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Eu, meu irmão e a final da Libertadores
Ulisses Lopresti

Vinte e três anos de vida e de corinthianismo. Jornalista, trabalho no Meu Timão. Escrevo aqui e apareço no Contra-Ataque, mídia alternativa de futebol.

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Eu, meu irmão e a final da Libertadores

Coluna do Ulisses Lopresti Figueiredo

Opinião de Ulisses Lopresti

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Eu, meu irmão e a final da Libertadores

Corinthians foi campeão da Libertadores no dia 4 de julho de 2012

Foto: Agência Corinthians

Enquanto os jogos do Timão não retornam, cabe a essa coluna lembrar grandes momentos do meu corinthianismo. Esse fim de semana marcou o aniversário de 31 anos do meu irmão André. É impossível não pensar na minha relação com o Corinthians sem pensar nas tardes e que comemorei vitórias do meu time com ele. Há muitas maneiras de se apaixonar pelo nosso time de coração. Com certeza, quando você tem um amigo que torce para o mesmo time, fica mais fácil.

Meu irmão é sete anos mais velho que eu, então viu jogadores que eu não me recordo tanto. Minha mãe não nos deixava falar palavrão na nossa infância, mas lembro que a expressão “P*** que pariu, é o melhor goleiro do Brasil, Dida” era algo que ouvia muito da boca dele. Talvez ele nem lembre, mas isso me ajudou a criar identificação com o goleiro corinthiano, mesmo sem me lembrar tanto de suas defesas pelo clube do Parque São Jorge. Ou quando ele gritava muitos cantos de torcida e aproximava o ambiente do estádio à nossa sala de casa.

Quando cresci um pouco, acho que fiquei mais viciado em acompanhar o Corinthians do que meu irmão, ele concorda. Porém, durante todos os anos em que moramos juntos, André sempre foi minha companhia para torcer pelo Corinthians. Muitas das minhas camisas retrô do Timão foram herdadas dele. Criamos interesses diferentes ao longo da vida, trabalho com jornalismo enquanto meu irmão trabalha com programação, não me peça detalhes, pois sou muito ruim em tecnologia. Mas com certeza o Corinthians continua sendo um assunto que agrada a todos nós nos almoços de domingo.

Uma das minhas lembranças mais fortes da nossa relação com o Timão foi no dia 4 de julho de 2012. Na tarde que antecedeu o dia que mais comemorei pelo Corinthians, meu irmão achava que eu teria um "troço". Eu estava nervoso mesmo, mas hoje ele me diz que estava pálido à espera da partida e que só falava disso o tempo todo. Sabiamente, meu irmão tentou me distrair com um passeio que no dia não me pareceu tão legal, mas hoje guardo com carinho. Fomos a uma feira sobre surf no Ibirapuera. Na época, iria para qualquer lugar, estava nervoso demais e ninguém me aguentava em casa.

Fomos então, eu, meu irmão e o Lelê, amigo dele que considero também um irmão, pois convivemos como se fôssemos. Chegando lá, eles dois analisavam friamente cada foto com ondas que me pareciam iguais em lugares do mundo tão diferentes, mas que também pareciam iguais na foto. A cada onda que via eu pensava: “será que o Boca é mesmo tão forte jogando fora de casa?”. E respondia automaticamente: “nossa, sim, surfar deve ser muito legal”. Meu irmão fazia questão de falar detalhes sobre a roupa que os surfistas usavam, acho que era uma forma de roubar a fala e não ter que ouvir "quem você acha que vai marcar o gol do título hoje?"

Me segurei o passeio todo para não falar do jogo daquela noite, ou pelo menos acho que me segurei e estranhava que meu irmão não havia feito um comentário sequer sobre a partida. Estava incrédulo com a frieza, afinal, a gente vibrava até nos menores jogos dos Paulistões que vimos e não íamos falar nada sobre o que estava acontecendo? Na volta, estávamos no carro e já havia acabado minhas esperanças de que falaríamos sobre a partida. Entre uma música e outra, na estação de rádio que ouvíamos tocou uma vinheta com o hino do Corinthians e anunciou o jogo. Só aí meu irmão desandou a falar da partida e de como estava confiante, que, ao invés de ficarmos nervosos, tínhamos que aproveitar aquela ocasião. Eu nem conseguia ouvir o que ele dizia do jogo, eu só pensava “pô, finalmente!”.

Acho que, na verdade, ele nem estava tão tranquilo, só estava me dizendo para aproveitar aquilo sem me preocupar tanto, era mais um “às vezes ganha, às vezes perde” de forma madura. Acima de tudo, foi uma forma de me acalmar durante o jogo. Essa foi uma das memórias mais marcantes que tenho com meu irmão e acho engraçado como só o Corinthians pode proporcionar isso.

Hoje em dia não moro mais com ele, nem vivemos na mesma cidade. Porém sei que, quando estivermos juntos e tocar uma vinheta com o hino do Timão, teremos sobre o que conversar.

Veja mais em: Libertadores da América, Títulos do Corinthians, Jogos Históricos e Torcida do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Ulisses Lopresti Figueiredo

Vinte e três anos de vida e de corinthianismo. Jornalista, trabalho no Meu Timão. Escrevo aqui e apareço no Contra-Ataque, mídia alternativa de futebol

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