprometimento, mas ao mesmo tempo instabilidade emocional.

Fábio Santos

Voltando de lesão, em jogo importante e decisivo, foi jogado aos leões por Tite. Sentiu a falta de ritmo, mas não comprometeu. Não conseguiu triangular com Danilo e Mendoza, mas mesmo assim levou algum perigo à área adversária. Como sempre, melhor na defesa que no ataque. No segundo gol, estava marcando o atacante Dudu, não tendo culpa alguma. Cobrou o primeiro pênalti e marcou.

Ralf

O melhor do time. Monstro, anulou o meio de campo adversário. Fez com que Osvaldo precisasse colocar mais jogadores no setor, pois ganhava todas as divididas. Raça, dedicação, mostra cada dia ser essencial na equipe. Cobrou o quarto pênalti e marcou. Só ganhou pontos.

Bruno Henrique

Teve uma função no jogo, anular o Valdívia, e fez bem. Não atacou, e quando o fez, errou. Não arriscou chutes de fora da área, sua especialidade. Ficou preso a marcação, e assim o time sentiu falta de um homem chegando para ajudar o ataque. Saiu com câimbras. Fez o que lhe foi pedido, sem nada mais.

Jadson

Tabelou muito com Fagner, armou a equipe, foi o centro de tudo. Cobrou a falta do primeiro gol. Como sempre, muito marcado, mas não se apagou. Foi substituído por cansaço.

Danilo

Jogou em várias posições, começando no meio. Foi mal, sem ritmo para acompanhar o time. Caiu pela esquerda para tabelar com Fábio e Mendoza. O trio não mostrou entrosamento. Atuou um pouco como lateral e no final do jogo foi atacante, apagado. Fez o primeiro gol, mas não cobrou pênalti: “Preferi não cobrar”, disse ao final do jogo.

Mendoza

Atuando no lugar de Emerson, o colombiano me surpreendeu. Foi bem no ataque, sentindo a falta de entrosamento na triangulação da esquerda, mas compensando com determinação, atuando por todos os lados do ataque. Fez um golaço. No segundo tempo, foi mais recuado, e foi o grande responsável pelo segundo gol, pois estava incubido da marcação de Rafael Marques. Mas isto não tira o mérito da grande partida, o que faz com que o colombiano vire uma grande sombra para Emerson.

Vagner Love

Voluntarioso, corre, se esforça, mas parece que nada dá certo para o camisa 29 do Timão. Contratado para ser o substituto de Guerrero, faz a torcida sentir mais falta ainda do peruano. Ontem errou passes, chutes, não fez o pivô. Pode melhorar, entrar em ritmo, mas ontem foi uma negação mais uma vez. Substituído por Elias, fez falta no final, par atentar evitar os pênaltis, pois o time ficou sem ataque. Falha do Tite.

Elias

Entrou no lugar de Vagner, nada fez no jogo, com cara de poucos amigos por ter começado no banco, e teve a chance da consagração nas penalidades. Se fizesse, o time iria pra final. A pressão é completamente diferente do jogador que vai bater e, se errar, desclassifica o time. A pressão não deveria nem existir para um jogador experiente como Elias. Mesmo assim, era a chance da glória e o jogador deveria adorar essa oportunidade. Tremeu. Cobrou pessimamente chorou após o jogo com a mesma intensidade, tendo que ser controlado pelos companheiros. Mostrou comprometimento, mas muito descontrole, tanto na hora da cobrança como depois.

Renato Augusto

Entrou na vaga de Jadson e tentou armar a equipe, segurar a bola. Não conseguiu aumentar a posse da equipe, mas tentou algumas jogadas de ataque que poderiam ter sido mais produtivas se os companheiros estivessem em melhores condições físicas. Cobrou o segundo pênalti e fez. Mais um que sai ileso.

Petros

Entrou no finalzinho do jogo e não conseguiu impedir os ataques do Palmeiras. Como sempre, corre muito, tem raça, mas demonstrou pouca calma para manter a posse de bola. Foi cobrar a última penalidade e saiu do meio de campo com cara de quem iria perder o pênalti. Medo. Foi o único jogador que não olhou para Fernando Prass. Pareceu intimidado. Cabeça baixa. Se tirassem o gol de lá, ele não teria percebido. Foi bem mal nas penalidades, mas não pode ser responsabilizado pela desclassificação.

Tite

Armou o time com o que tinha de melhor, sem Uendel, Elias e Renato Augusto. Um membro da comissão técnica me falou: "O Renato não consegue fazer duas partidas de alta intensidade". Para mim, na escalação, errou apenas com Fabio Santos. Não era jogo pra voltar de lesão, sem entrosamento algum. Uendel teria dado mais conta do recado. Nas alterações, foi pragmático, e errou ao tirar Vagner Love, mesmo mal, quando o placar estava dois a um para o Corinthians. Tomou o empate e ficou sem alternativa. Perdeu para um treinador que arriscou muito mais. Talvez pela Libertadores, não sei, mas Tite não foi Tite ontem à tarde.

Duas observações: A) Malcom, garoto com enorme potencial e que poderia ter entrado ontem no final do jogo para evitar os pênaltis, pela terceira vez em jogos decisivos foi cortado do banco de reservas. B) Cristian, maior salário do elenco, grande contratação para a temporada, também foi cortado do banco. Dinheiro mal gasto?

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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