O Corinthians e as copas de seleções

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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O Corinthians e as copas de seleções

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O Corinthians e as copas de seleções

Tamires foi contratada pelo Corinthians após a Copa do Mundo Feminina

Foto: Bruno Teixeira/Corinthians

Terminaram neste domingo os dois torneios que concentraram a atenção do público no último mês e meio: a Copa América e a Copa do Mundo de Futebol Feminino, e a melhor notícia que vi como corinthiano foi a contratação da lateral-esquerda Tamires, da seleção feminina que disputou o torneio na França, e chega para reforçar nossa já excelente equipe, que busca o título no Paulista, o bi do Brasileirão e a Libertadores feminina no final do ano.

Isso me deixou feliz porque me traz a ilusão de que talvez, só talvez, o clube esteja antenado no que está acontecendo nessas competições, e observando atletas, homens e mulheres, que poderiam fortalecer as nossas equipes.

Espero estar enganado, espero que o clube me desminta em menos de 24 horas, sempre achei que o clube trata com desdém essas competições internacionais, ou manda observadores que vão só fazer turismo, porque volta delas sem uma mísera contratação, nada de relevante, até que a chegada de Tamires me deu uma pontinha de esperança.

Minha impressão se baseia no fato de que não lembro de nenhuma contratação de peso do clube após uma Copa América, nem mesmo de jogadores brasileiros, e menos ainda estrangeiros – e nem vou falar do feminino, que embora tenha mais prioridade hoje, ela era nenhuma na época da última Copa da categoria. E reivindico sim essa preocupação do clube, porque nossos rivais sim o fazem, e às vezes conseguem reforços importantes somente estando antenados às oportunidades que estão disponíveis.

No caso do futebol masculino, que realmente precisa de reforços, quem viu a Copa América deve ter visto alguns jogadores bem interessantes, como os peruanos Luis Advíncula e Edison Flores, o uruguaio Nahitan Nández e o chileno Charles Aránguiz. Não são os únicos, e é questão de ver também as carências do elenco corinthiano atual, que não são poucas. Mas o fato é que, sabendo observar, o torneio poderia nos render algumas soluções interessantes, ou talvez outros clubes brasileiros mostrem em breve que fizeram esse trabalho que nós não.

Quanto ao feminino, seria muito bom se o Corinthians pudesse reforçar ainda mais um time que já é ótimo a nível nacional, mas que poderia ficar melhor ainda. A final da Copa do Mundo, que não contou com o Brasil, rendeu 20 pontos de audiência na Grande São Paulo, cifra que nem sempre o Brasileirão consegue numa manhã de domingo, e mostra que o futebol feminino não é uma modinha passageira, veio pra ficar e cresce à medida em que as mulheres exigem seu lugar no futebol, seja no campo ou na arquibancada.

Essa tendência é visível também no mundo Corinthians, já que as mulheres corinthianas são as torcedoras e jogadoras que mais lutam pelo seu espaço no Brasil, e essa luta merece ser premiada com uma prioridade ainda maior para a equipe feminina. Para que tenha um alto nível não só em âmbito nacional, como também mundial.

Neste fim de semana, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, falou que entre os seus planos para o futuro do futebol feminino está a possível criação de uma Liga Mundial de Clubes feminina. Se essa ideia vingar, o Brasil terá que colocar seus representantes nessa disputa, e o Corinthians certamente pode ser a melhor opção, mas para isso precisará ter esse time de nível mundial pronto para ser o indicado.

Com a qualidade que temos hoje, creio que não estamos longe desse alto nível, mas poderia ser ainda melhor se pudéssemos ter por exemplo, a melhor jogadora do mundo no nosso time, aproveitando o fato de que ela é corinthiana. Não é a primeira vez que peço isso, e não tenho problema nenhum em repetir quantas vezes for preciso: Marta no Corinthians!! Seria um dos maiores acertos de marketing da história do clube, totalmente em sintonia com os nossos tempos, e será lembrado para sempre como um antes e um depois na participação das mulheres na vida do Coringão.

Além disso, também poderíamos trazer algumas estrangeiras, talvez até mesmo uma estadunidense. Por que não? Uma Megan Rapinoe no Coringão teria retorno garantido também, e embora eu prefira a nossa Marta, já imaginou ter as duas?

Ideias como essa cedo ou tarde terminarão se tornando realidade no Brasil, e com grande possibilidade de sucesso. A questão é se o Corinthians será o primeiro a fazê-lo ou se prefere tentar correr atrás da bola depois que der certo em outro lugar.

Tanto no masculino quanto no feminino, a observação do que acontece nessas copas internacionais entre seleções e a possibilidade de nos reforçar com os destaques dessas competições são ótimas formas de planejar um Corinthians capaz de conquistar copas a nível clubístico no futuro. Que assim seja!

Veja mais em: Corinthians feminino e Elenco do Corinthians.

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Por Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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