Voa, Pedrinho, voa!

Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria, Bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito aos irmãos

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Voa, Pedrinho, voa!

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Voa, Pedrinho, voa!

O menino vai decolar

Foto: Danilo Augusto Jr. Agência Corinthians.

Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo.

Eu vi o tempo brincado ao redor do caminho daquele menino...

Ah, Pedrinho! Como é bom te ver jogar.

Já vi alguns moleques bons de bola forjados no solo sagrado de Jorge.

Mas você é diferente. Foge do padrão de quem aprende a “fazer função tática” desde o berçário.

Você, não, moleque. Você joga bola!

Desliza sobre o imaculado tapete da Arena como quem joga descalço na rua.

Para você, o adversário é apenas um detalhe necessário para que haja jogo. Alguém sem nome nem rosto, que será transpassado por você. Sim, você passa “no meio” deles.

Quem sou eu para discordar de mestre Carille?

Nessa sina conformada, vejo você no banco e Clayton em campo.

E nisso se revela sua humildade. Saber-se melhor, mas saber esperar. Saber que o talento sempre vence. Saber que nada resiste à qualidade. Saber que sua hora chegará.

Penso: será que o menino vai entrar faltando 5 ou dez minutos, como sempre?

Tudo bem que para seu talento 5 minutos sejam uma eternidade. A defesa do Botafogo bem o sabe.

Mas dessa vez o tempo foi mais generoso. Você teria 25 minutos para jogar bola. Sim. Você não joga futebol. Você joga bola. Muita bola.

E você nunca nos decepciona. Até quando erra, você acerta.

Acerta porque tenta. Não se omite. Em pouco tempo faz mais do que outros em 90 minutos.

Deixa os companheiros na cara do gol.

Mas tudo continua igual.

Uma bola vadia, um desvio ao acaso e poderíamos ir para os pênaltis.

Mas, espere. Eu vi um menino correndo. Eu vi o tempo.

Eu vi o tempo parar para olhar para aquele menino.

Tal Davi contra Golias, supera na dividida um brutamontes colombiano.

A bola quica à sua frente. O goleiro sai ao seu encontro, esperando ter pela frente um jogador como outro qualquer.

Mas, não. Ele é menino. Ele joga bola. Acaricia com os pés a menina que sobe rumo às estrelas, beija o céu, e cai como um balão junino roçando as redes de Itaquera.

Eu vi um menino correndo.

Mas agora espero ver mais.

Voa, Pedrinho, voa!

Veja mais em: Pedrinho.

Coluna do Roberto Gomes Zanin

Por Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria de imprensa, bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito.

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