Corinthians pode ganhar muito com caso 'Atlético x Coritiba'

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Corinthians pode ganhar muito com caso 'Atlético x Coritiba'

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Corinthians pode ganhar muito com caso 'Atlético x Coritiba'

Coritiba e Atlético se recusaram a jogar pelo Paranaense

Foto: Divulgação

A decisão das diretorias de Coritiba e Atlético Paranaense de não entrarem em campo neste domingo pelo Campeonato estadual é histórica.

Não apenas para os dois maiores clubes do Paraná, mas para o futebol brasileiro.

As duas agremiações não estão “peitando” apenas a Federação local. Elas estão começando uma guerra contra a Rede Globo e o atual sistema de vendas de direitos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

Ao contrário do que já acontece em muitos países europeus, os clubes brasileiros são reféns das Federações estaduais, que obedecem cegamente às regras da CBF.

Nas organizações dos campeonatos e também na venda dos direitos de imagens, hoje o maior patrimônio dos clubes de futebol do mundo.

Clubes como Barcelona, Bayern de Munique, Real Madrid e Manchester United têm a maior porcentagem de suas receitas provenientes dos direitos de televisão. Venda de camisas, bilheteria de jogos e licenciamento de produtos vem bem depois nesta escala.

Até a temporada passada, Barcelona e Real Madrid podiam negociar seus direitos individualmente. E só a equipe catalã recebeu R$ 450 milhões na temporada 2015/16.

Quase R$ 300 milhões a mais que Corinthians e Flamengo, os dois clubes que mais recebem no Brasil.

Para evitar uma supremacia muito grande de Barcelona e Real Madrid, a Liga Espanhola passou a negociar em conjunto com as redes de televisão a partir desta última temporada.

Então o Brasil está à frente? Não. E a explicação é simples: aqui, os clubes são reféns da Rede Globo.

O Barcelona conseguiu este montante de 140 milhões de euros porque trocou a MediaPro pela Telefonica - duas emissoras de televisão da Espanha. No Brasil, os clubes simplesmente não podem receber ofertas maiores da Record, Bandeirantes, SBT, e etc.

Isso é liberdade comercial? O Atlético Paranaense e o Coritiba não aceitaram a proposta da TV Globo e “ousaram” querer transmitir o clássico de forma gratuita via Youtube.

Foram vetados. Pela Federação? Pense bem.

Os outros clubes do Brasil, que recebem menos que Flamengo e Corinthians, reclamam do sistema atual. Querem ganhar mais.

Como não estamos mais no Século XX, acredito que eles realmente mereçam ganhar mais. Para isso, ganhem títulos, conquistem torcedores, vendam seu peixe.

Mas acredito que Corinthians e Flamengo também merecem ganhar mais. Muito mais! Como? Por meio da livre concorrência.

Se TODOS os clubes brasileiros também “peitassem” a gigante Globo, e se houvesse a possibilidade, via CBF, de outras emissoras entrarem na concorrência, (inclusive Fox, ESPN, Esporte Interativo, como acontece no caso da Libertadores da América com a Fox) a história seria outra.

Sinceramente, acredito que a Globo continuaria com a supremacia. Ela tem mais estrutura, tem a maior e a melhor equipe de transmissão, tem o know-how da coisa.

Mas, com certeza absoluta, TODOS os clubes ganhariam mais. Inclusive Corinthians e Flamengo.

O Corinthians, por exemplo, poderia simplesmente dobrar o faturamento com direitos.

E não me refiro apenas à transmissão de TV aberta.

Sou a favor de outros tipos de venda de direitos. Como vocês devem saber, trabalho na Rádio Transamérica de São Paulo. Rádios no Brasil não pagam direitos. Pra mim, deveriam pagar. Lógico que em escala menor, proporcional. Mas hoje, como as rádios não são cobradas, são tratadas como lixo nos campos do Brasil.

O ouvinte tradicional de rádio pode ter percebido nos últimos anos que não há mais entrevistas com os jogadores antes dos jogos. Não há também mais entrevistas nos intervalos.

No final das partidas, os funcionários da Federação separam um espaço para os detentores dos direitos (televisão) e depois fazem mais ou menos como os criadores de gado para (des)organizar as entrevistas de rádio.

Com a venda de direitos, poderia acontecer como em eventos FIFA, como a Copa do Mundo. Nestas competições, as rádios também pagam pelos direitos. E tem com isso um tratamento de respeito, algo que não acontece por aqui. Sou a favor da venda de direitos para transmissão pela internet, celular, sites esportivos e etc.

Um clube como o Corinthians, com liberdade (verdadeira!!) para negociar todos estes direitos, poderia facilmente arrecadar de R$ 400 a R$ 500 milhões anuais.

Não precisaria vender jogadores, poderia repatriar alguns, os campeonatos seriam mais atrativos, os estádios estariam mais cheios… seria bom para todos, inclusive para aqueles que hoje freiam este crescimento.

Que a lição de Atlético e Coritiba se espalhe. Que a coragem dos dois clubes não fique apenas neste ato.

Que você, torcedor, consumidor final, também ajude a pressionar seu dirigente para que faça o melhor negócio para o seu clube do coração. Afinal, o maior beneficiado por tudo isso será você.

Veja mais em: Ações de marketing.

Coluna do Marco Bello

Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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