O jogo político da SAF no Corinthians

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Não tem inocente

O jogo político da SAF no Corinthians

Fachada do Parque São Jorge na rua que dá acesso ao clube

Foto: Divulgação / Corinthians

O jogo político da SAF no Corinthians

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Opinião de Tomás Rosolino

"Se a gente não arrumar isso aqui, eles voltam e vão vender isso aqui", bradava Augusto Melo há três semanas em um palanque improvisado diante de torcedores organizados, na frente do Parque São Jorge. "Se vocês querem que eles voltem e vendam, beleza", continuou o mandatário. 20 dias depois, sai a notícia de que Marcelo Goldfarb, com intermediação da OTB Sports, quer adquirir uma possível SAF do Corinthians. Está público o jogo político da venda do clube.

Obviamente Augusto não falou aquilo à toa. Ele até já devia ter sido procurado por Goldfarb/OTB àquela altura. Obviamente a notícia não surgiu agora à toa. Em um momento péssimo do futebol e de total descrença na administração do modelo social, seja em Augusto Melo, Duilio Monteiro Alves ou Andrés Sanchez, a ideia me parece ser um teste à opinião pública para a possibilidade de SAF.

Um teste bem embrionário, mas que quer pegar carona na insatisfação notória do torcedor. Afinal, não há legislação necessária para se comprar uma SAF e o tema nem sequer foi proposto ao Conselho. A mobilização, é claro, é fazer com que a pressão por SAF ganhe força fora do clube e seja imposta dentro do Parque São Jorge.

Augusto deu suas cartas, se apresentou como um nome que quer manter o Corinthians popular em meio a um projeto de venda orquestrado pelos seus antecessores. Os compradores, por outro lado, contra-atacam ressaltando que não vão conversar com outras pessoas que não o presidente ou diretores - clara referência a Igor Zveibrucker, empresário que, segundo Juca Kfouri, foi orientado a tratar do tema com a OTB.

Ou seja, na versão da empresa apresentada pelo Juca, Melo, que se mostrou publicamente um defensor do modelo associativo, delegou a conversa a alguém que nem cargo tem, um nome que emprestou dinheiro recentemente e foi até elogiado como "grande amigo". Me parece que a OTB quer impor ao presidente uma imagem de que quem comanda o dinheiro do Corinthians de verdade é Igor, não ele.

Do outro lado, Melo tem a seu favor o fato de ser justamente na antiga gestão que a dívida escalou de R$ 450 milhões para R$ 900 milhões, sob chancela de Andrés Sanchez. Um endividamento inexplicável e inédito na história. Uma vez, conversando com uma pessoa que trabalhava na gestão Duilio, ouvi que a dívida era grande em real, mas, em dólar, era algo quase ínfimo. A ideia de venda, é claro, permeia o poder do clube há muito tempo.

Esse é só o começo da parte pública de um jogo que, no fundo, quer entregar na mão de alguns empresários uma mina de ouro eterna. Imagina poder comprar uma instituição de 114 anos que fatura R$ 1 bilhão por ano independentemente de estar longe da elite competitiva no seu setor? É sucesso na certa. Eu, obviamente, acho um escárnio uma instituição desse tamanho e idade cogitar que a sua venda é a saída.

Tenho grande dificuldade de enxergar qualquer dirigente do Corinthians olhando para o clube pensando mais em amor do que em dinheiro. Ou seja, meu amigo, acho bom você se preparar para a conversa de SAF virar permanente, ao menos enquanto o Timão se mostra incapaz de reagir dentro de campo.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Augusto Melo, Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

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  • Comentários mais curtidos

    Celso #976

    Parabéns pelo artigo, bastante lúcido. Poucos estranharam o fato de que um jornalista ligado à gestão anterior fomentou a crise, e agora apresenta uma proposta? Desinteressada? Poucos se preocupam com o fato de que uma investigação policial simples ainda está aberta. Basta a quebra de sigilo bancário, algo singelo, para identificar os beneficiários. Mas não conclui, de forma suspeita. E poucos lembram que quando o ativo está desvalorizado, quando se está em crise, não se fazem negócios. O cheiro de algo podre é enorme.

  • Marcos Alves #8.820

    Eu penso um pouco diferente acho que nenhum político do clube quer SAF pq isso tira o poder dos mesmos que é o que realmente importa pra eles o Corinthians fica em segundo plano e acho que o Corinthians só vira SAF quando não tiver outra alternativa igual aconteceu com o Cruzeiro só não acho que está tão distante pq eles são tão ruins que não acredito que eles consigam reerguer o clube ao ponto de não ter necessidade de uma SAF

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  • Todos os comentários (145)

    Philó Fiel #73

    Falou falou e não disse nada.
    Se não tem condições necessárias bora ser uma SAF, qual o motivo da matéria?

  • Fabio Oliveira #1.125

    Esse negócio do Corinthians não ter dono e ser do povo isso não existe. O Corinthians tem dono e está não mãos de bandidos, corruptos e safados há anos. Por isso que o clube se encontra na pior situação da história. O Corinthians tem que ter dono sim, que seja competente, profissional, que tenha pessoas capacitadas para o cargo em cada setor do clube e que faça o melhor para o clube. SAF urgente!

  • Philó Fiel #73

    Sempre fui a favor de uma SAF mas imaginava um grupo árabe ao invés de um grupo de brasileiros.

  • Claudio Vilarins #2.251

    Talvez não seja a hora de virar SAF mas com a incompetência dos nossos dirigentes, conselheiros e demais pessoas do clube que toma decisão la dentro do parque São jorge mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer, ou vai virar SAF ou fechar as Portas...

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