Fifa diz o óbvio e os antis piram

Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria, Bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito aos irmãos

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Fifa diz o óbvio e os antis piram

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Fifa diz o óbvio e os antis piram

Nessa taça está escrito: 'FIFA Club World Cup'

Foto: Daniel Augusto Jr. Agência Corinthians

A mídia brasileira é pródiga em criar polêmicas que não existem. A frase é estranha, mas eu explico.

A FIFA NUNCA, repito, NUNCA disse que validava como campeões mundiais os vencedores dos jogos entre Campeão da Libertadores e campeão Europeu, com ou sem jipe. Também nunca disse que qualquer outra competição internacional teria a chancela de mundial.

O problema principal é que brasileiro é ufanista. Tratou como campeão mundial o que o mundo inteiro denomina como Intercontinental. Até los hermanos argentinos, que sempre exageram, não se referem à disputa entre equipes de dois continentes como mundial. Vá até o site do Boca Júniors, por exemplo, e confira. Isso sem falar nos clubes europeus.

Ora, bolas. Ninguém desmerece o feito conquistado pelos vencedores da Toyota Cup e a emoção que causou em seus torcedores. Foram, por vezes, conquista épicas. A Copa Rio de 1951, por exemplo, foi competição de alto nível, ok. MAS NÂO SÂO CAMPEONATOS MUNDIAIS!

O que a FiFA fez foi colocar os pingos nos “is” e afirmar o óbvio: “ok, foi legal o que vocês conquistaram antes do Primeiro Mundial, organizado por nós, em 2000, mas não podemos reconhecer algo que não tem nada a ver conosco. Daí alguém vai dizer: “como as disputas anteriores não tiveram a chancela da FiFA, se ela indicava os árbitros”? Isso é falso. Quem indicava os árbitros eram a UEFA e a Conmebol, entidades às quais os clubes participantes estavam filiados. Tudo em sistema de revezamento. Um ano, o árbitro era da UEFA, o outro, era da Conmebol.

Há uma confusão com relação ao termo “reconhecimento”. A FIFA reconheceu que houve outros torneios ou jogos pré-2000. Afinal, estes ocorreram. Mas NUNCA, os validou. Ouvi alguém dizer: o importante é que eu ME SINTO campeão mundial. Eu digo: amigo, você é livre para sentir o que quiser. Mas sentimento é subjetivo; não é objetivo.

O foco desse artigo não é provar o que já está mais do que provado. Há vários bons textos que desmentem a tese de que Intercontinental não era Mundial e, principalmente, a de que o Mundial de Clubes de 2000 era um torneio de verão. Recomendo este do site Trivela: //trivela.uol.com.br/10-mitos-e-verdades-sobre-o-mundial-de-clubes-de-2000/

Incrível: a Fifa organiza o torneio, o denomina como Primeiro Mundial de Clubes, grava o título na Taça, o presidente da entidade dá o troféu ao campeão, reforma as cabines de imprensa do Morumbi que estavam fora das especificações, contrata o assessor de imprensa do torneio e aí vem um torcedor qualquer travestido de jornalista para questionar o óbvio, só porque um rival foi campeão? Haja paciência.

Há um esquizofrenismo aqui no Brasil. Muda-se a história para dizer que o que vale não vale mais, e o que não valia passa a valer. Que o diga o Atléico Mineiro, cujo maior orgulho, durante décadas foi ser o primeiro campeão brasileiro, em 1971. Bastou um jornalista santista, financiado por um ex-presidente do clube, fazer um dossiêr, para o clube praiano ganhar, na calada da noite, de presente de Ricardo Teixeira, mais SEIS títulos brasileiros. Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro e Bahia pegaram carona.

Quem se sentou “lesado” pela FIFA, vá a até a sala de troféus do Palmeiras, Sâo Paulo, Santos, Flamengo, etc., e leia o que está escrito na Taça Rio ou na Toyota Cup. Não encontrará nela o título “Campeão Mundial”. Respeitemos a história.

Veja mais em: Títulos do Corinthians.

Coluna do Roberto Gomes Zanin

Por Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria de imprensa, bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito.

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